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Category Archives: história da arquitetura e do urbanismo

As quatro escalas de Brasília

“É assim que, sendo monumental, é também cômoda, eficiente e íntima. É ao mesmo tempo derramada e concisa, bucólica e urbana, lírica e funcional… Brasília, capital aérea e rodoviária; cidade-parque. Sonho arqui-secular do Patriarca.” Lucio Costa, Relatório do Plano Piloto de Brasília

Brasília – Torre de TV – projeto de Lucio Costa. foto beatriz brasil, 2007.

“Se formos buscar nos dicionários o termo ‘escala’, acharemos as mais diferentes definições: hierarquia, régua numerada, tempo que dura em parada um navio ou um avião etc.

É claro que nenhuma dessas possíveis significações da palavra indica o que o Mestre Lucio Costa quis exprimir ao utilizá-la.

Escala é um termo bastante utilizado no jargão dos arquitetos e urbanistas para indicar dimensão, tanto no sentido literal quanto no sentido figurado. Podemos dizer que um projeto foi elaborado em escala 1:20 (ou seja, vinte vezes menor do que o seu tamanho real) assim como podemos falar de um edifício que se adéqua à escala humana (uma construção de proporções aprazíveis para a utilização pelo homem).

O plano de Brasília não é apenas um desenho, é uma concepção de cidade, traduzida, nas palavras de seu criador, por quadro escalas distintas: a monumental, a residencial, a gregária e a bucólica.

A escala monumental está configurada pelo Eixo Monumental, desde a Praça dos Três Poderes até a Praça do Buriti. A escala residencial, que simboliza a nova maneira de viver, própria de Brasília, está representada pelas superquadras das Asas Sul e Norte. A gregária (ou de convívio) situa-se na Plataforma Rodoviária e nos setores de diversões, comerciais, bancários, hoteleiros, médico-hospitalares, de autarquias e de rádio e televisão Norte e Sul. A bucólica, por sua vez, confere a Brasília o caráter de cidade-parque é constituída por todas as áreas livres destinadas à preservação paisagística e ao lazer.

O Eixo Monumental congrega os edifícios que abrigam a alma político-administrativa do país e do governo local. Lá encontra-se o supra-sumo da expressão arquitetônica moderna brasileira, que obedece a um conceito ideal de pureza plástica, onde a intenção de elegância – firme e despojada – está sempre presente. É o ‘cartão de visitas’ da Cidade e configura, por isso, a escala monumental.

Brasília – Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios – foto beatriz brasil

A superquadra, tradução da escala residencial e talvez uma das mais inovadoras e acertadas contribuições atuais para a habitação multifamiliar, representa novo conceito de morar. Estruturalmente, no dizer do próprio Lucio Costa “é um conjunto de edifícios residenciais sobre pilotis (que têm em Brasília, pela primeira vez, presença urbana contínua) ligados entre si pelo fato de terem acesso comum e de ocuparem uma área delimitada – no caso um quadrado de 280 x 280 metros envolto por renques de árvores de copas densas – e com uma população de 2.500 a 3.000 pessoas. O chão é público – os moradores pertencem à quadra, mas a quadra não lhes pertence – e é esta a grande diferença entre superquadra e condomínio. Não há cercas nem guardas e, no entanto, a liberdade de ir e vir não constrange nem inibe o morador de usufruir de seu território, e a visibilidade contínua assegurada pelos pilotis contribui para a segurança”. Na inovadora proposta residencial estão incluídos os comércios locais e s entrequadras, que comportam as atividades de ensino, esporte, recreação e cultura de vizinhança.

A escala gregária, como já foi dito, está representada por todos os setores de convergência da população (setores comercial, bancário, de diversões e de cultura, hoteleiro, médico-hospitalar, de rádio e TV etc.) e tem como foco central a Plataforma Rodoviária, traço de união da metrópole com as demais cidades do Distrito Federal e do entorno.

A escala bucólica permeia as outras três, pois é representada pelos gramados, pelas praças,pelas extensas áreas arborizadas, pelos jardins, pelos espaços de lazer, pela orla do Lago Paranoá, por todos os espaços, enfim, destinados ao deleite, ao descanso e ao devaneio, que dão o caráter de cidade-parque a Brasília e são responsáveis pelos altos índices de qualidade de vida da Capital. Por tal motivo, sua preservação é tão importante quanto a dos monumentos e das demais edificações.

Brasília Revisitada

Depoimento de Lucio Costa, na obra “Lucio Costa, Registro de uma Vivência”

“O Plano Piloto de Brasília não se propôs visões prospectivas de esperanto tecnológico, tampouco resultou de promiscuidade urbanística ou de elaborada e falsa “espontaneidade”. Brasília é a expressão de um determinado conceito urbanístico, tem filiação certa, não é uma cidade bastarda. O seu “facies” é de uma cidade inventada que se assumiu na sua singularidade.

Em 1987 apresentei ao Secretário de Obras Carlos Magalhães e ao Governador José Aparecido de Oliveira um conjunto de recomendações relativas à complementação, preservação, adensamento e expansão urbana de Brasília – “Brasília Revisitada” -, documento que teve origem no trabalho “Brasília 57 – 85”.

Em lugar do texto apresentado, prefiro transcrever aqui parte de um documento escrito em janeiro de 1990, quando Brasília foi tombada, e que resume meu pensamento a respeito da preservação do Plano Piloto:

O mundo está cheio de cidades apenas vivas, que não interessam à Humanidade preservar. Mas no caso raro dessas cidades eleitas há sempre particularidades que precisam manter-se imunes a inovações e modismos, do contrário o que é válido nelas se esvai.

Do estrito e fundamental ponto de vista da composição urbana chegou o momento de definir e de delimitar a futura “volumetria” espacial da cidade, ou seja, a relação entre o verde das áreas a serem mantidas “in natura” (ou cultivadas como campos, arvoredos e bosques) e o branco das áreas a serem edificadas. Chegou o momento, digo mal – o último momento, diria melhor – de ainda ser possível avivar esse confronto e de assim preservar, para sempre, a feição original de Brasília como cidade-parque, o “facies” diferenciador da capital em relação às demais cidades brasileiras.

Por todos os motivos, só mesmo o tombamento será capaz de assegurar às gerações futuras a oportunidade e o direito de conhecer Brasília tal como foi concebida.

