Skip navigation

Category Archives: belas paisagens & viagens


Notre Dame de Paris

 

 

video Beatriz Brasil, 2008

A Catedral gótica Notre-Dame é uma obra-prima construída num período de quase 150 anos e cujo significado religioso, arquitetônico e político excedia largamente os limites de Paris. O lançamento da primeira pedra no ano de 1163, que contou com a presença do Papa Alexandre III, teve lugar no período gótico na França. As catedrais de Saint-Denis e Chartres eram exemplo tão bons quanto próximos. Contudo, o ambicioso projeto de Paris estava ainda associado ao interesse do novo bispo em funções, Maurice de Sully, e de Luís VII: transformar a cidade no novo centro teológico e político do reino. No lado oeste da Île de la Cité, densamente povoado, foram demolidas em grande escala casas, assim como outras construções, a fim de proporcionar terreno para uma catedral de grandes dimensões. Doações do rei, clero e da nobreza, assim como um enorme esforço de mão-de-obra por parte do povo, possibilitaram a edificação da catedral que, em 1330, após algumas obras de remodelação, foi concluída.

Notre Dame de Paris, foto beatriz brasil, 2008



Musée d’Orsay na Gare d’Orsay, Paris

A Gare d’Orsay, uma das maiores estações de trem de Paris situada no centro e construída em apenas três anos, entrou em funcionamento em 1900, na mesma época da Exposição Universal. O arquiteto, Victor Laloux (1850-1937), tinha escondido a moderna construção de ferro e vidro desta gigantesca estação por detrás de uma luxuosa fachada histórica de pedra. Já os seus contemporâneos, pensavam antes num ‘Palácio de Belas Artes”, quando se aproximavam da Gare d’Orsay. A conversão da estação num museu, acordada em 1979, salvou a estação que, parada há 40 anos, estava condenada a ser demolida e, de uma forma única, seguiu  sua linguagem arquitetônica eclética. A reconstrução exigiu o dobro do tempo da inauguração com uma exposição de arte do século XIX  na sua multiplicidade. Pintura, escultura, artes decorativas, fotografia e arquitetura possibilitaram a exposição de uma época artística que reagia à revolução industrial de uma maneira altamente produtiva e interiormente dilacerada.

O salão grande com uma avenida de esculturas

No salão monumental da estação estão expostos numa ala central trabalhos plásticos da década de 50 do século XIX. Nas salas anexas ao museu, estão expostas pinturas produzidas na mesma época. No piso superior e no piso intermediário continua a exposição cronológica das obras de arte: a arte figurativa acadêmica e o impressionismo, as esculturas monumentais do Segundo Império e a obra de Rodin e Maillol estão lado a lado e ao mesmo nível. Desta forma, proporciona-se aos visitantes um olhar sobre os temas e técnicas da época de uma maneira direta e explícita. Mas torna-se, sobretudo, perceptível a inovação dos artistas modernos perante o seu pano de fundo histórico.

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Algumas obras no Musée d’Orsay

Gustave Courbet (1819-1877) – Enterro em Ornans, 1849/50

Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875) – Ugolino e os seus filhos, 1862

Thomas Couture (1815-1879) – Romanos na Idade da Decadência, 1847

Édouard Manet (1832-1883) – Almoço na Relva, 1863

Edgar Degas (1834-1917) – A Pequena Bailarina de Catorze Anos – escultura, 1880/81

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) – O Moinho de la Galette, 1876

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Claude Monet (1840-1926) – A Catedral de Rouen – Harmonia em Azul e Dourado, 1893 e Harmonia em Cinzento, 1892

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Vincent van Gogh (1853-1890) – O Quarto de Van Gogh em Arles, 1889

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Paul Cézanne (1839-1906) – A Ponte de Maincy, 1879/80

Paul Gauguin (1848-1903) – Mulheres do Taiti (na praia), 1891

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Georges Seurat (1859-1891) – O Circo, 1891

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

fonte do texto: Paris – Arte e Arquitetura. Martina Padberg. 2008, edição em portugues. www.ullmann-publishing.com.

fotos: beatriz brasil 2008.



