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Falando de Museus

a preservação de nosso patrimônio e de nossa cultura

por beatriz brasil

 

Devido a questões culturais, ainda hoje, grande parte dos brasileiros mantém um distanciamento das enormes oportunidades em termos de conhecimento que os museus e monumentos podem oferecer.

                  A idéia de que museus são espaços elitistas ainda persiste. Talvez inconscientemente, mas aliada à nossa formação cultural e à valorização da cultura estrangeira, nossos museus continuam sendo freqüentados por uma parcela bem pequena da população. A idéia de que nos museus só serão vistos objetos “velhos” e o conceito transmitido durante séculos de que museus são espaços estagnados, incutiu no brasileiro uma idéia equivocada sobre a função e os benefícios culturais que um museu pode proporcionar a todos os segmentos da sociedade, além dos diversos projetos que pode desenvolver.

Curiosamente, grande parte dos brasileiros quando viajam para o exterior, principalmente para países da Europa, visitam museus. Neste sentido podemos pensar que isso ocorre, talvez por não existirem em nosso país museus que consigam atrair a curiosidade e interesse dessas pessoas, ou mesmo, pela nossa própria cultura que, ao longo dos séculos que sempre esteve voltada para o culto e admiração do que pertence a outras civilizações, sem conseguir ver nisso uma ligação direta com nossa história.

Concordo com o fato de que é necessário, se possível, conhecer outras culturas, outros lugares, a história de outras civilizações e os costumes destas, mesmo porque na História, todos os fatos são contínuos e tem uma ligação. Porém, geralmente não conseguimos perceber esta ligação com nossa própria história.

A falta de um maior investimento por parte do poder público e o desinteresse, de uma parte do poder privado neste tipo de instituição, também é um fator que dificulta a formação e disseminação desses espaços tão importantes para a formação cultural de uma Nação.

 

Um País que não conhece sua própria história, que não consegue valorizá-la e preservá-la, provavelmente não terá sua própria identidade e tão pouco atingirá sua maturidade.

 


Considerações sobre o tema – um breve histórico        A palavra ‘museu’ deriva, segundo o Dicionário Aurélio (Editora Nova Fronteira: Museu. Do gr. Mousefon, ‘templo das musas’, pelo lat. Museu. S. m. 1. lugar destinado não apenas ao estudo, mas também à reunião e exposição de obras de arte, de peças e coleções científicas, ou de objetos antigos, etc. 2. Fig. Reunião de coisas várias; miscelânea.)

A idéia original da instituição de um espaço que recebeu o nome de Museu provém de Pitágoras, que em seu tempo, deu início a uma ‘corporação’ com o intuito de cultuar as musas que simbolizavam o estudo e a investigação científica.

Ao mesmo tempo, Platão fundou em Atenas, Grécia, a Academia. Esta tinha como uso principal a reunião de pessoas para conversas. Este espaço introduzido na idade antiga por Platão, além de proporcionar áreas de ‘debates’, possuia ambientes de lazer como parques para passeios e uma área destinada ao diretor e aos alunos.

Contudo foi Aristóteles quem primeiramente instituiu uma área que pode ser denominada de ‘museu’. Este espaço foi chamado por ele de Liceu e sua principal função era a de passar as experiências dos sábios à investigação científica. Após a morte de Aristóteles, Teofrasto organizou no Liceu um Museiom, predecessor do Museu de Alexandria, onde podiam ser encontradas salas de aula, alojamento para professores e estudiosos. Pode-se dizer que o Museu de Alexandria foi de alguma forma, a primeira Universidade da História da Humanidade, pois além de ser uma escola, foi o primeiro instituto de investigação da história no mundo.

O conceito contemporâneo de Museu surge na Idade Média, quando passam a existir dois tipos de instituições que representam estes espaços como os conhecemos atualmente.

No Renascimento estruturaram-se as bases dos museus que conhecemos hoje. O mecenato e o acúmulo de obras de artes e raridades pela classe burguesa, proporcionou a criação de espaços físicos apenas com intuito intelectual e observatório, que durante muito tempo só puderam ser vislumbrados pelas elites.

A partir de meados do século XVIII o termo “museu” passa a designar um espaço de preservação científica do conhecimento. Em 1753 foi fundado o British Museum, com a intenção de atender aos estudiosos dos mais diversos campos de conhecimento.

Na França, o museu passou a ser visto como uma instituição cultural socialmente reconhecida, porém com caráter elitista. Após a Revolução Francesa, a instituição passou a representar a possibilidade de universalização do conhecimento. Foram criadas diversas instituições pelo Estado, como o Museu Nacional, dedicado às artes figurativas, o Museu de História Natural, o Museu de Monumentos Franceses e o Museu de Artes e Ofícios, voltado para a técnica. Tal iniciativa fez com que a prática se espalhasse por toda a Europa e grande parte do mundo ocidental.