Para mim, como urbanista da cidade, importa principalmente o seguinte:

Respeitas as quatro escalas que presidiram a própria concepção da cidade: a simbólica e coletiva, ou Monumental; a doméstica, ou Residencial; a de convívio, ou Gregária; e a de lazer, ou Bucólica, através da manutenção dos gabaritos e taxas de ocupação que as definem.

Respeitar e manter a sua estrutura urbana, que é original, a partir da qual se estabelece a relação entre as quatro escalas.

Respeitar e manter as características originais dos dois eixos e do seu cruzamento, ou seja:

manter o caráter rodoviário inerente à pista central do eixo rodoviário-residencial;

manter non-aedificandi e livre o espaço interno gramado do eixo monumental, da Praça dos Três Poderes até a Torre;

manter a Plataforma Rodoviária como traço de união e ponto de convergência já consolidado do complexo urbano composto pela cidade político-administrativa e pelos improvisados assentamentos satélites;

manter o gabarito deliberadamente baixo do centro do comércio e diversões, sendo as fachadas dos dois conjuntos voltadas para a esplanada recobertas de fora-a-fora por painéis luminosos de propaganda comercial;

preservar e cuidar das pequenas Praças de Pedestres fronteiras ao Teatro e ao Touring, com as fontes, bancos e plantas sempre funcionando e em perfeito estado, tal como o grande conjunto de fontes ao pé da Torre.

Preservar o Eixo Monumental, da Praça dos Três Poderes à Praça Municipal (hoje Praça do Buriti). A Praça dos Três Poderes, complementada pela presença dos Ministérios do Exterior e da Justiça na cabeceira da Esplanada, se constitui, desde o nascedouro, uma serena e digna integração arquitetônico-urbanística, agora enriquecida pela presença dinâmica do Pantheon.

Manter o conceito de superquadra como espaço residencial aberto ao público, em contraposição ao de condomínio fechado; a manutenção da entrada única; do enquadramento arborizado; do gabarito uniforme de seis pavimentos sobre pilotis livres, com os blocos soltos no chão.

Manter a hierarquização do tráfego nas áreas de vizinhança graças à descontinuidade nas vias de acesso às quadras.

Preservar o grande parque público projetado por Burle Marx.

Resgatar e complementar os quarteirões centrais da cidade – o seu “core” – de acordo com as recomendações contidas em “Brasília Revisitada”.

Trata-se, em suma, de respeitar Brasília. De complementar com sensibilidade e lucidez o que ainda lhe falta, preservando o que de válido sobreviveu.

A cidade que primeiro viveu dentro da minha cabeça, se soltou, já não me pertence, pertence ao Brasil


CAMILLO SITTE

 

Arquiteto vienense – diretor da Escola Imperial e Real de Artes; estudou arqueologia medieval e renascentista/era filho de arquiteto; pioneiro do urbanismo culturalista = ponto de vista da qualidade de vida no desenho da cidade; escreveu um livro no final do séc. XIX = critica a cidade industrial, o urbanismo que estava sendo feito, sendo implantado desde Haussmann (urbanismo técnico); é considerado o primeiro “esteta” = pensador que olha para a cidade do passado sob o ponto de vista estético; tem fascínio pela cidade medieval, por como as pessoas se relacionavam,as feiras, os bairros (a relação cidade X pessoas) = na sua visão, esta relação foi perdida na cidade industrial = a dimensão da cidade não comporta os hábitos de convivência; faz crítica às intervenções de Haussmann = onde não existe preocupação com o antigo, com a preservação (isso ocorre 40 anos após Haussmann).

 

Urbanização da expansão da Ringstrasse (Viena)

Área além da muralha – Governo implanta expansão nesta área =  a idéia é fazer intervenções nos moldes de Haussmann (Paris) = SITTE escreve livro como protesto; Sitte procura qualidade de vida; é contra demolição dos antigos núcleos, dos espaços simbólicos = procura qualidade de vida = é contra espaços diferenciados (a história dá exemplo do que era a boa cidade) = repulsa ao industrialismo.

 

Em 1889, Sitte escreve o livro “A construção das cidades segundo seus princípios artísticos”, onde analisa os espaços das cidades medievais e antigas = um elemento sempre se repete – a praça. Estuda os padrões morfológicos do espaço urbano – é contra as cidades modernas, falta de princípios estéticos, desprovidas de espaços; estuda praças da antiguidade e destaca elementos morfológicos que se repetem = faz análise dos espaços da praça; cena urbana = criar um cenário urbano, componente teatral dos espaços simbólicos; “agorafobia” = as pessoas deixam de usar o espaço da praça por causa do seu tamanha; falta de conforto, de aconchego; espacialidade; espaço público = praça = símbolo da expressão do ideal de comunidade = lugar público; praças antigas – ágora grega; resgata a beleza da cidade = Renascimento – a visão da cidade quebrou o espaço enquanto espaço simbólico = semente do que seria o urbanismo moderno; a técnica se sobrepôs à qualidade dos espaços; busca padrões já existentes; seu livro = baseia-se no conceito de simetria de Vitrúvio/o mais importante nas cidades é a simetria no sentido de harmonia = proporções que se repetem; observou os espaços = espaço urbano da praça = qualidade estética dos espaços; seus princípios artísticos: relação adequada entre as construções, centro livre, efeito côncavo, coesão das praças, dimensionamento e forma das praças, irregularidade das praças, o conjunto das praças.


EXPOSIÇÕES INDUSTRIAIS OU UNIVERSAIS

 

As Exposições Industriais ou Universais, surgiram após a Revolução Industrial com o intuito de divulgar os produtos industrializados produzidos na época, visando  que a população os aceitasse melhor e percebece que poderiam ser utilizados na construção da mesma forma como eram usados os materiais tradicionais. Foi uma forma de convencer o cliente; qualquer país podia montar um estande para divulgar seus produtos, suas tecnologias. Este período, introduziu uma nova linguagem na arquitetura e o marco foi 1851, quando ocorreu a primeira exposição na Inglaterra – nela foi construído o Palácio de Cristal (a Inglaterra foi o primeiro país a se industrializar); constroem um grande pavilhão todo em ferro que constitui um edifício de fácil construção que podia ser desmontado posteriormente; consultaram Joseph Paxton, especialista em construção de estufas. Paxton projeta o Palácio onde foi feita a primeira exposição. Esta construção influenciou a arquitetura industrial. O palácio era todo construído em ferro fundido, de forma estrutural.

