Skip navigation


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/

Piet Mondrian

Neoplasticismo e De Stijl

 A ampliação mais radical do Cubismo pode ser encontrada na obra de um pintor holandês nove anos mais velho do que Picasso, Piet Mondrian. Ele foi para Paris em 1912, como um expressionista maduro na tradição de Van Gogh e dos fauvistas. Sob o impacto do Cubismo, suas idéias passaram por uma mudança completa, e, na década seguinte, ele desenvolveu um estilo totalmente não-objetivo denominado Neoplasticismo (o movimento como um todo também é conhecido como De Stijl, em homenagem à revista holandesa que defendia as idéias de Mondrian).

Composição em Vermelho, Azul e Amarelo mostra o estilo em seu maior rigor: ele restringe seu quadro às horizontais e verticais e as cores aos três tons primários, mais preto e branco, eliminando, dessa forma, toda possibilidade de representação. No entanto, às vezes Mondrian dá a suas obras títulos como Trafalgar Square ou Broadway Boogie-Woogie, que sugerem um certo grau de relação com a realidade observada. Ao contrário de Kandinsky, Mondrian não se empenhava em representar a emoção lírica pura; seu objetivo, declarava ele, era a “realidade pura” e a definia como o equilíbrio “através da harmonia de oposições desiguais, mas equivalentes”.

Composição em Vermelho, Azul e Amarelo, Piet Mondrian. 1930. Coleção de Armand P. Bartos, Nova York.

Fonte da imagem: http://www.monash.edu.au/lls/llonline/assets/images/writing/art-design/visual.jpg 

Talvez possamos entender melhor o que ele quis dizer se pensarmos em sua obra como uma “colagem abstrata” que usa listras pretas e retângulos coloridos, ao invés de fragmentos reconhecíveis dos materiais do cotidiano. Estava somente interessado nas relações, e não queria nenhum elemento que desviasse sua atenção ou nenhuma associação fortuita. Mas, ao estabelecer a relação “certa” entre suas faixas e retângulos, ele as transforma totalmente, como Braque transformou os recortes de papel colado em Le Courrier. Como será que ele determinou a forma e o número das listras e retângulos? Em Le Courrier, os ingredientes são, até certo ponto, “dados” pelo acaso; Mondrian, além das regras que se impôs, enfrentava constantemente o dilema de possibilidades ilimitadas. Não conseguia mudar as relações das listras com os retângulos sem transformar as próprias listras e retângulos. Quando analisamos sua tarefa, começamos a entender sua infinita complexidade. Se medirmos as várias unidades da Composição em Vermelho, Azul e Amarelo, descobriremos que somente as proporções da própria tela são verdadeiramente racionais, um quadrado exato; Mondrian chegou a todo o resto “pelo tato” e deve ter passado pelas agonias do ensaio e erro.

Por mais estranho que pareça, o delicado senso de equilíbrio não-simétrico de Mondrian é tão específico que os críticos bastante familiarizados com sua obra não encontram nenhuma dificuldade em identificar as imitações e os quadros autênticos. É muito provável que os “designers” que trabalham com formas não-figurativas, tais como arquitetos e tipógrafos, sejam sensíveis a esse aspecto, e Mondrian tem uma influência maior entre eles do que entre pintores.

(Texto reproduzido do Livro Iniciação à História da Arte, H. W. Janson e Anthony F. Janson – Martins Fontes)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: