Skip navigation

Monthly Archives: abril 2009


blog brasíliaemescalas
Brasília Revisitada

 http://brasiliaemescalas.spaces.live.com/blog/cns!BB0819DD96542603!415.entry

  


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

 

Salvador, Bahia

Cidades coloniais, o barroco no Brasil

 

Fundada em 1549, Salvador foi erguida sobre uma colina, repetindo a tradição portuguesa de implantação de cidades. Sendo a primeira capital do Brasil, absorvia duas funções: a de porto de apoio às rotas do Oriente e a de grande centro de exportação de açúcar.

A partir dessas necessidades, surgiu uma cidade dividida em dois níveis. Acima, no alto da colina, estabeleceu-se a Cidade Alta, contando com as igrejas, os edifícios públicos e os grandes sobrados dos senhores de engenho e exportadores. Abaixo, na faixa litorânea, estendeu-se a Cidade Baixa onde se situavam os casarios mais simples.

Salvador foi escolhida como sede do governo devido à sua excelente localização geográfica e estratégica posição econômica, tornando-se principal porto de carga e descarga de mercadorias do Nordeste.

A cidade, até 1763 foi caracterizada pela concentração da fidalguia portuguesa, do alto clero e dos magistrados que administravam a Colônia. Os lucros do açúcar incentivaram a construção de uns poucos edifícios oficiais e religiosos, e luxuosas residências. Essas, em forma de sobrados geminados de três ou quatro pavimentos, começaram a ser erguidas no século XVII.

O Solar dos Sete Candeeiros e o Paço do Saldanha são exemplos deste tipo de edificação.  Igrejas foram construídas desde os primeiros anos. A de Nossa Senhora da Conceição da Praia, junto ao porto, na faixa litorânea; a da Ajuda, na Cidade Alta, que funcionou como matriz e como igreja dos jesuítas, antes da construção da Sé e da igreja do colégio dos padres da Companhia de Jesus. A Sé, edificada depois da chegada do bispo Fernandes Sardinha, foi iniciada por Tomé de Souza e assim descrita por Mem de Sá, em 1570: “Fiz a Sé dessa cidade de pedra e cal, com três naves e de boa grandura”.

Os casarios com arquitetura mais rebuscada foram constituídos de sobrados que desembocavam na praia, ou Cidade Baixa. Sete calçadas levavam até a Cidade Alta. Nesta parte da cidade foram erguidos vários edifícios nobres, conventos e igrejas bastante ricas. Existiam três praças: a Praça Nova da Piedade, onde os regimentos faziam exercícios militares, a Praça do Palácio, em torno da qual se concentrava a residência de governadores, a Casa da Moeda, a Câmara, a Cadeia, o Paço da Relação, o corpo da Guarda Principal, casas particulares e seis ruas que se comunicavam com toda a cidade. A terceira praça era a do Terreiro de Jesus, cercada pelo colégio e pela igreja dos jesuítas, a igreja da Ordem Terceira de São Domingos, a igreja da Irmandade dos Clérigos de São Pedro e várias casas ao longo das sete ruas que aí desembocavam.

Em volta desse centro da cidade encontrava-se o bairro de São Bento, planície cortada por ruas largas onde se tinham estabelecido belas residências e algumas igrejas. Também o bairro da Praia, onde se estabeleceram comerciantes e o bairro de Santo Antonio, menos importante.

Em 1790, já existia a preocupação de alguns com a forma construtiva das casas sobre os morros. Todas eram feias de tijolo, sobre pilares do mesmo material.

 

Praça do Cruzeiro, cidade alta, Salvador – Bahia – Brasil – foto beatriz brasil, 1996.

 

O pelourinho        O melhor ponto para a construção de uma “cidade fortaleza”, foi o local que hoje conhecemos como Pelourinho. Sendo a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha de quase noventa metros de altura, por quinze quilômetros de extensão, facilitou a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.

Em poucos anos foram construídos uma série de casarões e sobrados na parte superior da muralha, todas inspiradas na arquitetura barroca portuguesa. Para maior proteção, o acesso foi limitado por quatro portões.