 

Palácio de Cristal (Joseph Paxton): esta construção consomiu 1/3 do ferro produzido na Inglaterra na época; o projeto reproduziu o gótico (elementos do gótico), sempre com a mesma modulação; a planta era simétrica; foi construído em 17 semanas e utilizou 1/3 da produção de vidro anual da Inglaterra; inaugurou o sistema de construções pré-fabricadas; tinha leveza por meio dos pilares feitos de ferro, mais finos do que seriam numa construção convencional em função do material usado (tecnologia); ocorre o desenvolvimento da treliça (desenho das estruturas em ferro).

A partir das Exposições Universais, surge uma nova linguagem arquitetônica e de uso de materiais; grandes estruturas são feitas; ocorrem ocupações de grandes áreas para estas construções; a linguagem é associada ao neoclássico, os elementos greco-romanos são usados de forma decorativa.

 

Exposições de 1887: construção da Torre Eiffel (Gustave Eiffel); construída no Parque da exposição universal de 1889.

 

 

 

A LINGUAGEM DO FERRO    Esta linguagem começa a ser desenvolvida nas pontes e é um sistema construtivo que permanece até a modernidade; utiliza sistema trilíptico e arco; chega ao séc. XIX usando os mesmos sistemas, apenas utilizando materiais como novos como o ferro.

O ferro é utilizado também nas coberturas: galerias – Passagem do Cairo – 1799 (ligavam as fachadas, cobrindo as ruas formando as ruas formando galerias – surgimento de comércio de rua), Passagem Panorama – 1800 (Paris), Passagem Miré – Princês, Galerie Vivienne – 1823, Galeria Viltorio Emanuele (Milão). Em bibliotecas: Biblioteca de Saint Geneviève – 1836, projeto de Henri Labruste – desenvolvem estrutura de pilares de ferro sobre base de alvenaria para aumentar o pé direito; mistura nas paredes laterais estrutura de arco neoclássico ao ferro; preocupação em decorar; fachada em pedra neoclássica, marcada. Biblioteca Nacional – 1855, projeto de Henri Labruste – cria uma série de cúpulas com iluminação zenital, formadas com estrutura de ferro e vidro; preocupação com a decoração; pilares de ferro com base de tijolos; uso de elementos clássicos.


IMPÉRIO ROMANO

Cidade capital: origem na civilização etrusca (romanos) = localiza-se em território italiano (mais terras, mais poder). Arte urbana: criação de novos assentamentos: estrutura social se baseia no imperador; monarquia (753 a 510 ªC); república (509 a 27 aC); império (apogeu da civilização romana – 27aC a 300dC). Fundam a cidade capital (Roma): tem que demonstrar o poderio/espaços são hierarquizados; cidade começa a se configurar/usam o desenho da cidade para demonstrar a hierarquia (esplanada = poder); moldam o desenho da cidade, constroem templos, o Fórum (equipamentos administrativos), = cada imperador criava  seu próprio Fórum (Senado, Câmara, trono) = espaço da cidade = cidade grega; a cidade  representa o poder absoluto;  vários espaços são importantes, marcam o desenho da cidade (com obras arquitetônicas) – cidade mais importante (Capital). Regulamentação urbana: criam regras, leis, obrigações são estabelecidas na civilização romana; Vitrúvio (arquiteto) = escreve Tratado de arquitetura e urbanismo = obra mais completa da antiguidade; mostra as posturas para se construir, para se fundar uma cidade (baseia-se muito nos gregos); propõe estudos detalhados sobre edificações; institui ritual para fundação de uma cidade; o urbanismo fica mais elaborado = assentamentos militares; usam dois eixos para traçado urbano = Cardo e Decumanus (romanos apropriam-se do traçado quadriculado – o 1º foi Hipódamo de Mileto).

 

Características da arquitetura romana: é monumental; arco de berço; desenvolvem estrutura em arco/funciona em compressão/permite construir em altura/arquitetura monumental; a estrutura em arco aparece em galerias, esgoto, basílicas, aquedutos; usavam para compor as paredes = betão; arcos em compressão (somente) = construíam das bordas para o centro;  as ruas: constituídas de séries de colunas, cidades são calçadas (leito da rua e leito da calçada = com desnível), as fachadas tinham afastamento da rua, criaram sistema de canalização sob as ruas; Basílica: funcionava como Senado/tinha funções jurídicas (não é igreja), é edifício administrativo, tinha formato retangular, salão livre (dois corredores, com uma nave principal, um nartex na entrada principal, possuía um espaço circular (tipo altar) que funcionava como local do júri, a entrada era pela lateral. O edifício ficava de forma lateral virado para o Fórum.

Imagem: estrutura em arco permitindo grandes alturas, sistema construtivo permite tal construção: alta e larga, grandes vãos. Corte de uma basílica: bastante decorada, duas basílicas laterais, interior pintado. Templo: todo templo romano tem uma escadaria na entrada principal (é aberto a todos); entrada principal é pela frente/pódio + escadarias principais; utilizam o sistema grego (trilíptico), as ordens gregas, porém usam outros materiais de construção como o betão e as ordens são usadas como forma decorativa e não estrutural; Imagem: Templo na França (Nímes) = projeto de Norman Foster reproduz o templo com estrutura em metal; Pantheon (templo): mistura sistema de arcos com trilíptico; mesma circunferência da cúpula é o da altura; era todo revestido em mármore; utiização do arco na planta; sistema de paredes duplas/bem largas embaixo e mais finas no topo; para reduzir o peso a cúpula é apoiada num quadrado; nichos na cúpula (interna) que diminuem o peso. Habitações: Domus: casa particular/maior poder aquisitivo; noção de passeio (calçada) com rua mais baixa; galerias; rua com comércio, atrás insulae (= prédio com até 5 ou 6 andares), térreo lojas e galerias que cortam todo o edifício, demais andares, residência. Termas públicas: local de banhos, balneário, pátio interno (preparação física), sistema em arco com trilíptico/colunas utilizadas de forma aleatória; Mercado = stoa: mercado de Trajano (Roma); construção em arcos, tijolo e betão; Teatro de arena: Coliseu (Roma); formato elíptico; cada andar tem uma ordem na decoração; Teatro: função pública, formato em semicircunferência ou circunferência inteira; não aproveitam declive; arquibancadas são construídas; estrutura atrás do palco é fechada; paredes fecham o semicírculo; é um edifício;  Circus Maximus: Hipódamo; serviam para corridas de bigas; pista oval com arquibancadas nas laterais; Portas romanas: marcam as entradas da cidade; Colunas: Coluna de Trajano.

 

Cidade de Constantinopla: cidade imperial romana no oriente: fundação se dá em função do enfraquecimento de Roma; ‘montam’ uma nova Capital no oriente = demonstração de seu poder; Roma está sendo muito invadida; conseguem reerguer o Império; a cidade era uma colônia grega, que chamava-se Bizâncio = arquitetura bizantina (influência do oriente); é diferente de Roma; é rebuscada; está situada em lugar estratégico, rotas de comércio, é a porta do oriente (fazia fronteira com a Grécia, Rússia, etc) = cidade mais importante do oriente (no período romano e na idade média) até séc. XV (neste período é retomada pelos orientais), hoje é Stambul; liberação do culto cristão pelos Romanos; surgimento da arte paleocristã/manifestações artísticas religiosas; arte bizantina. A transformação de Constantinopla pelos romanos: transformam a ágora em fórum romano; criam muralha de Teodósio; demolem a Acrópole (perde o sentido); dividem a cidade em 14 regiões; estruturam a cidade em bairros; estruturam todo o sistema viário; compõem o desenho da cidade , interligando quatro praças; instalam edifícios romanos pela cidade; incentivam a vinda de população romana; transferem esculturas, recriam a paisagem de Roma; a basílica cristã se torna o edifício  mais importante; atinge no séc. XIV aproximadamente 1 milhão de habitantes; Teodósio também faz intervenções e Justiniano, para gravar seu nome e seu poder; é o marco da arquitetura bizantina = igreja monumental (Santa Sofia) é extremamente decorada, mosaicos, tem planta centralizada, o altar fica no centro do edifício, o domus se desenvolve no vão central (cruz grega).


Movimento Historicista

 

O Movimento Historicista visava a reforma global nas artes, buscando uma linguagem única na arquitetura, pintura e escultura. O Movimento baseava-se em valores antigos, no movimento romântico, buscando um ideal. Seus integrantes inspiraram-se na comunidade medieval, onde os artesãos eram conhecidos e conviviam entre si. Para o grupo de integrava o Movimento, a Revolução Industrial transformou o espaço da cidade de forma negativa, valorizando mais os operários das fábricas dos que os antigos artesãos.

 

Seu surgimento se dá na Inglaterra em 1840 e o Movimento perdura até 1920.  Elegendo o período Gótico como tema para suas criações, os historicistas tentam fazer um retorno a linguagem usada, tentando recuperá-la. A produção feita por eles é denominada de neogótico ou rival gótico. Nos projetos eram definidos o programa de necessidades e depois desenvolvido o projeto arquitetônico. Esses projetos podem ser lidos através da fachada, o que coloca em segundo plano a forma. Consiste numa adaptação do gótico para o horizontal.

 

William Morris é seu principal representante e lança o Movimento Arts and Crafts. Fez projetos em conjunto com Philip Webb que envolveram tanto arquitetura quanto decoração. Morris é contra a industrialização, é idealista. Ao fundar o Movimento ARTS AND CRAFTS, passou a defender a questão do artesanato.

Sua obra de maior destaque é a Red House. Neste projeto a leitura da planta é feita através da fachada. Sua planta é funcional, tem programa de necessidades e volumetria. Além desses aspectos, todos os elementos internos foram concebidos em estilo neogótico – vitrais, arcos ogivais e móveis. Foram também idealizados por Morris, tecidos e papéis de parede para a residência.

 

 

 

Os antecessores de William Morris

 

Viollet-le-Duc (1814 – 1879) – França: divulgou o revival gótico na França (somente a linguagem): não tinha preocupação com questões sociais, trabalhistas, etc; defendeu o uso do ferro, do vidro, o uso de máquinas valorizando a linguagem gótica; escreveu dicionário de arquitetura; desenvolveu vários edifícios; defendeu arquitetura racionalista; não estava preocupado com decoração mas queria adotar uma nova linguagem arquitetônica, limpar as fachadas.

 

John Ruskin (1819 – 1900): teve influência direta sobre William Morris; escreveu “As sete lâmpadas da arquitetura” onde descreveu a relação da arquitetura com o ornamento, com a decoração; sua arquitetura era extremamente decorada com trabalhos artesanais; neste período, os arquitetos começaram a defender a funcionalidade através do programa de necessidades.

 

Augustus Pugin: foi um dos primeiros a utilizar o estilo neogótico; defendeu o gótico em todos os aspectos – contraste entre as técnicas já existentes e as medievais; iniciou a preocupação com a decoração interna do edifício, sempre pensando na questão do artesão. Seus projetos: Hospedaria de St. John, onde utilizou linguagem e técnicas tradicionais (pedra, madeira, aberturas condizentes com o material utilizado); reforma do Parlamento inglês – torres, pontaletes, desenho das esquadrias/programa horizontal X verticalidade do gótico.

 

Thomas Carlyle: criticou Pugin; foi um dos teóricos mais importantes para a classe operária; criticou a indústria e reforçou as idéias dos historicistas.

 



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beatriz brasil

Idelfonso Cerdá

Plano de Expansão de Barcelona

 

 

Idelfonso Cerdá (1815-1876) possuía formação em Engenharia com aprofundamento em sistema viário. Em 1854, propõe o plano para expansão da cidade de Barcelona, na Espanha onde defende a idéia de projetar ao máximo os limites da cidade. A concepção morfológica de seu plano é baseada na reforma de Paris, com avenidas largas.

 

Cerdá escreve o primeiro Tratado sobre Urbanização onde faz uma análise urbana da cidade. Neste Tratado, discorre sobre temas como a capacidade das edificações, o funcionamento viário, a circulação e a clareza do traçado.

 

Para o concurso do Plano de Barcelona, realiza estudo topográfico da área considerada para a expansão, idealiza esquema de urbanização com vegetação, leva em consideração o clima da região, dando início a esse tipo de estudo nos projetos urbanísticos. Na sua forma de pensar o urbanismo, preocupa-se em como pensar a cidade e no que pensar primeiro destacando conceitos fundamentais como: homogeneidade, coerência espacial, circulação, convívio social (enfatizando a preocupação com quem vai habitar a cidade) (diferente da reforma de Paris, onde a questão principal é a estética). Além desses aspectos, Cerdá realiza estudo de qualidade ambiental e adota traçado retilíneo.

