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Tratados Renascentistas

 

A arquitetura do Renascimento divide-se em dois períodos. A primeira fase ocorreu em Florença, no século XV, e apresenta um estilo mais leve, simples. A segunda fase toma conta de Roma, já no século XVI, apresentando-se mais rica e grandiosa, é a Alta Renascença.

 

Com o desaparecimento do Gótico, surge um estilo que expõe a nova maneira do homem daquele século ver o mundo, baseado no Humanismo e nos métodos da razão. Através do estudo da antiguidade, os arquitetos Renascentistas estabelecem critérios para suas construções, voltando-se para o mundo clássico, valorizando sua natureza e seu uso. O edifício renascentista apresenta elementos decorativos que derivam do vocabulário arquitetônico do mundo antigo, e a partir desses preceitos os arquitetos do renascimento baseiam seus tratados arquitetônicos. Utilizam-se desses elementos não de forma estrutural mas, como forma de decoração, introduzindo em suas obras elementos característicos do classicismo como colunas, frontões, sempre de forma harmoniosa e padronizada.

 

Os Tratados italianos do século XVI são os de maior importância, pois traduziram a forma de viver a Renascença. Como principais teóricos da arquitetura, das artes e literatura, e um dos maiores arquitetos do Renascimento, podemos destacar Leon Battista Alberti, Filarete, Andrea Palladio, Donato Bramante, Filipo Brunelleschi e Michelangelo, dentre outros.

 

Na arquitetura, o resgate de formas gregas e romanas foi usado para criar um novo estilo, correspondendo às demandas da razão humana e substituindo as necessidades místicas predominantes até o período medieval.

 

Principais teóricos do Renascimento

 

‘Nossa Senhora com o Menino e Santos’ – Piero della Francesca 

 

Leon Battista Alberti (1404 – 1472) – É considerado o maior teórico da Renascença. Era além de arquiteto, escritor, pintor e escultor. Escreveu Tratados sobre todas as áreas em que atuou, propondo que os artistas buscassem no estudo científico, na história e na matemática, fundamentos para o seu trabalho. Escreveu o primeiro manual sistematizado de perspectiva, apresentando aos escultores normas de proporções humanas ideais. Alberti teve como objetivo principal, criar um método de concepção que permitisse a construção, não a reprodução, criando uma nova linguagem na arquitetura.

 

A arquitetura deve a ele alguns de seus conceitos fundamentais. Alberti afirmava que a beleza arquitetônica de um edifício estava no acordo lógico das partes com o todo. Através de seus estudos resolveu um problema que se tornou fundamental na arquitetura do Renascimento, consistindo em como aplicar um sistema clássico de articulação ao exterior, à fachada de uma edificação não clássica. Assim, Alberti introduziu a parede, utilizando-se de linhas clássicas como forma decorativa e não estrutural.

 

Uma das principais intenções de Alberti era a de elevar o profissional de arquitetura da época à um praticante das chamadas “artes liberais”, que segundo seu pensamento, eram aqueles “que praticam uma coisa mental”, e não das arte mecânicas, “que elaboram uma coisa material”. Assim, em 1436, elaborou o Tratado “Della Pittura”. Neste tratado Alberti procurou elevar as três belas artes à categoria de artes Liberais. “O objetivo principal de Alberti… é precisamente o de estabelecer as bases científico-naturalísticas da pintura… para os quais o conteúdo objetivamente científico da perspectiva é determinante e o que, por si só, justificava a sua maior qualificação”. Também para Brunelleschi, a representação deveria ter um caráter racional e geométrico-matemático.

 

As artes Liberais eram constituídas na Alta Idade Média pela pintura, escultura e arquitetura. A gramática, a retórica e a lógica (ou dialética) constituíam as artes Sermocinales ou Trivium e a geometria, a aritmética, a astronomia e a música, constituíam as artes Reais ou Quadrivium. Na Renascença assiste-se a uma aproximação entre estas artes, um esforço de síntese entre a ciência e a arte, entre a prática e a teoria.

 

“As artes, são aprendidas pela razão e pelo método; são dominadas pela prática”. (Leon Battista Alberti)

   

O “De Re Aedificatoria” Considerado o primeiro Tratado de arquitetura dos tempos modernos, o De Re Aedificatoria, foi publicado em 1486, por Niccolo di Lorenzo Alamani em Florença.