Durante o século XVI e até o início do século XX, o Pelourinho foi o bairro da aristocracia de Salvador, senhores de engenho, políticos, grandes comerciantes, clero. Por ter sido o local de maior concentração desses poderes, é onde se encontram as mais ricas obras arquitetônicas barrocas da cidade.

 

Pelourinho, Salvador – Bahia – Brasil – foto beatriz brasil, 1996

 

Catedral Basílica       Foi construída no início do século XVII. É revestida interna e externamente de pedra e possui duas torres e abóbadas em madeira no teto. Na fachada, os nichos sobre as portas apresentam imagens de três santos jesuítas. No interior, as talhas dos altares contam a história da evolução dos estilos da arquitetura na Bahia. Está localizada no Terreiro de Jesus, Centro Histórico, Pelourinho.

 

Convento de São Francisco       O convento começou a ser construído em 1587 com a chegada dos primeiros franciscanos.  As obras da igreja iniciaram-se na metade do século XVIII. A fachada é barroca, assim como os painéis de azulejos portugueses, que reproduzem o nascimento de São Francisco. O interior é formado por talhas de madeira com os símbolos do barroco: folhas, pelicanos, flores, anjinhos. Essa talha foi moldada com ouro em pó. A nave central é cortada por outra menor, formando a cruz latina. As pinturas no teto, tem forma de estrelas, hexágonos e octógonos. Na sacristia, estão expostos dezoito painéis a óleo sobre a vida de São Francisco.  Os dois púlpitos laterais são talhados com folhas de videira, pássaros e frutos colhidos por meninos e recobertos de ouro. Está localizada no Terreiro de Jesus, Cidade Alta.

 

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco       Data de 1702. Apresenta fachada em pedra lavada e é o único exemplar no Brasil que remete ao barroco espanhol. O projeto é de Gabriel Ribeiro, considerado um dos introdutores do barroco no Brasil. No teto encontram-se pinturas criadas por Franco Velasco. Localizada no Terreiro de Jesus, Cidade Alta.

 

Igreja e Convento do Carmo       Este conjunto arquitetônico foi iniciado no século XVII e possui grande valor monumental. Compreende Igreja e Ordem Terceira. Localizados no Centro Histórico de Salvador, Cidade Alta.

 

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos       Foi iniciada nos primeiros anos do século XVIII pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Pelourinho. A fachada tem frontão e duas torres. Destaca-se em seu interior painéis de azulejos e três imagens do século XVIII, de N. S. do Rosário, Santo Antonio e São Benedito. Nos fundos localiza-se um antigo cemitério de escravos. Painel do teto de autoria de José Joaquim da Rocha. Localiza-se no Centro Histórico, Pelourinho.

 

Pelourinho, Salvador – Bahia – Brasil – à direita, Igreja de N.Sra. do Rosário dos Pretos – foto beatriz brasil, 1996

 

Igreja e Convento de Santa Teresa       O conjunto é de meados do século XVII e é considerado um dos mais importantes monumentos da arquitetura religiosa do período colonial brasileiro. Localiza-se no Centro de Salvador.

 

Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia        Foi erguida em 1739 com pedras de cantaria portuguesa. O teto em perspectiva foi pintado na Segunda metade do século XVIII e é considerado por especialistas o mais belo das igrejas brasileiras. Situa-se na Cidade Baixa.

 

Igreja da Ordem Terceira de São Domingos       Sua construção foi iniciada em 1731 e concluída seis anos depois. Sua planta é típica das igrejas do início do século XVIII, com corredores laterais e tribunas sobrepostas. O teto da nave tem composição ilusionista. Localiza-se no Centro Histórico.

 

Casarios do Centro Histórico, Pelourinho

 

 Pelourinho – Salvador – Bahia – Brasil – foto beatriz brasil, 1996

 

Igreja do Senhor do Bonfim       Foi concluída em 1772. A fachada é parcialmente coberta por azulejos brancos portugueses, e considerada rococó. Uma das relíquias da Igreja é a coleção de pinturas de José Theófilo, um dos principais artistas baianos do final do século XVIII. Está situada na Cidade Baixa.

 

Igreja do Senhor do Bonfim – Salvador, Bahia, Brasil – foto beatriz brasill

 

Bibliografia utilizada:

1.       Castro, Terezinha de. História da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, CAPEMI Editora, 1982.

2.       Del Priori, Mary. O livro de ouro da história do Brasil/Mary Del Priori e Renato Venâncio. Rio de Janeiro; Ediouro, 2001.