 

O Plano para Barcelona foi colocado em prática e, essa é a primeira vez que aparece o termo ‘urbanização’.  Cerdá cria uma metodologia processual enfatizando aspectos relacionados à questão da coordenação dos aspectos espaciais e físicos, funcionalidade, destacando relações sociológicas, econômicas e administrativas da cidade; lembrando que vários fatores influenciam a cidade e isso define quais os que serviços deverão ser fornecidos. A partir desses aspectos, fez uma relação dos edifícios com o número de usuários (exemplo: hospital para tantas pessoas que moram perto do edifício). Esse aspecto de seu plano pode ser observado no Plano Piloto de Brasília, projetado por Lucio Costa. Nele existe a figura da Unidade de Vizinhança que configura exatamente este aspecto do Plano de Cerdá. Em relação à tipologia a ser adotada, Cerdá defende que deveria ter uma única fisionomia, com ocupação periférica do lote e o miolo sendo utilizado para jardins. Os edifícios deveriam ter sempre o mesmo gabarito de altura e chanfrados nas quinas.

 

 

A proposta multiplica a cidade em quase seis vezes. Cerdá adota traçado quadriculado, cria no centro uma grande diagonal que corta todo o tecido da cidade com uma avenida que tem quase seis vezes o tamanho do antigo núcleo. Não se preocupa em criar um centro administrativo, pois para ele, o território tem que ser homogêneo e todos os locais devem possuir o mesmo valor. Não concentra prédios públicos e administrativos, espalha por toda a cidade os edifícios destinados a essas funções, valorizando por igual os setores e bairros. “Congela” a cidade medieval e só prolonga a avenida ligando-a aos bairros novos projetados, descartando assim, qualquer tipo de demolição ou desapropriação do antigo núcleo, enfatizando a preservação do lugar.

 

 

Cria áreas de parques e permeia todo o plano por praças e parques. Cria uma grelha ortogonal definida em estruturas rígidas que se desenvolvem a partir de módulos quadrados (grelha 9×9 –com várias formas de ocupação), cria hierarquia de vias relacionando-as diretamente à tipologia habitacional, com limite de ocupação da quadrícula.

A circulação representa um meio fundamental de facilitar o contato e a relação entre pessoas e o quarteirão, produz uma ruptura formal com a ocupação periférica das quadras. A ocupação da superfície é definida a partir da habitação, que deve ocupar no máximo 2/3 da área do quarteirão, o restante do terreno deve ser ocupado apenas por jardins. Define duas formas de ocupação periférica do lote: em forma de L ou de U.

 

Ildefonso Cerdà, Plano para Barcelona, 1859. Ilha-tipo. Fonte TARRAGÓ CID, Salvador. Catálogo da exposição Cerdà

 

Entre 1876 e 1886 ocorre o desenvolvimento da expansão da cidade. A especulação imobiliária faz pressão e a quadrícula definida por Cerdá, passa a ser ocupada totalmente fugindo do plano inicial e descartando as áreas verdes internas, destinadas aos jardins.


 

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Arquitetura da Revolução

 

Chamada assim em função da época em que surgiu, período da Revolução Francesa, a Arquitetura da Revolução propôs uma nova linguagem arquitetônica. Seus principais teóricos e arquitetos foram Etienne-Louis Boullé (1728 – 1799) e Violet Ledoux (1736 – 1806).

A temática principal desta arquitetura foi baseada na racionalidade, no uso da forma pura, com adoção de figuras geométricas como o cubo, a esfera, a pirâmide e o cilindro e o uso dessas formas da maneira mais simples possível. Nos projetos, uma única forma compõe o edifício, definindo a racionalidade e buscando o simbolismo da natureza contido nas formas geométricas.

Esses arquitetos são os primeiros a utilizar as formas geométricas desta maneira, fazendo uma relação entre a arquitetura mística e a natureza. Para eles a arquitetura tem um significado diferenciado e neste pensamento, distanciam-se das concepções estabelecidas pelos arquitetos neo-clássicos da época.

Os arquitetos da Revolução são considerados arquitetos teóricos. Muitos de seus projetos ficaram apenas na prancheta, porém suas teorias baseadas na racionalidade foram bastante utilizadas no Movimento Moderno.

 

Etienne-Louis Boullé

Filho de arquiteto, cientista, historiador, historiador da arte, filósofo e com formação abrangente em outras áreas. Foi professor na Academia de Arquitetura e escreveu o livro “Ensaio sobre arte” onde discute o sentido da arquitetura e dá sua visão crítica sobre o neoclassicismo. Sua arquitetura tem as seguintes características:  monumentalidade com jogo de massas e volumes, luz e sombra, uso de plantas centralizadas, volumes regulares, superfícies lisas, poucas colunas. Os projetos teóricos de Boullé abrangeram vários usos. Igrejas, teatros, edifícios públicos, bibliotecas.

 

Memorial de Newton

 

Projeto da Igreja da Madeleine: a planta é em cruz com domo;

Projeto da Catedral Metropolitana (1781): planta com simetria bilateral, monumentalidade, trabalhando a luz como elemento do projeto;

 

Catedral Metropolitana

 

Hotel Alexandre, Paris (foi construído – 1763;

 

Violet Ledoux

Projeto do Hotel Paris (não construído):

Maison Guimard (realizado);

Postos fiscais em Paris;

Barriére do Trone (realizado), Paris;

Templo da Fonte da Vida (projeto teórico);

Casa do Guarda de Campo (projeto);

Casa do Lenhador (projeto);

Projeto para cidade industrial – Salina (foi parcialmente construído): “Salines des Chaux”, cidade operária projetada em forma de elípse,  referenciando o desenho que a terra faz em torno do sol, liga dois eixos, no centro foi projetada a fábrica, no restante da área foram dispostos os demais elementos que compõem a cidade como residências, escritórios, escolas, etc.


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Arquitetura da Escola de Chicago

 

Contexto histórico    Chicago, EUA,  1830. O núcleo urbano já existente surge após a conquista do território pelo exército americano em 1804.  A morfologia encontra-se disposta sobre uma malha quadriculada (tabuleiro de xadrez). Neste período surge o deslocamento vertical, o elevador e o sistema construtivo, adota o ferro como sistema estrutural (concreto se desenvolve paralelamente).

No início do séc. XIX (1830), o núcleo urbano foi construído sobre uma malha em tabuleiro de xadrez. Várias cidades americanas tiveram sua concepção baseada neste tipo de desenho urbano. Em 1871, um grande incêndio destrói praticamente toda a cidade de Chicago, as antigas construções em madeira são devastadas.  A cidade, que naquela época já constitui um grande centro financeiro e pólo industrial, investe na reconstrução, que ocorre entre os anos de 1880 e 1900.

Essa reformulação urbana transforma a cidade numa grande metrópole com edifícios para escritórios, grandes magazines, hotéis, adotando novas tecnologias construtivas e novos materiais nos projetos. Uma das inovações é a utilização de painéis de vidro como sistema de vedação.

 

A arquitetura que vai surgir

Na malha quase que inteira a ser construída, explode a especulação imobiliária. A idéia é ocupar o máximo do terreno e da altura. A volumetria cúbica toma conta da morfologia e a rigidez formal e volumétrica, produz edifícios com formas semelhantes que se diferenciam apenas pelos detalhes das fachadas.

Na arquitetura, o vidro e a estrutura são o foco de inovação. A fachada é o resultado da ‘ossatura’ da construção.  A arquitetura tem caráter unitário, principalmente no que diz respeito à utilização do material e adoção de uma nova linguagem e o surgimento da tipologia conhecida como arranha-céu. As várias indústrias de ferro existentes próximas à cidade favoreceram, e ampliaram nessa reconstrução. O esqueleto de aço com paredes de vidraças contínuas, e os elevadores hidráulicos ou elétricos, marcam a nova forma de projetar.

 

No pensamento do Movimento Moderno

A partir dessas tendências, sugue uma arquitetura tipo, e é o momento em que a arquitetura começa a introduzir uma linguagem nova, com utilização de novos materiais construtivos e novas tecnologias pioneiras.  A Escola de Chicago marca uma ruptura, baseando-se numa arquitetura nova, numa nova tipologia, numa arquitetura tipo, mesclada a um novo sistema estrutural onde a forma segue a função e é definida pela estrutura.

 

Arquitetos da Escola de Chicago

 

Richardson-Marshall Field

Whole sale Store (1885 – foi demolido posteriormente) – tipologia ligada ao neoclássico.

 

Le Baron Jenney

Sofreu influência da arquitetura e urbanismo de Paris. Em seu primeiro edifício para a cidade, projeta o primeiro pavimento como uma base, que se destaca do resto do edifício. Os demais pavimentos são tipo e a finalização apresenta entablamento.

Leiter Building (1879): neste projeto, faz menos referência ao clássico e utiliza linguagem mais racional. A estrutura começa a aparecer mais, o ferro é revestido por proteção contra incêndio, e a utilização do sistema pré-fabricado passa a ser mais evidenciado em função da rapidez e praticidade na construção.

 

William Le Baron Jenney – Chicago, 1879

 

William Le Baron Jenney – Ludington Building

 

Adler e Sullivan

Auditorium Building: o projeto apresenta volumetria que não faz referências à sua função.

Garanty Building: neste projeto surge o elemento ‘bay-window’ e é adotada a planta livre.

 

Adler and Sullivan – Auditorium Building, Chicago, 1887-89

 

Adler and Sullivan – Stock Exchange, Chicago, 1893-94

 

Burnham

Urbanista e arquiteto, faz o projeto urbano de reconstrução da cidade, utilizando a mesma linguagem.

 

Holabird

Projetou vários edifícios em Chicago, entre eles o Chicago Building e o Tacoma Building.

 

Holabird – Chicago Building, 1904

 


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Salvador, Bahia

Cidades coloniais, o barroco no Brasil

 

Fundada em 1549, Salvador foi erguida sobre uma colina, repetindo a tradição portuguesa de implantação de cidades. Sendo a primeira capital do Brasil, absorvia duas funções: a de porto de apoio às rotas do Oriente e a de grande centro de exportação de açúcar.

A partir dessas necessidades, surgiu uma cidade dividida em dois níveis. Acima, no alto da colina, estabeleceu-se a Cidade Alta, contando com as igrejas, os edifícios públicos e os grandes sobrados dos senhores de engenho e exportadores. Abaixo, na faixa litorânea, estendeu-se a Cidade Baixa onde se situavam os casarios mais simples.

Salvador foi escolhida como sede do governo devido à sua excelente localização geográfica e estratégica posição econômica, tornando-se principal porto de carga e descarga de mercadorias do Nordeste.

A cidade, até 1763 foi caracterizada pela concentração da fidalguia portuguesa, do alto clero e dos magistrados que administravam a Colônia. Os lucros do açúcar incentivaram a construção de uns poucos edifícios oficiais e religiosos, e luxuosas residências. Essas, em forma de sobrados geminados de três ou quatro pavimentos, começaram a ser erguidas no século XVII.

O Solar dos Sete Candeeiros e o Paço do Saldanha são exemplos deste tipo de edificação.  Igrejas foram construídas desde os primeiros anos. A de Nossa Senhora da Conceição da Praia, junto ao porto, na faixa litorânea; a da Ajuda, na Cidade Alta, que funcionou como matriz e como igreja dos jesuítas, antes da construção da Sé e da igreja do colégio dos padres da Companhia de Jesus. A Sé, edificada depois da chegada do bispo Fernandes Sardinha, foi iniciada por Tomé de Souza e assim descrita por Mem de Sá, em 1570: “Fiz a Sé dessa cidade de pedra e cal, com três naves e de boa grandura”.

Os casarios com arquitetura mais rebuscada foram constituídos de sobrados que desembocavam na praia, ou Cidade Baixa. Sete calçadas levavam até a Cidade Alta. Nesta parte da cidade foram erguidos vários edifícios nobres, conventos e igrejas bastante ricas. Existiam três praças: a Praça Nova da Piedade, onde os regimentos faziam exercícios militares, a Praça do Palácio, em torno da qual se concentrava a residência de governadores, a Casa da Moeda, a Câmara, a Cadeia, o Paço da Relação, o corpo da Guarda Principal, casas particulares e seis ruas que se comunicavam com toda a cidade. A terceira praça era a do Terreiro de Jesus, cercada pelo colégio e pela igreja dos jesuítas, a igreja da Ordem Terceira de São Domingos, a igreja da Irmandade dos Clérigos de São Pedro e várias casas ao longo das sete ruas que aí desembocavam.

