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MOVIMENTO MODERNO origem, desenvolvimento e crise

Beatriz Brasil

 

O Movimento Moderno teve início a partir das mudanças ocorridas em função do Movimento Arts and Crafts que ocorreu principalmente na Inglaterra. Este Movimento difundido especialmente por William Morris teve como principal função a retomada das artes e ofícios feitos artesanalmente e foi totalmente contrário à industrialização.

O questionamento a este tipo de produção e o desenvolvimento da indústria principalmente na Alemanha e o término da Primeira Guerra Mundial, fizeram com que a sociedade reformulasse seus valores e os artistas fossem em busca de novas técnicas e teorias a serem experimentadas na arquitetura e todas as artes.

Neste período surgiram as primeiras vanguardas artísticas. Estes movimentos tiveram como base de pensamento a mudança no comportamento da sociedade e na forma de produzir a arte em todas as suas vertentes, passando para elas a nova forma de ver o mundo. Dentre todas as vanguardas artísticas, a que mais influenciou o Movimento Moderno, foi o Cubismo.

Iniciado através da pintura de Paul Cézanne, o Cubismo tinha como princípios básicos a geometrização das formas, a abstração, rompendo totalmente com a perspectiva e dando importância a todos os pontos da pintura, valorizando-a como um todo.

Na arquitetura estes princípios foram incorporados e rompeu-se com a ornamentação, procurando dar valor estético ao conjunto e fazendo com que todas as fachadas fossem importantes num projeto. As obras passaram a apresentar forma cúbica e o expectador teve a oportunidade de apreendê-la de uma só vez.

Peter Behrens foi um dos arquitetos que primeiro utilizou estes princípios. Em seu projeto para a Fábrica AEG, Behrens utilizou o tema industrial, dando função ao projeto e adotando as formas geométricas. Adotou fachada de vidro, iniciando uma tendência.

Walter Gropius sofreu influência direta de Peter Behrens e aliou os princípios cubistas da geometrização aos princípios de funcionalidade e racionalismo. Gropius foi contrário ao Movimento Arts and Grafts, defendendo a industrialização nas artes e na arquitetura, e o processo de ‘standartização’. Enquanto dirigiu a escola Bauhaus na Alemanha, difundiu e incentivou uma produção racional, voltada para a funcionalidade, feita industrialmente mas com qualidade.

Em seu projeto para a Bauhaus em Dessau na Alemanha, conseguiu traduzir toda a sua teoria voltada para limpeza espacial e ornamental e utilização de materiais industrializados e pré-fabricados na construção. O partido arquitetônico adotado definiu a função de cada bloco, além de utilizar a fachada totalmente de vidro, que já havia apresentado em seu projeto para a Fábrica Fagus.

Outro arquiteto de grande influência no Movimento foi Mies van Der Rohe. Através de sua obra Mies defende que “menos é mais”, ou seja, quanto menos ornamentada e complexa a obra, melhor será a sua apreensão por parte do observador e melhor sua utilização. Seus primeiros projetos voltados para estes aspectos mostram planta totalmente racional, onde os espaços são livres e definidos por móveis ou divisórias (exemplo: Casa Frasworth). Utilizou materiais produzidos industrialmente e defendeu a pré-fabricação de peças, além de adotar estrutura metálica e sistema de pilar, viga e laje como cobertura. Seu projeto para o Pavilhão de Barcelona é considerado uma das principais obras da arquitetura moderna.

Frank Lloyd Wright, arquiteto norte-americano, também pertenceu a este período atuando de forma a produzir arquitetura que utilizasse novos estudos e técnicas de construção, como a adoção de grandes balanços. Porém, tinha uma concepção estética mais historicista, utilizando formas orgânicas e materiais locais, além de uma preocupação grande em utilizar a natureza, a paisagem local e a luz natural, como parte do projeto.

Um dos principais representantes da arquitetura e do urbanismo modernos foi Le Corbusier, que por meio de seus estudos da história da arquitetura e baseado em estudos de proporções métricas, deixou grandes contribuições.

Le Corbusier introduziu no pensamento moderno seus princípios de arquitetura. Suspendeu o edifício, introduziu o pilotis, transformou a cobertura em teto-terraço – dando aproveitamento melhor a este espaço, utilizou grandes aberturas nas fachadas – colocadas no sentido horizontal proporcionando maior entrada de luz natural e, lançou na arquitetura o “passeio arquitetônico”, onde se tem a oportunidade de percorrer toda a obra e observá-la.

Estes princípios de Le Corbusier foram adotados em praticamente todas as ‘vertentes’ e áreas de produção modernistas. No urbanismo, a utilização desses elementos no projeto para Brasília, por exemplo, é bem clara. Os blocos de apartamentos sob pilotis, a escala bucólica, as grandes aberturas nas fachadas dos edifícios, a circulação, as funções pré-determinadas. Os princípios que surgiram neste período, e a idéia de produzir uma arquitetura e um urbanismo racional e funcional, geraram diversos encontros, os CIAMs que possibilitaram a elaboração da Carta de Atenas em 1933.

Apesar da visão social que os modernistas pretendiam atingir, suas teorias foram um pouco rígidas e difíceis de serem absorvidas pela sociedade com valores já estabelecidos.

O grupo que constituiu os CIAMs em seu último encontro, em 1947, dividiu-se dando origem ao grupo Ten-X, o qual tentou resgatar os princípios da vida na cidade baseados nos moldes antigos. Assim, a crise no Modernismo foi deflagrada. A partir de suas contribuições teóricas e práticas, o Movimento Moderno deu suporte ao que se seguiu na arquitetura, o Estilo Internacional.

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