Musée Picasso no Hôtel Salé, Marais, Paris

O Hôtel Salé é um dos palacetes mais bonitos que se conservam no Marais. Foi construído entre 1656 e 1661 para Pierre-Aubert de Fontenay, o coletor do Imposto do Sal, daí sua denominação (“palácio salgado”). O arquiteto Jean Bouiller de Bourges desenhou para o seu cliente e para a mulher, Marie Chastelain, um amplo conjunto arquitetônico com pátio de honra, um edifício principal com uma fachada monumental, confinada com edifícios anexos. Especialmente imponente é a escadaria, ornamentada por Martin Desjardins, com suntuosas esculturas. Por cima da coluna coríntia encontram-se medalhões com os bustos dos casais de monarcas mais famosos da Antiguidade Clássica. Os tondos de Atlante estão encaixilhados e os seus gestos fazem lembrar uma pintura de Michelangelo. O teto foi minuciosamente trabalhado com baixos-relevos de grinaldas, espirais, anjinhos e máscaras em estuque. Deparamo-nos por toda parte com as iniciais entrelaçadas dos primeiros proprietários, Aubert e sua mulher. O embaixador veneziano residiu a partir de 1671 no grande edifício. Depois deste, chegaram e partiram muitos proprietários; o palácio foi confiscado durante a Revolução e, em 1815, foi transformado em instituição de ensino para rapazes. Honoré de Balzac (1799-1850) fez seu último ano de escola ali e reteve as suas memórias no romance Les Petis Bourgeois. Em 1962, a cidade comprou o palácio, entretanto já bastante degradado e transformou-o no Musée Picasso, após um restauro completo (1976-1979).

Musée Picasso, Hôtel Salé, Paris – fachadas principal e posterior – fotos beatriz brasil 2008

A Coleção    A última mulher de Picasso, Jacqueline, morreu em 1986, treze anos depois do marido. Para se defenderem do imposto sucessório, os herdeiros doaram ao Estado francês cerca de 250 quadros, 160 esculturas, inúmeras folhas e cadernos com desenhos, bem como baixos-relevos e cerâmicas. A doação incluía a coleção privada de Picasso, obras de Braque, Cézanne, Matisse, e de outros, com os quais o artista mandara fazer uma exposição pública. Esta coleção pode ser vista em diferentes salas no primeiro e no segundo andares. Graças a aquisições adicionais, o Musée Picasso apresenta atualmente um mostra muito completa da obra de um dos maiores artistas do século XX. Através de uma visita organizada cronologicamente, revela-se ao visitante uma obra que abrange a fase tardia do artista, marcada por uma grande força criativa e uma evolução constante. O Hôtel Salé, de estilo barroco, condiz bem com a arte dos modernos – quanto mais não seja, pela arquitetura de interiores de Roland Simounet, cujas rampas, terraços e partes das divisões parecem uma transposição arquitetônica do Cubismo. O mobiliário de formas puristas, da autoria de Diego Giacometti, especialmente os lustres frágeis, remete para a linguagem formal, reservada e prazenteira de Picasso.

Musée Picasso, Hôtel Salé, Marais – Paris – foto beatriz brasil 2008

escadaria do Mussé Picasso – foto beatriz brasil

Obras que podem ser vistas no Musée Picasso, Hôtel Salé

Pablo Picasso (1881-1973) – Auto-retrato, 1901 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Natureza morta com cadeira empalhada, 1912 – óleo e tela encerada sobre tela, cordel

Pablo Picasso – Nu Grande com Cadeira Vermelha, 1929 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Retrato de Marie-Thérèse, 1937 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Retrato de Dora Maar, 1937 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Nadadores, 1956 – bronze, altura entre 136cm e 226cm

"Oa Nadadores", esculturas – Pablo Picasso – Mussé Picasso – Hôtel Salé, Paris – foto beatriz brasil 2008

crédito das fotos: beatriz brasil

texto reproduzido do livro: Paris – Arte e Arquitetura – Martina Padberg. Edição em portugues, 2008. Ed. Ullmann. www.ullmann-publishing.com




conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 
 

Mosteiro de Alcobaça, Portugal  

 

A abadia cisterciense de Santa Maria de Alcobaça, fundada em 1153 por D. Afonso Henriques, nasceu de uma doação do primeiro rei a Bernardo de Claraval. Começada a construir em 1178, vinte e cinco anos após a chagada dos monges brancos a Alcobaça, só em 1222-1223 começou a ser habitada. Foi uma das mais poderosas abadias da Ordem de Cister. O seu valor, internacionalmente reconhecido, reside, principalmente, na arquitetura reveladora, no rigor da sua austeridade e na pureza das formas construtivas do espírito de São Bernardo.

 

Mosteiro de Alcobaça, Portugal – foto beatriz brasil, 2008.

