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Gregori Warchavchik

 

Nasceu em Odesa (Ucrânia) em 1896. Morreu em São Paulo – 1971. Formou-se pela Universidade da Ucrânia – 1918 e cursou o Instituto Superior de Belas-Artes de Roma. Veio para o Brasil em 1923. Publicou seu primeiro artigo sobre a casa modernista em 1925, onde descrevia a casa como um “bem de consumo”. Em 1927, construiu na Rua Santa Cruz, na Vila Mariana em São Paulo, a primeira residência modernista do Brasil e da América Latina,que surgiu como uma revolução no panorama arquitetônico paulistano. Em 1931 foi convidado por Lucio Costa para lecionar na Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro.

Seu escritório de arquitetura abrigou muitos jovens arquitetos de talento como Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer, Charles Bosworth e Henrique Cristofani, o “Verona”, autor do notável projeto da casa das pedras, ao lado do Edifício Sobre as Ondas, no Guarujá.

 

Casa Warchavchik

 

Casa Warchavchik, São Paulo – 1927.

 

Para a construção desta casa, Gregori Warchavchik teve que superar grandes obstáculos. O primeiro foi com relação à obtenção do alvará de construção do projeto, que apresentava uma fachada rigorosamente plana, sem nenhum ornamento. Na época, existia um serviço de censura de fachadas que não tolerava as fachadas livres de ornamentações, características dos projetos de Warchavchik. Para obter o alvará, o arquiteto apresentou um projeto onde os volumes foram preservados, porém camuflados por acréscimos fictícios de enquadramentos das janelas, portas, cornijas e balcões. Depois da aprovação do projeto, foram mantidas as características originais do projeto, com a fachada limpa.

Croqui apresentado para aprovação do projeto.

 

Warchavchik evidenciou na planta da casa suas preocupações formais. A fachada principal apresentava justaposição de volumes simples, onde só foram empregadas linhas e ângulos retos. A ausência de elementos decorativos constituía numa provocação aos arquitetos acadêmicos. Percebe-se nitidamente a influência do Cubismo, porém, isso não era limitado ao aspecto externo.

Podemos observar a intenção de criar espaços contínuos. A porta de vidro protegida por uma grade, não impede a visão ampla da paisagem. A janela de canto da ala direita, (pavimento térreo), que se abre para a varanda, dá transparência ao ambientes ali dispostos. Os ambientes da área de estar comunicam-se diretamente com a varanda sem criar separação visual, devido à colocação de painéis de vidro.

Outra dificuldade que o arquiteto encontrou foi com relação à disponibilidade de produtos industrializados para utilização na construção, fator que defendia em suas teorias e que poderiam prejudicar a concepção estética da obra. Para superar este problema, Warchavchik desenhou e mandou produzir as esquadrias e os caixilhos metálicos das janelas, as grades, as luminárias e todos os acessórios, incluindo mobiliário, na intenção de manter a linguagem de sua arquitetura.

 

 

Contudo foi difícil manter suas teorias expostas no manifesto sobre a casa modernista. A casa da Vila Mariana nos dá um exemplo da habilidade com que foram resolvidas situações, levando-se em consideração as imposições dos materiais disponíveis na época e do sistema construtivo existente. A casa possui geometria própria para racionalização da construção, mas foi toda construída de forma e com materiais tradicionais. Não foi empregado o concreto armado nem componentes pré-fabricados. 

O jardim é o outro aspecto importante dessa obra. A sua concepção teria surgido em consonância com o projeto da casa, o que lhe daria a condição de ser o primeiro jardim moderno no Brasil. A escolha predominante de cactácias e espécies pouco usuais nos jardins convencionais, supostamente características do ambiente tropical, acabou por conferir um caráter particular ao paisagismo moderno e brasileiro. O jardim foi projetado por Mina Klabin, esposa do arquiteto.

 

A obra foi revista pelo próprio arquiteto, em 1934. As alterações realizadas, não trouxeram ganhos significativos. Houve apenas a ampliação da sala de estar, que avançou sobre a varanda e, no pavimento superior, a reorganização do quarto principal, ampliado sobre o terraço existente, a construção de um novo banheiro e, ainda, a substituição do telhado da varanda por uma laje, proporcionando a criação de um terraço à volta dos quartos. As demais alterações não acrescentam novas dependências, apenas alteram elementos construtivos e introduziram novos detalhes arquitetônicos, como a marquise lateral. 

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