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Neoplasticismo

arquitetura

 

Este movimento de vanguarda liderado pelo holandês Piet Mondrian defendeu a total limpeza espacial na pintura, reduzindo-a a seus elementos mais puros, buscando suas características mais próprias e, expondo a necessidade de ressaltar o aspecto puro da criação. Os artistas engajados neste movimento, principalmente Mondrian e o artista e arquiteto, Theo van Doesburg, utilizaram em suas obras apenas as cores primárias, azul, vermelho e amarelo em seu estado mais saturado, juntamente com o preto (significando ausência total de luz), o branco (significando presença total de luz) e um pouco de cinza, cores não encontradas na natureza em seu estado puro. Para eles a abstração geométrica era a representação da natureza, ainda que alterada.

 

Em 1911 Mondrian visitou uma exposição cubista em Amsterdã sofrendo grande influência deste movimento. De 1917 até a década de 40, desenvolveu sua obra neoplástica. O movimento influenciou consideravelmente a arquitetura moderna, através dos trabalhos dos arquitetos J. J. P. Oud, que desenvolveu também o planejamento urbano de Roderdã na Holanda, de Robert Van’t Hoff e de Gerrit Thomas Rietveld.

 

Na casa neoplástica de Theo van Doesburg e Van Eesteren, observamos que planos formam caixas ocas, assim como no projeto de Thomas Rietveld para a casa Schröder em 1924. Neste projeto percebemos a clareza linear e plana das partes separadas que combinam com grupos de relações espaciais que se modificam.

 

Piet Mondrian foi um dos artistas mais importantes no movimento artístico difundido pela De Stijl. Fundada por Theo van Doesburg e outros artistas da época, a De Stijl foi publicada pela primeira vez em 1917, introduzindo e divulgando o movimento Neoplástico. Devido à influência dos textos da revista, que em algumas ocasiões assumiam tom de manifesto, o movimento foi confundido com o nome da revista. Entre seus principais membros estavam, além de Mondrian e Theo van Doesburg, o arquiteto Gerrit Rietveld, que desenvolveu seus projetos a partir da teoria surgida com o movimento.

 

“Porque nada é mais concreto nem mais real do que uma linha, uma cor, uma superfície… uma mulher, uma árvore, uma vaca são concretos no estado natural, mas, no contexto da pintura, são abstratos, ilusórios, vagos, especulativos – enquanto um plano é um plano, uma linha é uma linha, nem mais nem menos.”

Theo van Doesburg

  

Gerrit Rietveld      Figuras desconectadas, colocadas em forma assimétrica, firmadas por traços que marcam todo o conjunto e utilizam as cores do movimento. A forma básica é em cubo porém, percebe-se a decomposição em projeções horizontais, na forma de parapeitos, marquises e sacadas. As linhas verticais são marcadas na forma de fechamento em “pilares” que enfatizam as quinas e fechamentos de esquadrias.

 

Internamente é mantido o padrão neoplástico, seguindo rigorosamente a composição com linhas verticais e horizontais e utilização das cores primárias, tanto na arquitetura quanto na decoração.

 

 

Gerrit Rietveld – Schroder House – Utreque, Holanda – 1923

 

Gerrit Rietveld – Schroder House – Utreque, Holanda – 1923

 

A planta apresenta-se bastante racional e com as mesmas características defendidas no movimento. No térreo notamos uma composição assimétrica, onde são distribuídos os cômodos a partir de um  hall de entrada. É basicamente um retângulo. No pavimento superior a distribuição é repetida porém, existem paredes deslizantes que separam os ambientes, proporcionando adaptação de uso. O mobiliário foi todo projetado por Rietveld e segue os mesmos padrões estéticos. A decomposição só é percebida externamente através de um jogo de cheios e vazios e pela composição das cores.