 

Do atual conjunto de edificações, muitas delas construídas ou remodeladas em épocas sucessivas, só uma parte é acessível ao público, mas é aquela que tem maior interesse pois remonta ao período medieval – Sala do Capítulo, Parlatório, Dormitório, Sala dos Monges e Refeitório.

Os cistercienses de Alcobaça, em tempo de D. Sancho I e de D. Afonso II, para além de trabalharem na construção da Igreja e do Dormitório, desenvolveram uma política de arroteamento e desenvolvimento das terras que lhe foram doadas. Tinham por norma de vida o coro, a oração, a penitência e o trabalho manual. Não se dedicavam aos ministérios exteriores. Era uma vida de constante comunidade no mais absoluto silêncio.

 

Mosteiro de Alcobaça, Portugal – foto beatriz brasil, 2008.

 

O rei D. Dinis mandou construir o Claustro do Silêncio ou de D. Dinis, um dos maiores que os cistercienses edificaram. Parece ser da mesma época de construção o Refeitório onde se encontra uma das mais belas peças arquitetônicas de todo o conjunto: o Púlpito do Leitor.

O primeiro piso do Claustro de D. Dinis, o Coro e a Sacristia Nova são obras encomendadas por D. Manuel I. Com o Terremoto de 1755 a sacristia ruiu, exceto a porta com motivos renascentistas e manuelinos, o relicário e o átrio, de abóbada manuelina, que lhe dá acesso. A atual sacristia, reconstruída no século XVIII, tem o teto ricamente trabalhado em estuque pintado de azul, ouro e branco.

No século XVI, o cardeal D. Afonso e depois o cardeal D. Henrique, enquanto abades comendatários, aumentaram a abadia com um claustro, o claustro do cardeal,e um palácio abacial mais tarde transformado em hospedaria. O palácio abacial foi construído sobre as ruínas da cozinha medieval, ocupando a comumente chamada ‘Ala dos Conversos’.

 

Mosteiro de Alcobaça, Portugal – foto beatriz brasil, 2008.

 

A grandeza dos coutos e a prosperidade econômica vão alterando a simplicidade dos primeiros tempos, e o abade de Alcobaça torna-se senhor absoluto dos coutos.

A vida monástica vai-se modificando, de acordo com as épocas. As grandes rendas proporcionam a realização de grandes obras e reformas. A cozinha surpreende pela altura e grande dimensão da sua chaminé, sofre alterações. Constrói-se uma das maiores livrarias do reino, renovam-se os altares ao gosto da época, chegando, pouco a pouco ao apogeu e fausto que atingiu no final do século XVIII.

D. Maria I, quando em 1786 visitou o Mosteiro pela segunda vez, inaugurou o Panteão Real para onde foram mudados os túmulos de D. Pedro, Inês de Castro, D. Urraca, D. Beatriz e de alguns infantes.

A partir dos finais do século XVI, os monges dedicaram-se ao cultivo das artes e das letras. É a época dos monges barristas, com uma obra escultória notável em pedra, madeira e barro policromado, destacando-se a Morte de São Bernardo, dos finais do século XVII. A Capela Relicário, na Sacristia Manuelina e a Capela do Desterro, no Jardim das Murtas, são outros exemplos magníficos desta notável época de produção artística.

Na Sala dos Reis, encontram-se em mísulas, colocadas a meia altura da sala, as estátuas dos reis de Portugal até D. José, obra em barro policromado dos monges barristas.

A igreja do Mosteiro de Alcobaça guarda, no braço sul do transepto, o túmulo de D. Pedro e, no braço norte, o túmulo de D. Inês, dudas obras-primas da escultura tumular do século XIV. Ricamente lavrados, os túmulos contam uma das mais belas histórias de amor.

Uma história grandiosa a dos monges cirtercienses de Alcobaça, que souberam, mesmo nos momentos menos felizes da sua longa permanência – sete séculos -, criar obras de arte.

 

Mosteiro de Alcobaça, Portugal – foto beatriz brasil, 2008.

 

A extinção das ordens religiosas em 1834, após a vitória das tropas liberais leva os monges a abandonar o Mosteiro. Parte do seu valioso acervo desaparece, parte vai para os museus. A biblioteca é desfeita, dividindo-se o seu espólio pela Biblioteca Nacional e pela Torre do Tombo.

Em 1985 a UNESCO classificou este monumento nacional como “Patrimônio Cultural da Humanidade”.

(fonte: Guia Mosteiro de Alcobaça – Instituto Português do

Patrimônio Arquitetônico (IPPAR), 2005.)

