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A Unidade de Vizinhança: a sociologia desenha a cidade (resumo do texto)

 

A Unidade de Vizinhança é uma idéia simples, que contrasta com a dos bairros existentes nas cidades tradicionais. Essas unidades deveriam possibilitar através de um número estabelecido de habitantes, de equipamentos e serviços lá introduzidos, as relações sociais da comunidade.

 

O americano Clarence Perry estudou nos anos 20 as relações entre os habitantes das comunidades e os equipamentos existentes nelas. A partir destes estudos identificou que, os principais equipamentos deveriam estar próximos às habitações, e que a circulação de veículos não deveria cortar os acessos aos serviços nem perturbar a vida da comunidade. Para ele, a vida social desenvolvia-se a partir da utilização dos serviços comuns, da sua estruturação e organização que atendem a determinada comunidade.

 

Clarence Stein defendia que a unidade de vizinhança além de área residencial, deveria atender à população que necessitasse de uma escola elementar. Deveria também ser delimitada por vias suficientemente largas, permitindo que o trânsito passasse pela unidade sem atravessá-la. Deveria existir também uma área com pequenos parques e locais para recreação.

 

Para Queen Carpenter e Ruth Glass, a unidade de vizinhança era um conceito sociológico. Nela os habitantes teriam o hábito de se visitar e trocar objetos ou serviços. Nela se formaria um grupo territorial em que os membros estariam em território conhecido.

 

Desde Cerdà em seu projeto para o Plano de Barcelona, observa-se a tentativa de, a partir da unidade de vizinhança, estabelecer relação entre os grupos. Para os teóricos o conceito de unidade de vizinhança interessava mais no sentido de entender os aspectos sociais (dimensões, quantitativos, etc) do que o traçado e a forma urbana decorrentes deles. Estas teorias influenciaram a organização de áreas habitacionais a partir dos anos vinte, especialmente a partir do pós-guerra que exigiu um maior debate sobre a reconstrução das cidades e, a melhor forma de suprir o déficit habitacional. Os urbanistas de todos os países experimentaram os conceitos de unidade de vizinhança e utilizaram-no de forma indiscriminada.

Na cidade moderna, a unidade de vizinhança tornou-se a principal forma de organização e de definição do desenho da área habitacional. Entre os anos 50 e 60, esta forma inseriu-se na organização urbana. Neste período surgiram também, duas correntes de utilização dos conceitos de unidade de vizinhança:

 

A corrente origem anglo-saxônica, baseada essencialmente em pesquisas do modelo sociológico de comunidade habitacional; e

 

A corrente mais ligada ao Racionalismo Europeu de Le Corbusier, concretizou-se a partir das tipologias arquitetônicas, procurando um modelo de edificação que permitisse uma unidade habitacional que se integrasse aos equipamentos.

 

No Plano da Grande Londres (1944-45) e de algumas cidades inglesas, a unidade de vizinhança apareceu como elemento base de toda a organização urbana. Este modelo estava diretamente ligado às baixas densidades e a idéia de cidade-jardim. Nela a Unidade de Vizinhança constitui-se num “bairro” habitacional separado das vias por áreas verdes e com equipamentos no interior.

 

A segunda corrente incluiu as idéias do racionalismo europeu, apresentando-se na forma das unidades habitacionais de Le Corbusier e das Superquadras de Brasília, onde foi utilizada a possibilidade de construção de edifícios em altura.

 

Os modelos de Le Corbusier inspiraram-se nos modelos utópicos dos ‘falanstérios’, tentando integrar o maior número de serviços dentro da Unidade, ou seja, cada edifício constituía uma Unidade de Vizinhança, ‘autônoma’.

 

Durante quatro décadas o modelo de Unidade de Vizinhança dominou o urbanismo, apresentando-se como modelo simplista de organizar à expansão urbana e permitindo a incorporação de unidades autônomas, colocando em segundo plano o desenho urbano e a morfologia da cidade e priorizando o funcionalismo da mesma.

 

Após alguns anos de experimentações destes conceitos, surgiram as primeiras críticas ao observar-se que a idéia de convivência em que se baseia a teoria, havia fracassado. Este fracasso resultou de dois aspectos, o primeiro de que é impossível impor a formação de grupos sociais através de um plano urbanístico. O segundo está relacionado às formas urbanas adotadas, que segundo alguns estudiosos, foram inadequadas.

 

Nos anos 70, estas críticas levaram ao abandono das idéias de Unidade de Vizinhança, porém alguns métodos decorrentes destas idéias permaneceram e são adotados em planejamento de cidades até hoje, como as relações equipamentos-população.

 

 

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