 

De Re Aedificatoria

   

O tratado de Leon Battista Alberti é composto por dez “capítulos” que discorrem sobre os seguintes assuntos:

 

Capítulo I – O Delineamento

Capítulo II – A Matéria

Capítulo III – A Construção

Capítulo IV – Edifícios para fins universais

Capítulo V – Edifícios para fins particulares

Capítulo VI – O Ornamento

Capítulo VII – O Ornamento de edifícios sagrados

Capítulo VIII – O Ornamento de edifícios públicos profanos

Capítulo IX – O Ornamento de edifícios privados

Capítulo X – O Restauro das obras

 

No primeiro capítulo deste Tratado, Alberti discorre sobre a teoria do desenho da arquitetura. “Entre o desenho do pintor e o do arquiteto há esta diferença (…). O desenho da arquitetura é o desenho da planta – a projeção ortogonal horizontal. A planta e a maquete são as modalidades da representação da arquitetura”. Para Alberti a produção gráfica é o reflexo das idéias geradas na mente. O desenho significa o conjunto de linhas traçadas sobre um suporte, mas também o conjunto de operações mentais que antecede o traçado da planta: uma forma mental.

 

"O arquiteto é aquele que, com o auxílio da razão e de uma regra maravilhosa e precisa, sabe dividir as coisas com o seu espírito e com a sua inteligência e sabe compor com perfeição, no decurso do trabalho de construção, todos aqueles materiais que pelo movimento das massas e a reunião e encaixe dos corpos, podem servir eficaz e dignamente as necessidades do homem”.

 (Leon Battista Alberti – tradução livre da versão italiana).

 

 

Capa da edição de Cosimo Bartolo – 1550

 

O desenho da planta e a maquete atuam como intermediação entre a idéia e a construção, entre a forma mental e a forma concreta. Alberti sempre acreditou na conexão entre a arquitetura, a música e a matemática, reconhecendo a importância da teoria das proporções e de suas relações com os intervalos musicais. Baseou-se nela também para imprimir ritmo, harmonia, métrica e composição aos seus projetos.

Referindo-se à arquitetura, Alberti defende em seu primeiro livro, a importância do desenho que para ele é o elo entre a arquitetura e a matemática. No segundo livro, lida com o conhecimento dos materiais necessários para se construir, e no terceiro com os métodos de construção. Os três livros abrangem em seu todo, os aspectos do estudo científico da arquitetura, teórico e técnico.

 

Em seu De Re Aedificatoria, Alberti delimita o campo da arquitetura à arte da edificação. Entende-se por “delineamento”, “ato de delinear; representação por traços gerais; traçado, esboço. 2. O primeiro esboço ou projeto de qualquer obra; plano geral…” (Novo Dicionário Aurélio). Alberti entende “delineamento” como “as linhas que se traçam, como as linhas que delimitam os corpos – arestas – e as linhas que delimitam a visão dos corpos – contornos. O delineamento define o que vejo…”

 

No Livro I de seu Tratado, Alberti descreve os princípios que compõem as partes da arquitetura. Inspirando-se em Vitruvio, estabelece:

 

“que cada uma dessas partes seja adequada ao uso definido a que se destina e, acima de tudo, seja total a sua sanidade; que para sua firmeza e duração, não tenha defeito, seja sólida e quase eterna; que, para ser bela e agradável, tenha elegância, harmonia e embelezamento em todos os pormenores.”

 

O termo delineamento na visão de Alberti significa a representação por meio de linhas ou traços do objeto que se constrói assim como, aos mecanismos de sua construção.

 

No Prólogo de seu tratado está presente a palavra Arkhitékton que é um termo grego composto pelo substantivo tékton, que significa carpinteiro ou construtor e pelo prefixo arkh, que significa mestre ou ordenador. Platão sugere que “o Arkhitékton não é um operário e sim um diretor de uma obra, que contribui com conhecimento teórico, e não com uma participação manual para a realização da obra”. Alberti descarta estas definições e defende a arquitetura como sendo uma atividade prática, que se baseia na junção de habilidades que necessitam de conhecimentos variados, e de uma atividade mental disciplinada e ao mesmo tempo, individual do arquiteto.

Ele afirma que “Quanto a mim, proclamarei que é arquiteto aquele que, com um método seguro e perfeito, saiba não apenas projetar em teoria, mas também realizar na prática todas as obras que, mediante a deslocação dos pesos e a reunião e conjunção dos corpos, se adaptam da forma mais bela às mais importantes necessidades do homem” (Prólogo do De Re Aedificatoria).