Nos Estados Unidos da América o museu surgiu com fortes laços com a iniciativa privada, o que facilitou a democratização do espaço e consequentemente, maior disseminação do conhecimento. Seu caráter mais ‘aberto’, proporcionou uma relação mais dinâmica entre a arte, o mercado, a indústria cultural, a universidade e o museu, enquanto que na Europa as instituições basearam-se no “acúmulo e classificação de ‘coisas mortas’”, modelo copiado no Brasil. (1)

   

“A idéia de museu foi chave na definição dos conceitos de cultura e arte na sociedade ocidental. Seu nascimento e evolução esteve relacionado com o colecionismo público e privado e com a definição dos Estados modernos. Cumpre lembrar o lugar central em que a Revolução Francesa     situou o museu público e o papel fundamental por ele desempenhado na Europa ao longo do século XIX, à medida em que se iam delineando as suas ideologias nacionais. A partir da ilustração, na segunda metade do século XVIII, ao mesmo tempo em que surgiam as disciplinas da arqueologia e da estética e se iniciava a cultura técnica da restauração dos monumentos, a cultura européia foi se definindo sempre em contato com a evolução do fenômeno dos museus, que foram, ademais, lugares privilegiados para a formulação das teorias estéticas.

No início do século XX, tal como sucedeu em todas as artes, a ruptura promovida pelas vanguardas teve reflexo no âmbito do museu, como instituição e como espaço do colecionismo em que se apresentava a arte moderna. No Manifesto Futurista de 1909, Filippo Marinetti chamava os museus e bibliotecas de “cemitérios” e exigia que fossem destruídos; Jean Cocteau qualificou o Louvre como “depósito de cadáveres”. (2)

   

 “Assim como cada disciplina questionava as suas próprias ilusões e figurações, o museu acadêmico como instituição deveria desaparecer ou transformar-se completamente. A museofobia das vanguardas foi um ponto de partida essencial. E o conflito foi tão grande que, nos primeiros anos, os arquitetos das vanguardas quase não projetaram nem construíram museus.” (3)

    

Em 1818 foi fundado no Brasil o Museu Real, hoje Museu Nacional. O modelo adotado foi o europeu, baseado na pesquisa científica e na erudição de uma pequena parcela da população. A partir da instalação da República, foram definidas as funções do museu no Brasil. No Rio de Janeiro, em 1922, foi inaugurado o Museu Histórico Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista e conduzido atualmente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Foi a partir de sua criação que se desenvolveu no Brasil o primeiro curso de Museologia. Hoje, o museu oferece exposições permanentes e temporárias e possui estrutura no sentido de preservação e restauração de seu acervo, além de oferecer cursos nesta área.

A partir da década de 40, o interesse da iniciativa privada retirou a exclusividade do Estado em relação à criação desse tipo de instituição. Na década de 50 os museus brasileiros adquiriram maior sofisticação e foram disseminados por todo o país, dedicando-se à preservação patrimonial nas mais diversas áreas.

O Museu Imperial, situado na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro e inaugurado neste período pelo presidente Getúlio Vargas, funciona no antigo Palácio de Verão do Imperador D. Pedro II. O acervo do Museu Imperial, formado pela transferência de coleções de outros órgãos culturais, além de compras e doações, reúne 7866 objetos representativos da país, com acervo de cerca de 100 mil documentos. Nele encontram-se importantes coleções iconográficas, bem como o Arquivo da Casa Imperial do Brasil, doado pelo Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança em 1948, além de uma Biblioteca, especializada em História, principalmente do Brasil no tempo Império, conta com 40 mil volumes.

 Desde a sua criação, o museu tem a finalidade de preservar e expor o patrimônio cultural do período da Monarquia Brasileira, e também de mostrar a formação histórica do Estado do Rio de Janeiro, especialmente da cidade de Petrópolis. Por intermédio de estudos e pesquisas, o Museu tem promovido cursos e seminários, exposições e outras atividades de caráter educativo e cultural. Ao longo dos anos o Museu foi se modernizando, para atender às necessidades da sociedade e do processo cultural brasileiro, acompanhando as transformações e a ampliação do conceito de museu, e da própria museologia que estão na base de seu trabalho atual. Desde 1991, o Museu Imperial conta com o apoio de uma Sociedade de Amigos criada para estimular o desenvolvimento de sua missão institucional. (4)

 

(1) Texto “considerações sobre o tema – museu” – produzido a partir de sites sobre a história do museu no mundo.

(2) Josep Maria Montaner. Museus para o Século XX, Editora Gustavo Gili, AS, Barcelona, 2003, pág. 8. Josep Maria Montaner é arquiteto e professor catedrático da Escuela de Arquitectura de Barcelona, e autor de artigos e livros sobre a arquitetura de museus.

(3) Josep Maria Montaner. Museus para o Século XX, Editora Gustavo Gili, AS, Barcelona, 2003, pág. 8.

(4) Texto “considerações sobre o tema – museu” – produzido a partir de sites sobre a história do museu no Brasil.

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