Em volta desse centro da cidade encontrava-se o bairro de São Bento, planície cortada por ruas largas onde se tinham estabelecido belas residências e algumas igrejas. Também o bairro da Praia, onde se estabeleceram comerciantes e o bairro de Santo Antonio, menos importante.

Em 1790, já existia a preocupação de alguns com a forma construtiva das casas sobre os morros. Todas eram feias de tijolo, sobre pilares do mesmo material.

 

Praça do Cruzeiro, cidade alta, Salvador – Bahia – Brasil – foto beatriz brasil, 1996.

 

O pelourinho        O melhor ponto para a construção de uma “cidade fortaleza”, foi o local que hoje conhecemos como Pelourinho. Sendo a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha de quase noventa metros de altura, por quinze quilômetros de extensão, facilitou a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.

Em poucos anos foram construídos uma série de casarões e sobrados na parte superior da muralha, todas inspiradas na arquitetura barroca portuguesa. Para maior proteção, o acesso foi limitado por quatro portões.

Durante o século XVI e até o início do século XX, o Pelourinho foi o bairro da aristocracia de Salvador, senhores de engenho, políticos, grandes comerciantes, clero. Por ter sido o local de maior concentração desses poderes, é onde se encontram as mais ricas obras arquitetônicas barrocas da cidade.

 

Pelourinho, Salvador – Bahia – Brasil – foto beatriz brasil, 1996

 

Catedral Basílica       Foi construída no início do século XVII. É revestida interna e externamente de pedra e possui duas torres e abóbadas em madeira no teto. Na fachada, os nichos sobre as portas apresentam imagens de três santos jesuítas. No interior, as talhas dos altares contam a história da evolução dos estilos da arquitetura na Bahia. Está localizada no Terreiro de Jesus, Centro Histórico, Pelourinho.

 

Convento de São Francisco       O convento começou a ser construído em 1587 com a chegada dos primeiros franciscanos.  As obras da igreja iniciaram-se na metade do século XVIII. A fachada é barroca, assim como os painéis de azulejos portugueses, que reproduzem o nascimento de São Francisco. O interior é formado por talhas de madeira com os símbolos do barroco: folhas, pelicanos, flores, anjinhos. Essa talha foi moldada com ouro em pó. A nave central é cortada por outra menor, formando a cruz latina. As pinturas no teto, tem forma de estrelas, hexágonos e octógonos. Na sacristia, estão expostos dezoito painéis a óleo sobre a vida de São Francisco.  Os dois púlpitos laterais são talhados com folhas de videira, pássaros e frutos colhidos por meninos e recobertos de ouro. Está localizada no Terreiro de Jesus, Cidade Alta.

 

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco       Data de 1702. Apresenta fachada em pedra lavada e é o único exemplar no Brasil que remete ao barroco espanhol. O projeto é de Gabriel Ribeiro, considerado um dos introdutores do barroco no Brasil. No teto encontram-se pinturas criadas por Franco Velasco. Localizada no Terreiro de Jesus, Cidade Alta.

 

Igreja e Convento do Carmo       Este conjunto arquitetônico foi iniciado no século XVII e possui grande valor monumental. Compreende Igreja e Ordem Terceira. Localizados no Centro Histórico de Salvador, Cidade Alta.

 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos       Foi iniciada nos primeiros anos do século XVIII pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Pelourinho. A fachada tem frontão e duas torres. Destaca-se em seu interior painéis de azulejos e três imagens do século XVIII, de N. S. do Rosário, Santo Antonio e São Benedito. Nos fundos localiza-se um antigo cemitério de escravos. Painel do teto de autoria de José Joaquim da Rocha. Localiza-se no Centro Histórico, Pelourinho.

 

Pelourinho, Salvador – Bahia – Brasil – à direita, Igreja de N.Sra. do Rosário dos Pretos – foto beatriz brasil, 1996

 

Igreja e Convento de Santa Teresa       O conjunto é de meados do século XVII e é considerado um dos mais importantes monumentos da arquitetura religiosa do período colonial brasileiro. Localiza-se no Centro de Salvador.

 

Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia        Foi erguida em 1739 com pedras de cantaria portuguesa. O teto em perspectiva foi pintado na Segunda metade do século XVIII e é considerado por especialistas o mais belo das igrejas brasileiras. Situa-se na Cidade Baixa.

 

Igreja da Ordem Terceira de São Domingos       Sua construção foi iniciada em 1731 e concluída seis anos depois. Sua planta é típica das igrejas do início do século XVIII, com corredores laterais e tribunas sobrepostas. O teto da nave tem composição ilusionista. Localiza-se no Centro Histórico.

 

Casarios do Centro Histórico, Pelourinho

 

 Pelourinho – Salvador – Bahia – Brasil – foto beatriz brasil, 1996

 

Igreja do Senhor do Bonfim       Foi concluída em 1772. A fachada é parcialmente coberta por azulejos brancos portugueses, e considerada rococó. Uma das relíquias da Igreja é a coleção de pinturas de José Theófilo, um dos principais artistas baianos do final do século XVIII. Está situada na Cidade Baixa.

 

Igreja do Senhor do Bonfim – Salvador, Bahia, Brasil – foto beatriz brasill

 

Bibliografia utilizada:

1.       Castro, Terezinha de. História da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, CAPEMI Editora, 1982.

2.       Del Priori, Mary. O livro de ouro da história do Brasil/Mary Del Priori e Renato Venâncio. Rio de Janeiro; Ediouro, 2001.

3.       Montellato, Andrea Rodrigues Dias. História Temática: diversidade cultural e conflitos/Montellato, Cabrini, Catelli. São Paulo; Scipione, 2000.

4.       http://www.carlota.cesar.org.br

5.       http://www.itaucultural.com.br

6.       http://www.mercuri.com.br

7.       http://www.mre.gov.br

8.       http://www.portalolinda.interjornal.com.br

9.       http://www.turismoalagoas.hpg.ig.com.br

10.    fotos: beatriz Brasil

 


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Brasil colonial 

A partir do momento em que se estabelece domínio entre os povos, o conquistador procura colonizar a região impondo-se e enviando pessoas de sua própria população para o local conquistado. Na colonização do Brasil, não ocorreu de forma diferente.

Os portugueses instalaram em sua colônia na América, inicialmente, o sistema de Capitanias Hereditárias e mais tarde o de Governos-Gerais, numa tentativa de não perder as terras dominadas para os invasores estrangeiros.

Dominar significava também explorar as riquezas existentes nas terras da Colônia. Inicialmente, isso ocorreu através do escambo, principalmente do pau-brasil. A partir da Segunda metade do século XVI, começou a estruturar-se a base da sociedade colonial.

Assim, a forma encontrada para a colonização baseou-se no desenvolvimento de atividades econômicas que atraíssem habitantes da metrópole e ao mesmo tempo, proporcionassem lucro à Coroa Portuguesa.

A partir deste período a ocupação do imenso território deu-se por meio da exploração das terras em manifestações como as Entradas e Bandeiras – na busca do ouro e pedras preciosas, nas regiões da Minas e São Paulo, ou com o Ciclo do Açúcar, nas regiões do Nordeste – que gerou riquezas para Portugal e ao mesmo tempo transformou as cidades coloniais que precisavam atender às novas necessidades e, mostrar toda a sua riqueza.

Nessa época a maior parte da população ainda localizava-se na zona rural. Nas cidades realizava-se o comércio, instalava-se a administração pública. A grande propriedade rural, chamada de engenho, era o local onde os grandes senhores moravam com a família. Outro fator que contribuiu para a formação das cidades coloniais derivou da presença das ordens religiosas com missão de catequizar os habitantes. Em função de todos os aspectos acima citados, as cidades implantadas em vários pontos do território, tiveram enorme influência da arquitetura e do urbanismo português e algumas, ainda hoje, preservam o autêntico estilo barroco brasileiro.

 

O barroco no Brasil 

O estilo barroco chega ao Brasil com a colonização e pelos religiosos. Seu auge se deu no século XVIII, anos após o surgimento na Europa. No Brasil o estilo barroco abrangeu várias tendências, em especial as portuguesas, mas também: francesas, italianas e espanholas. Essa mistura foi acentuada nas oficinas, multiplicadas ao longo do século, onde os mestres portugueses uniram-se aos filhos de europeus nascidos no Brasil e seus descendentes caboclos e mulatos, realizando algumas das mais lindas obras do barroco brasileiro. O movimento atingiu seu apogeu artístico a partir de 1760, principalmente com a variação do rococó do barroco mineiro.

No transcorrer do século XVII a Igreja foi a principal patrocinadora da arte colonial. As ordens religiosas, Beneditinas, Franciscanas, Carmelitas e Jesuítas, instalaram-se no Brasil a partir de meados do século XVI e desenvolveram uma arquitetura religiosa tanto sóbria quanto monumental.

As primeiras manifestações do barroco no Brasil podem ser encontradas na arte missionária dos Sete Povos das Missões. A partir dessa arte, desenvolveu-se durante século e meio, um processo de síntese artística feito pelas mãos dos índios guaranis a partir de modelos europeus trazidos pelos padres missionários. Essas construções foram totalmente destruídas, restando apenas ruínas da missão de São Miguel, no Rio Grande do Sul.

A partir dos meados do século XVII, observam-se as primeiras manifestações do barroco no restante das cidades brasileiras, através das fachadas e frontões, mas especialmente pela decoração de algumas igrejas.

A maior parte das cidades coloniais brasileiras foi construída em locais altos e de difícil acesso. Surgiram principalmente nos morros, descendo suas ruas organicamente. O casario fazia sombra às vias estreitas e escuras, porém apresentava-se com uma enorme riqueza da expressão do barroco.

Algumas cidades ao longo de sua formação puderam contar com a demonstração da arte barroca através da arquitetura e da decoração de suas igrejas, dos casarios e traçados urbanos. Falaremos em outros textos, de cidades que apresentam essas características como: Salvador, no estado da Bahia, Penedo, no sul de Alagoas e Olinda, em Pernambuco, por se tratarem de cidades, que nos remetem a esse período da história, e que, além de apresentarem obras de alto valor artístico e arquitetônico mantêm até hoje o “clima” da época da colonização em seus núcleos históricos.

 

O traçado das cidades coloniais barrocas brasileiras       Segundo alguns historiadores, diferentemente da cultura urbanística portuguesa, no Brasil colônia foi adotado um traçado racional, porém  enfocando a funcionalidade.

Os elementos urbanos iniciais destas cidades tendem para o traçado urbano orgânico-funcional. As ruas eram estreitas, relacionando-se com pontos como a praça, a igreja, o comércio e os largos ou terreiros. Eram vias tortuosas e quase nunca com calçamento. As casas alinhavam-se em fileiras com pouca variação tipológica. As portas e as janelas seguidas criavam um sentido estético ao se colocarem sobre a topografia.

Do ponto de vista morfológico, esse princípio criou uma categoria única no urbanismo: a rua direta, isto é, a rua que “vai diretamente” de um ponto de interesse ao outro, desprezando-se o sentido geométrico em favor do funcional.

Os lotes eram dispostos de maneira a possibilitar que todos os edifícios tivessem fachada frontal. Essa característica resultou em terrenos de pouca frente e muito fundo, longos e estreitos.  As praças não eram espaços monumentais, e sim, espaços diferenciados. O caráter religioso das primeiras praças é evidente. Os adros das igrejas, os largos dos conventos e das capelas eram espaços de prestígio social e de configuração física mais monumental, mais expressiva.

  

Bibliografia utilizada:

1.       Castro, Terezinha de. História da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, CAPEMI Editora, 1982.

2.       Del Priori, Mary. O livro de ouro da história do Brasil/Mary Del Priori e Renato Venâncio. Rio de Janeiro; Ediouro, 2001.

3.       Montellato, Andrea Rodrigues Dias. História Temática: diversidade cultural e conflitos/Montellato, Cabrini, Catelli. São Paulo; Scipione, 2000.

4.       http://www.carlota.cesar.org.br

5.       http://www.itaucultural.com.br

6.       http://www.mercuri.com.br

7.       http://www.mre.gov.br

8.       http://www.portalolinda.interjornal.com.br

9.       http://www.turismoalagoas.hpg.ig.com.br

10.    fotos: beatriz Brasil e Internet