 

O De Re Aedificatoria é o primeiro tratado de arquitetura do Renascimento que não é ilustrado em seu texto original. Segundo alguns estudiosos, isso possivelmente deve-se ao fato de que a idéia de Alberti de mostrar a arquitetura como sendo “uma coisa mental”, seria contraditória à representação gráfica no texto, ou que poderia também sofrer modificações através das reproduções como eram feitas na época, de forma manuscrita. A falta de imagens, de desenhos no texto, impossibilitou a reprodução generalizada da obra de Alberti. Em alguns casos ele sugere que sejam colocadas regras de representação de desenhos através de letras maiúsculas “C”, “L”, combinadas de diferentes formas, como se neste caso, fosse possível representar as formas desenhadas de platibandas, coroamentos, meias canas, etc.

 

Somente em 1486, com o advento da imprensa, o Tratado de Alberti foi publicado. Em 1550, em Florença, foi feita a primeira impressão com imagens que ilustram os princípios de Alberti. Trata-se da L’architettura (De Re Aedificatoria) de Leon Battista Alberti, traduzida em língua fiorentina da Cosimo Bartoli, e publicada por Lorenzo Torrentino. Desde essa publicação, os textos ilustrados do De Re Aedificatoria aparecem, em grande parte, com os desenhos da edição de Bartoli.

 

Existem várias publicações do Tratado de Alberti. Desde sua primeira publicação, foram feitas edições em Latim, Italiano, Espanhol, Alemão, Francês, entre outras línguas, porém, não se conhece até o momento, nenhuma editada na língua Portuguesa.

 

Enfim, Alberti foi um classicista bastante consciente, estudioso da Antiguidade, mais científico na aplicação do conhecimento arqueológico que possuía. Eliminou os últimos traços góticos da arquitetura, sendo mais prudente na utilização das ordens. Tratou a arquitetura “como sendo o que traz a glória à cidade, como ela ornamenta a cidade”. Alberti “produz” uma arquitetura civil, não somente para clientes privados ou para a Igreja. Elabora planos para a cidade inteira, e cada detalhe se subordina ao projeto principal da cidade como um todo.

 

Em sua visão de plano para cidades, define regras que valorizam a construção, como o local para a implantação, que deve ser saudável, ter clima temperado, estar bem situado no que diz respeito a suprimento de água, ser de fácil defesa. Após, deve ser claramente traçado, com boas ruas principais conectadas com pontes e com as portas da cidade. As ruas devem ser largas o bastante para não haver congestionamento. De preferência que sejam projetadas de forma simétrica com casas de ambos os lados, e padronizadas, repetindo-se dos dois lados.

 

Alberti considerava também os diferentes tipos de edifícios a serem construídos na cidade e discorreu sobre eles. Os mesmos são divididos por ele, em três grupos: públicos, casas de cidadãos importantes e casas do povo. Sobre os edifícios públicos, ele escreveu detalhadamente que, deveriam constar torres, pontes, praças, palácios de justiça, igrejas e teatros, todos com o máximo de esplendor possível. As casas dos cidadãos mais importantes, também deveriam ser dignificadas, porém, sem ostentação, baseando-se na beleza do projeto e conveniência do arranjo. Nas casas dos cidadãos pobres deveriam ser observados os mesmos critérios das anteriores porém, numa escala menor, mais modesta.

 

“Os edifícios foram construídos por causa dos homens”.

Leon Battista Alberti

 

Algumas obras de Leon Battista Alberti:

 

Palácio Rucellai em Florença

Alberti introduziu pilastras e colunas nas paredes da fachada, as quais marcam o contorno das janelas que são circundadas por arcos de volta perfeita. Sobre elas, círculos e semicírculos surgem e, com ritmo e simetria a fachada é composta.

 

Palazzo Rucellai, Florença – fonte www.italiadiscovery.it…4259.php

 

Igreja de S. Francesco

O arquiteto revestiu a antiga fachada de pedra com tendências renascentistas. Nas fachadas laterais criou nichos semelhantes, formados por arcos de volta perfeita e, mais uma vez, manteve a simetria.

 

Igreja de Santa Maria Novella, Florença

Apresentou o uso das formas consideradas perfeitas pelo Clássico, na fachada principal. O círculo, o quadrado e o triângulo fecham a composição.

 

Igreja de Sant’Andrea, Mântua

Conseguiu sobrepor uma frontaria de templo em estilo clássico à tradicional fachada de igreja basilical. Para harmonizar a transformação, utilizou-se de pilastras no lugar de colunas, dando assim efeito de continuidade na superfície da parede. As pilastras são de dois tamanhos – as menores sustentam o nicho central e as maiores formam a “ordem colossal” abrangendo três andares do edifício. Neste projeto, Alberti foge a forma ideal definida em seus tratados. Explica que a planta deveria ser circular ou de uma forma derivada do círculo como o hexágono ou o quadrado, pois esta é a única forma perfeita.

