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Siena, Itália

O Campo e a Catedral, análise da forma urbana

A Cultura e o Lugar   No século XII, o Campo de agora era um espaço aberto, orientado, delimitado por ruas e desníveis. Para conter os efeitos erosivos produzidos pela chuva, foi construído ao sul, um muro de contenção. Em 1218, teve início o planejamento geral da praça (Praça do Campo); anos mais tarde, entre 1288 e 1293 o agrupamento incorporou as casas que existiam ao seu redor.

A construção da Catedral de Siena iniciou em 1216, sobre a colina situada à oeste do Campo; em 1339 foi definido que seria construída uma nova, com ampliação nas direções norte e sul da antiga, sendo incorporada uma nave. Os efeitos da peste negra fizeram com que a obra parasse e foi mantido o edifício existente, porém foi anexado outro batistério abaixo do coro e uma nova fachada foi projetada, inspirada na da Catedral de Orvieto.

Onde antes fora a Praça do Mercado, e atualmente é o Campo, iniciou-se em 1297 as obras do novo Palazzo Pubblico que possibilitaria a visão da Catedral desde a lateral sul da praça. Através de um decreto publicado em 1297, baseado nos planos previstos, definiu-se que todas as saídas que davam no Campo deveriam ordenar-se como colunas para criar um conjunto harmonioso.

A necessidade de proteger a cidade medieval manifestou-se de duas maneiras: as muralhas se valeram de um anel defensivo em torno do núcleo urbano e a Catedral tornou-se um elo de ligação com quem, em última instância, regia todos os destinos e os laços com Deus. No auge de seu esplendor, durante os séculos XII, XIII e XIV, os habitantes chamavam Siena de Cidade da Virgem. A Catedral e o Palazzo simbolizavam o poder religioso e temporal, respectivamente, da cidade.

A Catedral flutua sobre a cidade como uma imensa aeronave branca e negra. Mais abaixo, situada na ladeira está a Praça do Campo, com o arruamento, e é o espaço onde ocorrem os eventos públicos. O Campanário se projetava com valentia havia dois séculos, como forma de orgulho dos habitantes por sua cidade.

A Topografia e as Vias  A topografia e as vias de comunicação unem-se para estabelecer um laço produzido ao longo do tempo. No chão da Praça magnífica, tentaram representar simbolicamente, através da localização da Catedral, do Campo e da Praça do Mercado, uma relação entre a igreja, a vida pública e o comércio.

A topografia e as vias de acesso – Siena, Itália

O Campo   Siena está localizada num vale que possui acesso às principais vias de ligação à Florença, San Gimignano, Grosseto e Roma. No centro do vale se encontra a Praça do Campo, o sítio onde antigamente localizavam-se os vilarejos. O Campo localiza-se entre os cruzamentos das vias que cruzam Siena.

O fechamento natural devido à topografia soma-se ás construções e a sua forma arqueada coincide com a do vale. Este espaço é centrífugo olhando-se o vale e consequentemente, está-se olhando o foco central.

 

O Campo

Praça do Campo, Siena, Itália – foto beatriz brasil. 2008.

O Eixo Diagonal  A necessidade de unir a Catedral com a Praça do Campo é a causa da única interrupção que ocorre na série de edifícios que rodeiam a Praça. A descontinuidade ocorre no lado oeste, com a aparição do eixo diagonal que atravessa o Campo.

O Palácio Público  O lado sul da Praça está cercado pelo arruamento. O Palácio Público que consiste de três segmentos de traçado curvo é acomodado, na morfologia curva do Campo.

Palazzo Pubblico, Praça do Campo – Siena, Itália. Foto beatriz brasil, 2008.

   

A Torre Del Mangia, colocada no lado oriental do Palácio, é uma barreira visual do eixo diagonal que atravessa a Praça. Dos seis acessos secundários que levam à Praça, dois apontam diretamente para a Torre e três para a parte central do Palácio Público.

A Torre Del Mangia   A Torre Del Mangia é o único elemento vertical da Praça; é um elemento de grande importância que distingue-se dos demais. O relógio foi colocado em uma altura baixa, para que se relacione diretamente com a Praça.

A parte lateral sul da Praça dá a sensação originada por um ponto focal. A forma piramidal do conjunto e a simetria bilateral do agrupamento atestam a importância da vida cívica na cidade.

