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Monthly Archives: julho 2009


Musée d’Orsay na Gare d’Orsay, Paris

A Gare d’Orsay, uma das maiores estações de trem de Paris situada no centro e construída em apenas três anos, entrou em funcionamento em 1900, na mesma época da Exposição Universal. O arquiteto, Victor Laloux (1850-1937), tinha escondido a moderna construção de ferro e vidro desta gigantesca estação por detrás de uma luxuosa fachada histórica de pedra. Já os seus contemporâneos, pensavam antes num ‘Palácio de Belas Artes”, quando se aproximavam da Gare d’Orsay. A conversão da estação num museu, acordada em 1979, salvou a estação que, parada há 40 anos, estava condenada a ser demolida e, de uma forma única, seguiu  sua linguagem arquitetônica eclética. A reconstrução exigiu o dobro do tempo da inauguração com uma exposição de arte do século XIX  na sua multiplicidade. Pintura, escultura, artes decorativas, fotografia e arquitetura possibilitaram a exposição de uma época artística que reagia à revolução industrial de uma maneira altamente produtiva e interiormente dilacerada.

O salão grande com uma avenida de esculturas

No salão monumental da estação estão expostos numa ala central trabalhos plásticos da década de 50 do século XIX. Nas salas anexas ao museu, estão expostas pinturas produzidas na mesma época. No piso superior e no piso intermediário continua a exposição cronológica das obras de arte: a arte figurativa acadêmica e o impressionismo, as esculturas monumentais do Segundo Império e a obra de Rodin e Maillol estão lado a lado e ao mesmo nível. Desta forma, proporciona-se aos visitantes um olhar sobre os temas e técnicas da época de uma maneira direta e explícita. Mas torna-se, sobretudo, perceptível a inovação dos artistas modernos perante o seu pano de fundo histórico.

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Algumas obras no Musée d’Orsay

Gustave Courbet (1819-1877) – Enterro em Ornans, 1849/50

Jean-Baptiste Carpeaux (1827-1875) – Ugolino e os seus filhos, 1862

Thomas Couture (1815-1879) – Romanos na Idade da Decadência, 1847

Édouard Manet (1832-1883) – Almoço na Relva, 1863

Edgar Degas (1834-1917) – A Pequena Bailarina de Catorze Anos – escultura, 1880/81

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) – O Moinho de la Galette, 1876

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Claude Monet (1840-1926) – A Catedral de Rouen – Harmonia em Azul e Dourado, 1893 e Harmonia em Cinzento, 1892

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Vincent van Gogh (1853-1890) – O Quarto de Van Gogh em Arles, 1889

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Paul Cézanne (1839-1906) – A Ponte de Maincy, 1879/80

Paul Gauguin (1848-1903) – Mulheres do Taiti (na praia), 1891

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

Georges Seurat (1859-1891) – O Circo, 1891

Musée d’Orsay, Paris – foto beatriz brasil 2008

fonte do texto: Paris – Arte e Arquitetura. Martina Padberg. 2008, edição em portugues. www.ullmann-publishing.com.

fotos: beatriz brasil 2008.



Musée Picasso no Hôtel Salé, Marais, Paris

O Hôtel Salé é um dos palacetes mais bonitos que se conservam no Marais. Foi construído entre 1656 e 1661 para Pierre-Aubert de Fontenay, o coletor do Imposto do Sal, daí sua denominação (“palácio salgado”). O arquiteto Jean Bouiller de Bourges desenhou para o seu cliente e para a mulher, Marie Chastelain, um amplo conjunto arquitetônico com pátio de honra, um edifício principal com uma fachada monumental, confinada com edifícios anexos. Especialmente imponente é a escadaria, ornamentada por Martin Desjardins, com suntuosas esculturas. Por cima da coluna coríntia encontram-se medalhões com os bustos dos casais de monarcas mais famosos da Antiguidade Clássica. Os tondos de Atlante estão encaixilhados e os seus gestos fazem lembrar uma pintura de Michelangelo. O teto foi minuciosamente trabalhado com baixos-relevos de grinaldas, espirais, anjinhos e máscaras em estuque. Deparamo-nos por toda parte com as iniciais entrelaçadas dos primeiros proprietários, Aubert e sua mulher. O embaixador veneziano residiu a partir de 1671 no grande edifício. Depois deste, chegaram e partiram muitos proprietários; o palácio foi confiscado durante a Revolução e, em 1815, foi transformado em instituição de ensino para rapazes. Honoré de Balzac (1799-1850) fez seu último ano de escola ali e reteve as suas memórias no romance Les Petis Bourgeois. Em 1962, a cidade comprou o palácio, entretanto já bastante degradado e transformou-o no Musée Picasso, após um restauro completo (1976-1979).

Musée Picasso, Hôtel Salé, Paris – fachadas principal e posterior – fotos beatriz brasil 2008

A Coleção    A última mulher de Picasso, Jacqueline, morreu em 1986, treze anos depois do marido. Para se defenderem do imposto sucessório, os herdeiros doaram ao Estado francês cerca de 250 quadros, 160 esculturas, inúmeras folhas e cadernos com desenhos, bem como baixos-relevos e cerâmicas. A doação incluía a coleção privada de Picasso, obras de Braque, Cézanne, Matisse, e de outros, com os quais o artista mandara fazer uma exposição pública. Esta coleção pode ser vista em diferentes salas no primeiro e no segundo andares. Graças a aquisições adicionais, o Musée Picasso apresenta atualmente um mostra muito completa da obra de um dos maiores artistas do século XX. Através de uma visita organizada cronologicamente, revela-se ao visitante uma obra que abrange a fase tardia do artista, marcada por uma grande força criativa e uma evolução constante. O Hôtel Salé, de estilo barroco, condiz bem com a arte dos modernos – quanto mais não seja, pela arquitetura de interiores de Roland Simounet, cujas rampas, terraços e partes das divisões parecem uma transposição arquitetônica do Cubismo. O mobiliário de formas puristas, da autoria de Diego Giacometti, especialmente os lustres frágeis, remete para a linguagem formal, reservada e prazenteira de Picasso.

Musée Picasso, Hôtel Salé, Marais – Paris – foto beatriz brasil 2008

escadaria do Mussé Picasso – foto beatriz brasil

Obras que podem ser vistas no Musée Picasso, Hôtel Salé

Pablo Picasso (1881-1973) – Auto-retrato, 1901 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Natureza morta com cadeira empalhada, 1912 – óleo e tela encerada sobre tela, cordel

Pablo Picasso – Nu Grande com Cadeira Vermelha, 1929 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Retrato de Marie-Thérèse, 1937 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Retrato de Dora Maar, 1937 – óleo sobre tela

Pablo Picasso – Nadadores, 1956 – bronze, altura entre 136cm e 226cm

"Oa Nadadores", esculturas – Pablo Picasso – Mussé Picasso – Hôtel Salé, Paris – foto beatriz brasil 2008

crédito das fotos: beatriz brasil

texto reproduzido do livro: Paris – Arte e Arquitetura – Martina Padberg. Edição em portugues, 2008. Ed. Ullmann. www.ullmann-publishing.com




Será que é loucura? Será que estou ficando doida de pedra e de vez?

Pode ser. Poderia ser e deveria, seria mais fácil, mais compreensível agir como louca. Bancar a doidinha e fingir que é normal. Acho que só de estar escrevendo aqui, a essa hora da noite, já é uma tremenda doideira.

Quem sabe já estou lá, no auge da minha loucura inconsciente, tomando consciência da minha loucura.

Talvez já fosse louca há muito tempo. Provavelmente. Certamente.

Sempre me achei doida, mas todos me acham tão normal… séria, responsável, equilibrada, consciente, segura, forte. Sou mesmo…  procuro ser. Preciso ser assim pra controlar minha emoção. Sempre controlei. Sempre fiz a opção – razão ou emoção.

Razão. Péssima escolha. Sem sal e sem sentido, mas dando um sentido a tudo.

 

 

Nem tudo tem que ter sentido. Cansei de dar sentido a tudo.

Nem tudo precisa estar dentro dos “padrões” de normalidade.

 
 
Emoção não combina com normalidade e normalidade combina com água morna.
Preciso ser surpreendida.
Necessito.
Necessito da música no meu ouvido,
do sol na minha pele,
do beijo na minha boca,
da mão no meu cabelo.
Preciso do ar, pra sentir os cheiros.
Dos cheiros pra lembrar das horas.
Das horas pra pensar nos sonhos e dos sonhos pra viver a vida.
Preciso surpreender a vida pra que ela não fique morna como a água.
BeatrizBrasil, 2007
 
 


“Meu pescoço se enruga.
Imagino que seja
de mover a cabeça
para observar a vida.
E se enrugam as mãos
cansadas dos seus gestos.
E as pálpebras
apertadas no sol.
Só da boca não sei
o sentido das rugas
se dos sorrisos tantos
ou de trancar os dentes
sobre caladas coisas.”

 

Marina Colassanti