3.       Montellato, Andrea Rodrigues Dias. História Temática: diversidade cultural e conflitos/Montellato, Cabrini, Catelli. São Paulo; Scipione, 2000.

4.       http://www.carlota.cesar.org.br

5.       http://www.itaucultural.com.br

6.       http://www.mercuri.com.br

7.       http://www.mre.gov.br

8.       http://www.portalolinda.interjornal.com.br

9.       http://www.turismoalagoas.hpg.ig.com.br

10.    fotos: beatriz Brasil

 


conteúdo da página arquitetando   http://bhpbrasil.spaces.live.com/

 

Brasil colonial 

A partir do momento em que se estabelece domínio entre os povos, o conquistador procura colonizar a região impondo-se e enviando pessoas de sua própria população para o local conquistado. Na colonização do Brasil, não ocorreu de forma diferente.

Os portugueses instalaram em sua colônia na América, inicialmente, o sistema de Capitanias Hereditárias e mais tarde o de Governos-Gerais, numa tentativa de não perder as terras dominadas para os invasores estrangeiros.

Dominar significava também explorar as riquezas existentes nas terras da Colônia. Inicialmente, isso ocorreu através do escambo, principalmente do pau-brasil. A partir da Segunda metade do século XVI, começou a estruturar-se a base da sociedade colonial.

Assim, a forma encontrada para a colonização baseou-se no desenvolvimento de atividades econômicas que atraíssem habitantes da metrópole e ao mesmo tempo, proporcionassem lucro à Coroa Portuguesa.

A partir deste período a ocupação do imenso território deu-se por meio da exploração das terras em manifestações como as Entradas e Bandeiras – na busca do ouro e pedras preciosas, nas regiões da Minas e São Paulo, ou com o Ciclo do Açúcar, nas regiões do Nordeste – que gerou riquezas para Portugal e ao mesmo tempo transformou as cidades coloniais que precisavam atender às novas necessidades e, mostrar toda a sua riqueza.

Nessa época a maior parte da população ainda localizava-se na zona rural. Nas cidades realizava-se o comércio, instalava-se a administração pública. A grande propriedade rural, chamada de engenho, era o local onde os grandes senhores moravam com a família. Outro fator que contribuiu para a formação das cidades coloniais derivou da presença das ordens religiosas com missão de catequizar os habitantes. Em função de todos os aspectos acima citados, as cidades implantadas em vários pontos do território, tiveram enorme influência da arquitetura e do urbanismo português e algumas, ainda hoje, preservam o autêntico estilo barroco brasileiro.

 

O barroco no Brasil 

O estilo barroco chega ao Brasil com a colonização e pelos religiosos. Seu auge se deu no século XVIII, anos após o surgimento na Europa. No Brasil o estilo barroco abrangeu várias tendências, em especial as portuguesas, mas também: francesas, italianas e espanholas. Essa mistura foi acentuada nas oficinas, multiplicadas ao longo do século, onde os mestres portugueses uniram-se aos filhos de europeus nascidos no Brasil e seus descendentes caboclos e mulatos, realizando algumas das mais lindas obras do barroco brasileiro. O movimento atingiu seu apogeu artístico a partir de 1760, principalmente com a variação do rococó do barroco mineiro.

No transcorrer do século XVII a Igreja foi a principal patrocinadora da arte colonial. As ordens religiosas, Beneditinas, Franciscanas, Carmelitas e Jesuítas, instalaram-se no Brasil a partir de meados do século XVI e desenvolveram uma arquitetura religiosa tanto sóbria quanto monumental.

As primeiras manifestações do barroco no Brasil podem ser encontradas na arte missionária dos Sete Povos das Missões. A partir dessa arte, desenvolveu-se durante século e meio, um processo de síntese artística feito pelas mãos dos índios guaranis a partir de modelos europeus trazidos pelos padres missionários. Essas construções foram totalmente destruídas, restando apenas ruínas da missão de São Miguel, no Rio Grande do Sul.

A partir dos meados do século XVII, observam-se as primeiras manifestações do barroco no restante das cidades brasileiras, através das fachadas e frontões, mas especialmente pela decoração de algumas igrejas.

A maior parte das cidades coloniais brasileiras foi construída em locais altos e de difícil acesso. Surgiram principalmente nos morros, descendo suas ruas organicamente. O casario fazia sombra às vias estreitas e escuras, porém apresentava-se com uma enorme riqueza da expressão do barroco.

Algumas cidades ao longo de sua formação puderam contar com a demonstração da arte barroca através da arquitetura e da decoração de suas igrejas, dos casarios e traçados urbanos. Falaremos em outros textos, de cidades que apresentam essas características como: Salvador, no estado da Bahia, Penedo, no sul de Alagoas e Olinda, em Pernambuco, por se tratarem de cidades, que nos remetem a esse período da história, e que, além de apresentarem obras de alto valor artístico e arquitetônico mantêm até hoje o “clima” da época da colonização em seus núcleos históricos.

 

O traçado das cidades coloniais barrocas brasileiras       Segundo alguns historiadores, diferentemente da cultura urbanística portuguesa, no Brasil colônia foi adotado um traçado racional, porém  enfocando a funcionalidade.

Os elementos urbanos iniciais destas cidades tendem para o traçado urbano orgânico-funcional. As ruas eram estreitas, relacionando-se com pontos como a praça, a igreja, o comércio e os largos ou terreiros. Eram vias tortuosas e quase nunca com calçamento. As casas alinhavam-se em fileiras com pouca variação tipológica. As portas e as janelas seguidas criavam um sentido estético ao se colocarem sobre a topografia.

Do ponto de vista morfológico, esse princípio criou uma categoria única no urbanismo: a rua direta, isto é, a rua que “vai diretamente” de um ponto de interesse ao outro, desprezando-se o sentido geométrico em favor do funcional.

Os lotes eram dispostos de maneira a possibilitar que todos os edifícios tivessem fachada frontal. Essa característica resultou em terrenos de pouca frente e muito fundo, longos e estreitos.  As praças não eram espaços monumentais, e sim, espaços diferenciados. O caráter religioso das primeiras praças é evidente. Os adros das igrejas, os largos dos conventos e das capelas eram espaços de prestígio social e de configuração física mais monumental, mais expressiva.

  

Bibliografia utilizada:

1.       Castro, Terezinha de. História da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, CAPEMI Editora, 1982.

2.       Del Priori, Mary. O livro de ouro da história do Brasil/Mary Del Priori e Renato Venâncio. Rio de Janeiro; Ediouro, 2001.

3.       Montellato, Andrea Rodrigues Dias. História Temática: diversidade cultural e conflitos/Montellato, Cabrini, Catelli. São Paulo; Scipione, 2000.

4.       http://www.carlota.cesar.org.br

5.       http://www.itaucultural.com.br

6.       http://www.mercuri.com.br

7.       http://www.mre.gov.br

8.       http://www.portalolinda.interjornal.com.br

9.       http://www.turismoalagoas.hpg.ig.com.br

10.    fotos: beatriz Brasil e Internet


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

 

Falando de Museus

a preservação de nosso patrimônio e de nossa cultura

por beatriz brasil

 

Devido a questões culturais, ainda hoje, grande parte dos brasileiros mantém um distanciamento das enormes oportunidades em termos de conhecimento que os museus e monumentos podem oferecer.

                  A idéia de que museus são espaços elitistas ainda persiste. Talvez inconscientemente, mas aliada à nossa formação cultural e à valorização da cultura estrangeira, nossos museus continuam sendo freqüentados por uma parcela bem pequena da população. A idéia de que nos museus só serão vistos objetos “velhos” e o conceito transmitido durante séculos de que museus são espaços estagnados, incutiu no brasileiro uma idéia equivocada sobre a função e os benefícios culturais que um museu pode proporcionar a todos os segmentos da sociedade, além dos diversos projetos que pode desenvolver.

Curiosamente, grande parte dos brasileiros quando viajam para o exterior, principalmente para países da Europa, visitam museus. Neste sentido podemos pensar que isso ocorre, talvez por não existirem em nosso país museus que consigam atrair a curiosidade e interesse dessas pessoas, ou mesmo, pela nossa própria cultura que, ao longo dos séculos que sempre esteve voltada para o culto e admiração do que pertence a outras civilizações, sem conseguir ver nisso uma ligação direta com nossa história.