 

Torre del Mangia, Palazzo Pubblico, Praça do Campo – Siena, Itália. Foto beatriz brasil, 2008.

O Foco  Na fachada posterior do Palácio Público abre-se uma comunicação visual com o vale e com o mercado. O foco é o lugar onde se localizam as redes de águas pluviais e o ponto de convergência dos raios desenhados no piso da Praça. Essa convergência contribui para unificar a Praça. A Fonte Gaia, instalada no centro do eixo, não atrapalha o restante do espaço por localizar-se num nível inferior.

Se imaginarmos que a Praça do Campo é um auditório ao a livre, o Palácio Público seria um cenário arquitetônico onde são realizados eventos públicos. Ao pé da Torre existe um pórtico que fixa a posição do aspecto da Praça; o pórtico é uma barreira visual colocada na altura dos olhos, que detém o eixo diagonal da praça.

A sensação de fechamento que dão as três laterais da Praça, com a presença de um quarto elemento – o arruamento, se reforça pela declividade do solo em direção a rede de águas pluviais (direção ao Palácio Público).

O corte transversal da Praça do Campo mostra que os acessos desde o norte, não revelam a princípio, a extensão do espaço, diferentemente da vista que se tem desde o acesso principal.

Durante o dia, a sombra da Torre se projeta pela Praça com a ajuda de um não menos gigantesco relógio do sol.

As Vias   A Catedral se encontra na colina que está mais abaixo do Campo; por conseqüência, a relação que trava com o restante dos elementos e com o Mercado, se deve a sua localização topográfica. As vias de comunicação entre estes três espaços, como também com os que unem o Campo a Catedral, deixam ver facilmente a cúpula e o campanário, com o conseqüente aumento da tensão.

O caminho mais direto para ir a Catedral parte do acesso principal do Campo, vindo da rua em frente a ela, subindo as escadarias que passam junto ao batistério e, cruzando abaixo do arco, desembocando na praça situada no eixo leste-oeste, ao lado da Catedral, e continuando, virando em direção à portada.

Um segundo itinerário sai da entrada principal do Campo e dá início na rua que oferece a vista marcada pela Torre del Mangia. Segue posteriormente pela rua que existe depois do Campo, vira por uma viela estreita e desce escalonadamente até o espaço formado pela ampliação inacabada da Catedral.

Uma das vias que levam à Catedral – Siena, Itália. foto beatriz brasil, 2008.

Este itinerário termina com a vista da cúpula e do campanário demarcados pelo arco. Quando se chega junto à Catedral, a rota segue pelos eixos principais e recebe impulso das áreas horizontais que permitem que se veja o exterior da Catedral.

Campanário da Catedral de Siena – Itália. Foto beatriz brasil,2008.

  A Catedral  A fachada oeste do domo consiste do esplêndido broche que fecha o caminho percorrido; como existem outros símbolos, este, a fachada cumpre um papel especial, dar acesso ao interior de um recinto sublime, a Catedral.

A fachada faz parte de um sistema-símbolo que inclui a cúpula, o campanário e a Torre del Mangia; as duas torres estão relacionadas entre si, demonstram sua interdependência.

Estes formas integram uma série de volumes e espaços conexos, com a particularidade de uma Catedral, o Campo e a Praça do Mercado estão definidos distintamente e apropriadamente por configurações expressivas. Isso ocorre em um tecido urbano denso, e o resultado é a multiplicação da potência de impacto das formas.

Neste emaranhado, os espaços foram criados com a intenção de que os edifícios ali construídos pudessem ser vistos corretamente; a composição orgânica une as forças do lugar com as necessidades práticas para formar os espaços e localizar elementos arquitetônicos que simbolizem fatos especiais da vida. A hierarquia dos símbolos, puramente evidente, é tão reconhecível que se incorpora à trama urbana.

Os edifícios proeminentes foram o símbolo que representaram os aspectos da vida que os habitantes da Siena medieval julgaram transcendentais. Com o respaldo das obras pictóricas e esculturais, a cidade é rica em forma e conteúdo, refletindo com fidelidade o estilo de vida e os centros de interesse que caracterizaram uma sociedade em um momento da história.

texto traduzido do Livro Estudo de la Forma, El Campo y la Catedral, Siena – desenhos digitalizados do texto

fotos e video beatriz brasil. 2008

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