(fotos Beatriz Brasil, 2008)


 conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/

 

Vila de Óbidos – Portugal

fonte do texto: Guia de Óbidos – Editor Vitor Vieira Publicações – Lisboa – Portugal

 

  crédito das fotos: Beatriz Brasil, 2008

 

 

Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008.
mais fotos no álbum: ‘Meu olhar… Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Nazaré’ (neste espaço)

 

As origens da Vila diluem-se um pouco no passado. Supõe-se ter sido habitada desde remotas eras, com base em achados arqueológicos da estação do Outeiro da Assenta. Há historiadores que atribuem a fundação aos Turdulos e Celtas por volta do ano 308 a.C., que protegiam com fortes muralhas. O nome da Vila parece derivar das palavras latinas ‘OB-ID-OS’, em virtude de ter existido em tempos um braço de mar que chegava à Vila, sendo porém contestada tal etimologia, defendendo-se a hipótese de ter sido edificada sobre os alicerces de um ‘OPPIDUM’ luso-romano.

 Alguns troços das muralhas parecem assinalar o domínio dos romanos. A Vila sofreu a influência dos Alanos, Suevos, Visigodos e Árabes.

 Gonçalo Mendes da Maia, fronteiro-mór de D. Afonso Henriques, a 11 de janeiro de 1148, pôs termo à hegemonia Árabe ao conquistar a Vila, após aguerrida resistência. A Vila foi acarinhada pelos Reis da dinastia afonsina e D. Afonso Henriques reedificou-a e ampliou-a. D. Sancho I ao fixar residência em 1186 fortaleceu-a e povoou-a. Foi doada a D. Urraca por D. Afonso II em 7 de dezembro de 1210. D. Sancho II, por força das circunstâncias, de desavenças com o clero e a nobreza, habitou temporariamente em Óbidos, por volta de 1224, atraindo um grande número de fiéis, que junto de D. Mécia e rodeada de damas e donzelas formaram a Corte.

 D. Afonso, Conde de Bolonha, posteriormente D. Afonso III, durante outo meses assediou a Vila. Depois de coroado Rei, outorgou à Vila privilégios, mercês e o título de "sempre leal", juntando ao de "mui nobre" que já possuía. D. Dinis, concedeu a sua mulher, Rainha Santa Isabel, o senhoria da Vila por carta régia, como prenda de casamento, após ter ampliado a Vila e reedificado o Castelo, bom como outras Vilas. Desde então, ficou pertença da "Casa das Rainhas" sendo extinta em 1834.

 

 

Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008.
mais fotos no álbum: ‘Meu olhar… Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Nazaré’ (neste espaço)

   

D. Inês de Castro permaneceu recolhida no Castelo durante os últimos anos do reinado de D. Afonso IV. O Castelo foi reformado pelo último Rei da primeira dinastia. Mandou construir a Torre de Menagem, as Muralhas foram reparadas e doou a Vila a Leonor Teles, sua mulher. Em 1326, a Rainha Santa concedeu o Foral (1) à Vila. Em 1513 novo Foral foi atribuído por D. Manuel, o qual parece ter feito a última reforma do Castelo. 

D. Catarina da Áustria, mulher de D. João III, mandou construir o Aqueduto que abastecia a Vila de água. A D. João III se deve a ‘Casa do Estudante’ tendo instalado uma cátedra de matemática, posteriormente substituída por teologia.

 Em 1634, Filipe III elevou a Vila a cabeça de Condado a favor de D. Vasco de Mascarenhas. A Casa da Câmara, em que há bem poucos anos era a cadeia e onde se encontra atualmente instalado o Museu Municipal, foi mandada construir na época em que residiu na Vila, após a Restauração (2), D. João IV com D. Luiza de Gusmão.

 O Santuário do Senhor da Pedra, em parte deve a este Rei fartas rendas e mercês para a sua construção. Grande parte dos edifícios da Vila ruíram com o terremoto de 1755, bomo como as Igrejas. Os Paços da Cerca, as Igrejas de S. Tiago e de S. Pedro, a Torre Albarrã e parte das Muralhas do lado poente foram mandadas reparar pelo Conde d’Óbidos.

 Também residiram em Óbidos D. Maria I e seu marido D. Pedro II, devido a uma epidemia que afetou as Caldas da Rainha.  

   Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008.

mais fotos no álbum: ‘Meu olhar… Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Nazaré’ (neste espaço)
 

(1) Foral: Carta régia que regulava a administração de uma localidade ou conselho.