 

 J. J. P. Oud      Tomando impulso a partir das publicações da De Stijl, a “caixa” adotada na arquitetura, teve origem nas linhas retas e nos volumes prismátivos referenciados como símbolo da modernidade. A abordagem racionalista, a idéia de que a arquitetura contribuísse para uma nova visão social enfocando a simplicidade e a integridade, imagens que simbolizassem a industrialização, a criação de novos tipos que atendessem a novos usos e atividades e a pretensão de criar soluções universais, permitiram a abstração como forma de representação.

 

J. J. P. Oud – desenho para a fachada do Café de Unie

 

O arquiteto holandês J. J. P. Oud foi um dos primeiros autores das “caixas” arquitetônicas. Seu projeto de 1917 para casas de praia em Scheveningen é exemplar, descreve-se como um conjunto de caixas absolutamente regulares empilhadas umas sobre as outras. Sua obra como um todo, define-se como uma arquitetura de grande rigor técnico, mas pouco surpreendente.

 

Oud realizou basicamente os mesmos programas de residências no mesmo país, a Holanda, com a mesma compreensão dos processos produtivos, mas sendo uma obra de grande qualidade. No Café Unie, projetado por J. J. P. Oud, notamos a combinação e a ordem estritamente linear e retangular, com fluxo e movimento assimétricos, assim como Mondrian expunha em seus quadros. A fachada foi desenhada em 1925, contrapondo-se à arquitetura já existente no local, em área histórica da cidade, o que tornou o projeto totalmente autônomo.

 


DE STIJL      Em 1917 é fundada a revista De Stijl (O Estilo) que dará nome ao grupo de artistas que reconheceram o trabalho teórico de Mondrian, o Neoplasticismo. Neste mesmo ano começa o trabalho de simplificação formal que levará às características de suas obras em forma de tramas lineares ortogonais que se unem a retângulos de cores primárias. Em 1922, o grupo De Stijl monta uma exposição em Amsterdã. Três anos mais tarde, ocorre o rompimento entre Mondrian e Van Doesburg devido a este passar a utilizar linhas diagonais em suas obras, o que Mondrian considerou uma traição à seus princípios estéticos.

 

A racionalidade difundida pela De Stijl e também pela Bauhaus, tornou-se conhecida internacionalmente como uma opção para a arquitetura moderna. O Neoplasticismo holandês, influenciado diretamente pela revista, divulgou a arquitetura racionalista baseada na clareza e limpeza das formas.

 

A Bauhaus de Walter Gropius também baseou suas idéias no racionalismo, adotando o uso de novos materiais como o vidro, o aço e o concreto, privilegiando a linha reta e as formas simples nos projetos, eliminando toda a decoração. A Bauhaus foi uma das maiores expressões do modernismo na arquitetura além de pioneira na efetivação do design. O principal objetivo de Gropius era reunir a arquitetura, o artesanato e as artes, criando um novo estilo que refletisse sua época, enfocando funcionalidade, baixo custo, produção industrial, tanto na arquitetura quanto nos utensílios e móveis.

 

Garrit Rietveld – Cadeira Manifesto Red and Blue – Neoplasticismo

 

A cadeira “manifesto”de Gerrit Rietveld, faz parte do design desenvolvido neste período. Apresenta forte influência cubista, inovando em sua inspiração nas formas geométricas puras e nos planos em ângulos retos. Neste móvel, Rietveld demonstra a possibilidade de sintetizar a forma e a função, utilizando novos princípios estéticos.

 

Bibliografia:

1.       Diecher, Susanne. Mondrian.  Taschen. 1994.

2.       Gössel, Peter e Leuthäuser, Gabriele. Arquitectura no século XX. Taschen. 2001.

3.       Janson, H. W. Iniciação à história da arte. 2a. edição, São Paulo. Martins Fontes. 1996.

4.       Scully Jr., Vincent. Arquitetura moderna. São Paulo: Cosac & Naify Edições. 2002.

5.       http://www.3legsdog.planetaclix.pt/mondrian

6.       http://www.archinform.net/arch

7.       http://www.greatbuildings.com/buildings

8.       http://www.imageandart.com/tutoriales/biografias/mondrian

9.       http://www.vitruvius.com.br

10.    www.wikipedia.org/wiki/mondrian

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