O arquiteto acreditava que uma igreja tinha que ser uma corporificação divina da “proporção divina”, e segundo ele, somente a forma de planta central possibilitaria isso. No final do século, após seu Tratado ficar famoso, esse tipo de planta passou a ter aceitação.

 

Leon Battista Alberti – Mantua Itália – S. Andrea – 1470-1476 – fonte www.greatbuildings.com – foto Howard Davis

  

 

Antonio di Pietro Averlino, o FilareteEra além de escultor e escritor, arquiteto. De 1461 a 1464 escreveu seu “Trattato di Architettura”, no qual incluiu uma visão do que seria a primeira cidade planejada de épocas modernas. Sua idéia apresentava uma cidade com esquema simétrico, porém utópica.

 

Em seu Trattato di Architettura, Filarete descreveu a construção de uma cidade imaginária, “Sforzinda”, discorrendo sobre o ritual e a pompa de sua fundação, cujo momento seria escolhido de acordo com a observação astrológica. Porém, Filarete apresenta mais racionalidade em suas idéias do que alguns de seus antecessores.

 

Manuscrito do Trattato di Architettura, Filarete – Mercado – corte perspectivo

 

Filarete pode ser visto como um filósofo. Com suas idéias utópicas convenceu Francesco Sforza, Duque de Milão, a construir sua cidade. A localização da mesma deveria ser privilegiada pela proximidade com o mar, além de possuir uma catedral construída sobre um alto monte.

 

Suas idéias sobre planejamento urbano, as quais tiveram influência de Alberti, são bastante antimedievais, dando grande ênfase a regularidade da disposição e a importância de se ter grandes praças nos espaços urbanos. O Tratado de Filarete se encerra com três livros sobre desenho, onde o arquiteto, apenas repete os ensinamentos e idéias matemáticas e técnicas de autores anteriores.

 

Andrea Palladio (1508 – 1580) – Escreveu quatro livros que se tornaram referência para o meio arquitetônico intitulados “Quatro Livros de Arquitetura”. Em sua obra foram estudados temas como a ligação direta que existe entre a cidade e a edificação.

 

Em seu primeiro livro foram abordados temas voltados para a arquitetura Renascentista, trabalhada a partir das cinco ordens clássicas: a Toscana, a Dórica, a Jônica, a Coríntia e a Compósita. No seu segundo livro, Palladio enfocou as habitações de grandes dimensões. A partir do terceiro livro, o arquiteto voltou-se para a cidade fazendo referência à projetos de praças, pontes, ruas e basílicas, no caso dessa última vista como edificação destinada à justiça, e não como religiosa. Mais tarde escreve seu quarto livro sobre templos romanos.

 

As cinco ordem descritas por Palladio

 

Especialmente em seu terceiro livro, Palladio coloca a cidade como local onde a arquitetura do edifício se materializa. Assim, constituiu-se o estilo Palladiano, no qual o arquiteto também ficou conhecido pela construção de residências. Palladio direcionou toda a sua teoria para os modelos da antiguidade, afirmando que esses eram a única norma adequada para a apreciação de suas obras.

 

Em suas primeiras construções de Villas, como a Villa Godi, o arquiteto não só manteve o estilo de “villa” de duas torres, como também manteve o ritmo de superfícies nas fachadas, e recorre aos modelos da sua geração de mestres. A estrutura plástica da parede ficou relegada para segundo plano, em relação à superfície dominante. Mais tarde, Palladio inverteu a relação entre as partes laterais e o centro do edifício, que foi evidenciado por um frontão. Desta forma, já não são os corpos avançados laterais que ressaltavam, e sim seu eixo central. A parte centro do edifício abriu-se sob a forma do chamado motivo da serliana ou em três arcadas simétricas. Desta forma lançou-se a tendência de acentuar o volume e a centralização.

 

Em 1552, na construção da Villa Pisani e mais tarde na da Villa Cornaro, Palladio utilizou um pórtico de dois pisos para destacar a parte central do edifício. Em 1554 utilizou como motivo predominante uma colunata colossal, encimada por um frontão na Villa Chiericati. Na Villa Rotonda incorporou elementos grego-romanos, como pórticos, colunas jônicas, domo plano, aposentos dispostos simetricamente em torno de uma rotunda central.