(2) Restauração: Período da guerra entre Portugal e Espanha para a restauração da independência no território continental Português no séc. XVII (1641-1668)

fonte: Guia de Óbidos – Editor Vitor Vieira Publicações – Lisboa – Portugal

  

O Castelo     Castelo de origem romana, está instalado no cimo de um penhasco. Ao longo dos tempos passou a fortificação serracena. Trata-se de um belíssimo e perfeito exemplar de uma fortaleza medieval, o qual foi sucessivamente ampliado e reparado pelos Reis da primeira dinastia. As suas defesas prolongam-se por uma extensa muralha, que resguarda e protege  a Vila.

D. João de Noronha apalaçou o interior do Castelo. D. Manuel no início do século XVI fez o último restauro bem como do seu recinto defensivo. O Castelo possui janelas e uma varanda ricamente lavradas em estilo Manuelino. Atualmente funciona em suas instalações, uma pousada.

 

 Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008.  

As muralhas   As muralhas tem um perímetro de 1565m, podendo facilmente ser percorridas. Dão acesso à Vila quatro portas e dois postigos. Vários Monarcas as restauraram. À norte é reforçada pelo Castelo e ao sul pela Torre do Facho. A porta da Vila com a Capela Oratório, revestida de azulejos do século XVIII, com notável efeito decorativo.

 

 Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008.  

  Torre do Relógio ou Albarrã    D. Sancho I mandou-a construir. Em 1842 foi instalado o maquinário do relógio da Vila e dão o seu nome, Torre do Relógio ou Albarrã (pelo fato de nela guardarem os bens da Coroa). Posteriormente, serviu de prisão. Após a batalha de Aljubarrota (1) e durante quinze meses, o político, diplomata e erudito, Pedro Lopes de Ayalla, cronista Castelhano, esteve preso nesta Torre, onde teria escrito algumas das suas melhores poesias.

  Pelourinho    Antigo monumento,onde no passado se expunham e castigavam os delinqüentes e criminosos.

  Aqueduto e chafarizes    A Rainha D. Catarina da Áustria, mulher de D. João III, custeou a construção do Aqueduto para abastecer de água os Chafarizes da Vila. Tem uma extensão de 3km, com um número significativo de robustos arcos e uma altura mais ou menos considerável. Mandou também construir o chafariz situado em frente à Igreja de Santa Maria. O chafariz do Arrebalde da Bica do Convento também era alimentado pelas águas transportadas pelo aqueduto. Junto ao Santuário do Senhor da Pedra foi construído um chafariz na época de D. João V.

 

 Vila de Óbidos, Portugal – chafariz próximo à Igreja do Senhor da Pedra – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008. 

Igreja Matriz de Santa Maria     

A Igreja Matriz de Santa Maria, é sem dúvida um templo belo e majestoso sendo o mais importante da Vila de Óbidos. Situa-se no largo da Praça defronte do Chafariz e do Pelourinho. De construção visigótica, foi edificada no século VIII. No tempo dos mouros foi transformada em mesquita e após a reconquista restituíram-na ao culto cristão.

No seu interior, as paredes são totalmente revestidas de azulejos azuis e brancos de finais do século XVII. São atribuídos a Gabriel del Barco, artista italiano segundo alguns historiadores e espanhol segundo outros. As paredes são decoradas com belíssimos quadros de dimensões consideráveis, reproduzindo cenas evangélicas de autoria do pintor obidense Baltazar Gomes Figueira.

O templo tem três naves. O teto é de madeira, decorado com pinturas tardo-renascentistas do século XVII. No altar-mór, vêem-se oito pinturas sobre madeira do séc. XVII. Atribuem-se ao pintor obidense João da Costa. No altar de Santa Catarina, situado à direita do altar-mór, vemos cinco telas de Josefa d’Óbidos, assinadas e datadas de 1661 e alusivas a Santa Catarina. Nas telas superiores temos Santa Teresa d’Ávila, S. Francisco de Assis e o Casamento Místico de Santa Catarina; nas telas centrais, Santa Catarina discutindo sobre a Destruição da Roda do Martírio. São consideradas as melhores obras da pintora.

As empenas de separação da nave central estão repletas de pinturas à óleo sobre tela, alusivas a passos da vida Mariana. Pensa-se serem de Josefa d’Óbidos ou talvez da ‘oficina’ que lhe era atribuída, ou quem ensinou a pintar, em virtude das telas serem consideradas pinturas vulgares.