 

 

Vasari Por volta de 1531, com a autocracia dos Medici, Florença torna-se o berço da “arte de Corte”. Nessa fase a arte e a arquitetura ainda são consideradas renascentistas, pois são mantidos os elementos classicistas, adaptados. A arquitetura e as artes tornam-se elegantes e engenhosas. A glorificação dos Medici é retratada pelos artistas.

 

Das obras de Vasari, além do Tratado na área da arquitetura intitulado “Cittá Ideale del Cavalero”, podemos citar sua obra “Vidas”, onde mostra o que pensava sobre as artes. As Vidas foram publicadas pela primeira vez em 1550 sob o título “Le vite de’ più eccellenti architetti, pittori et scultori italiani”, e tiveram sua reedição aumentada em 1568.

 

Nestes escritos existem dois prefácios, o primeiro cita os argumentos a respeito da superioridade da pintura sobre a escultura, na visão de Vasari. Há também três introduções dedicadas à pintura, escultura e à arquitetura respectivamente, repletas de detalhes técnicos.

 

Há passagens nas Vidas que lembram teorias de Alberti. Referindo-se aos artistas do Quattrocento, Vasari afirma: “Em matéria de proporção, faltava uma certa correção de juízo, por meio do qual suas figuras, sem terem sido medidas, poderiam possuir, na devida relação com suas dimensões, uma graça que excede a mensuração”. “Mas nenhum padrão melhor pode ser aplicado do que o juízo do olho, pois mesmo que algo seja perfeitamente medido, se o olho continuar a se sentir ofendido não cessará de censurá-lo.”.

 

O principal enfoque da teoria de Vasari é o surgimento da nova qualidade da graça, “la grazia”. Para ele a palavra indica uma nova função, distinguindo beleza e se opondo à ela. A beleza torna-se uma qualidade racional que depende de regras, sendo que a graça é uma qualidade indefinível que depende do juízo, do olho.

 

Leonardo da Vinci Foi o único grande artista do Renascimento italiano que deixou escrito uma boa quantidade de material voltado para a arte. Parece que ele pretendia escrever um tratado sobre pintura, porém, pouco desse material sobreviveu ao tempo. Os manuscritos conhecidos datam do período entre 1489 e 1518, e a maior parte foi publicada.

 

Nascido em Florença, teve influência dos neoplatônicos, porém seguiu o caminho do ateliê, sob intermédio de pintores como Verrochio, seu professor. Foi um estudioso da ciência e, percorreu cientificamente áreas como a anatomia, a zoologia, a geologia e a botânica.

 

Para Leonardo, a pintura era uma ciência devido ao seu fundamento na perspectiva matemática e no estudo da natureza. Em sua teoria afirmou que “a pintura difere das outras ciências pois, implica na produção de uma obra de arte material”. Em seus escritos aconselha o artista a ouvir a opinião de outras pessoas sobre seus trabalhos:

 

“Estai, pois, preparado para ouvir com paciência as opiniões dos outros: e considerai bem e pensai cuidadosamente se aquele que critica a vossa obra tem ou não motivo para fazê-lo. Se achardes que tem, corrigi-a; se não, fazei de conta que não o entendestes; ou, caso seja um homem de mérito, fazei-o entender pelo raciocínio que está errado.”

 

  Além de exemplar pintor, Leonardo atuou na arquitetura, em projetos de engenharia, produziu desenhos arquitetônicos e inventos mecânicos. Em 1482, ofereceu seus serviços ao Conde de Sforza e seguiu para Milão, deixando em Florença duas obras inacabadas de pintura, ‘Adoração dos Magos’ e ‘São Jerônimo’. Ficou em Milão até 1499 para projetar a Catedral da cidade, mas acabou esboçando e construindo a rede de canais e um vasto sistema de irrigação e abastecimento de água. Além disso, planejou a organizou a defesa de Milão, pondo em prática sua inventiva construção de máquinas de guerra.

 

Como urbanista, fez um projeto completo para Milão, eliminando muros, alinhando ruas, prevendo esgotos, vias de dois pavimentos em que pedestres andariam por cima e veículos, por baixo, com casas amplas e ventiladas e enormes praças e jardins públicos.

 

A partir de seus Tratados, os arquitetos e urbanistas do Renascimento, assim como todos os artistas do período, deixaram registrados os conceitos de uma época, proporcionando aos que vieram depois, e até aos do nosso tempo, a oportunidade de conhecer e vivenciar o que foi um período da história rico em estudos e experimentações.

 

Na área da arquitetura e das artes, podemos contar com suas teorias e, através delas identificar a sua atualidade, usando-as como base para nossos projetos. O vasto material deixado através dos Tratados Renascentistas são atuais, assim como nossos dias.  

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