O altar de Nossa Senhora das Dores, à esquerda do altar-mór, é considerada uma obra prima do renascimento coimbrão, trabalhado em pedra de Ançã. O templo sofreu ao longo dos séculos profundos restauros, daí a dificuldade em abribuir ao túmulo de D. João, existente na igreja, uma data de construção bem como sua autoria.

  

Igreja da Misericórdia    Antiga capela do Espírito Santo, atualmente denominada Igreja da Misericórdia, possui uma só nave revestida totalmente de azulejos de finais do século XVII. O Altar-mór e os colaterais invocam o Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores e ostentam retábulos em talha dourada. Na tribuna, as telas representam a Visitação e a Vinda do Espírito Santo de autoria do pintor André Reinoso. As telas ‘Cristo com a Cruz às Costas’ e ‘Cristo deposto na Cruz’ são-lhe também atribuídas.

  Santuário do Senhor da Pedra    A igreja tem uma arquitetura sem estilo definido, sendo destacada a planta hexagonal. No templo, encontra-se uma imagem do Senhor da Pedra, escultura rústica mas não menos interessante exposta na vitrine do altar-mór. O santuário possui os ‘Doze Apóstolos’, representados por oito estátuas e quatro estatuetas, atribuíadas à Vieira Portuense.

 Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008. Mais fotos no álbum: ‘Meu olhar… Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Nazaré’ (neste espaço)

  Museu Municipal    Antigo Paços do Concelho, reformado por D. João IV, e posteriormente transformado em cadeia, encontra-se o Museu, depois de profundas obras de restauro. Fazem parte de seu espólio, pintura, escultura, arte sacra e arqueologia além de armas do período da Guerra Peninsular.

Em Óbidos não faltam assuntos para os artistas. Basta vaguear pelas ruas, deixar-se levar pelo que mais o atrair e envolver-se pela mística da Vila.

Trechos de muralhas, tortuosas e estreitas ruas medievais, janelas manuelinas, recantos pitorescos, escadas rústicas, rampas íngremes, portas curiosas, fachadas sóbrias, casas mouriscas e medievais, típicas com telhados irregulares, chaminés…

  Óbidos além disso, é na minha opinião uma visão de extrema beleza estética.

A harmonia das cores, predominantemente o branco, o azul anil e o amarelo ocre, conduzem o visitante aos variados estilos arquitetônicos e diversos períodos da história de Portugal.

Os vasos de flores e treliças que conduzem as trepadeiras pelas paredes que guardam a história do lugar, são uma emoção à parte. Uma visão fascinante!

amei esta cidade  

 Vila de Óbidos, Portugal – crédito da foto: Beatriz Brasil, 2008. Mais fotos no álbum: ‘Meu olhar… Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Nazaré’ (neste espaço)


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/

 

Minha expectativa era enorme.

Passei anos programando e sonhando com esta viagem. Conhecer Paris era um sonho antigo, não por ser simplesmente Paris, ou para dizer que estive lá, mas para sentir o que eu sentia, mesmo sem nunca ter ido.

Muitas vezes, aqui mesmo, sentia o ar, o cheiro, via as cores e me sentia nas ruas.

Alguns me perguntavam: conhece Paris? e eu respondia, conheço como a palma da minha mão, mas nunca pisei por lá. Os que sabiam que eu nunca tinha ido, riam e falavam: coisas de Beatriz…

Pois bem… finalmente Paris!

Fiz um roteiro gigantesco com todos os monumentos, museus, ruas, bairros, tudo que queria ver. Preparei minuciosamente, com requinte de detalhes… fotos, endereços, mapas, mapa do metro, horários, opções de passeios, preços, etc, etc.

É claro que não consegui ir a todos os lugares que planejei, mas só de poder ver tudo aquilo ao vivo!… não dá pra explicar a emoção. Ou dá. Dá pra ver nas fotos que tirei e postei no álbum ‘Meu olhar… Paris por Beatriz’. Nas fotos, acho que transmiti algumas coisas que senti ao ver tudo aquilo.

 

Quero dividir. Como sempre, gosto de dividir experiências e principalmente, emoções.

 

Falando em café…

 

 

Paris é repleta de cafés. Os Cafés estão para Paris, assim como as cantinas estão para Roma! Mas vá com calma, um cafézinho, um ‘expresso’, custa no mínimo 4 euros… apesar do preço, na dificuldade do idioma… toma-se muito ‘expresso’!… é mais fácil de pedir!

 

Place des Vosges – Paris – foto beatriz brasil, 2008