Concordo com o fato de que é necessário, se possível, conhecer outras culturas, outros lugares, a história de outras civilizações e os costumes destas, mesmo porque na História, todos os fatos são contínuos e tem uma ligação. Porém, geralmente não conseguimos perceber esta ligação com nossa própria história.

A falta de um maior investimento por parte do poder público e o desinteresse, de uma parte do poder privado neste tipo de instituição, também é um fator que dificulta a formação e disseminação desses espaços tão importantes para a formação cultural de uma Nação.

 

Um País que não conhece sua própria história, que não consegue valorizá-la e preservá-la, provavelmente não terá sua própria identidade e tão pouco atingirá sua maturidade.

 


Considerações sobre o tema – um breve histórico        A palavra ‘museu’ deriva, segundo o Dicionário Aurélio (Editora Nova Fronteira: Museu. Do gr. Mousefon, ‘templo das musas’, pelo lat. Museu. S. m. 1. lugar destinado não apenas ao estudo, mas também à reunião e exposição de obras de arte, de peças e coleções científicas, ou de objetos antigos, etc. 2. Fig. Reunião de coisas várias; miscelânea.)

A idéia original da instituição de um espaço que recebeu o nome de Museu provém de Pitágoras, que em seu tempo, deu início a uma ‘corporação’ com o intuito de cultuar as musas que simbolizavam o estudo e a investigação científica.

Ao mesmo tempo, Platão fundou em Atenas, Grécia, a Academia. Esta tinha como uso principal a reunião de pessoas para conversas. Este espaço introduzido na idade antiga por Platão, além de proporcionar áreas de ‘debates’, possuia ambientes de lazer como parques para passeios e uma área destinada ao diretor e aos alunos.

Contudo foi Aristóteles quem primeiramente instituiu uma área que pode ser denominada de ‘museu’. Este espaço foi chamado por ele de Liceu e sua principal função era a de passar as experiências dos sábios à investigação científica. Após a morte de Aristóteles, Teofrasto organizou no Liceu um Museiom, predecessor do Museu de Alexandria, onde podiam ser encontradas salas de aula, alojamento para professores e estudiosos. Pode-se dizer que o Museu de Alexandria foi de alguma forma, a primeira Universidade da História da Humanidade, pois além de ser uma escola, foi o primeiro instituto de investigação da história no mundo.

O conceito contemporâneo de Museu surge na Idade Média, quando passam a existir dois tipos de instituições que representam estes espaços como os conhecemos atualmente.

No Renascimento estruturaram-se as bases dos museus que conhecemos hoje. O mecenato e o acúmulo de obras de artes e raridades pela classe burguesa, proporcionou a criação de espaços físicos apenas com intuito intelectual e observatório, que durante muito tempo só puderam ser vislumbrados pelas elites.

A partir de meados do século XVIII o termo “museu” passa a designar um espaço de preservação científica do conhecimento. Em 1753 foi fundado o British Museum, com a intenção de atender aos estudiosos dos mais diversos campos de conhecimento.

Na França, o museu passou a ser visto como uma instituição cultural socialmente reconhecida, porém com caráter elitista. Após a Revolução Francesa, a instituição passou a representar a possibilidade de universalização do conhecimento. Foram criadas diversas instituições pelo Estado, como o Museu Nacional, dedicado às artes figurativas, o Museu de História Natural, o Museu de Monumentos Franceses e o Museu de Artes e Ofícios, voltado para a técnica. Tal iniciativa fez com que a prática se espalhasse por toda a Europa e grande parte do mundo ocidental.

Nos Estados Unidos da América o museu surgiu com fortes laços com a iniciativa privada, o que facilitou a democratização do espaço e consequentemente, maior disseminação do conhecimento. Seu caráter mais ‘aberto’, proporcionou uma relação mais dinâmica entre a arte, o mercado, a indústria cultural, a universidade e o museu, enquanto que na Europa as instituições basearam-se no “acúmulo e classificação de ‘coisas mortas’”, modelo copiado no Brasil. (1)

   

“A idéia de museu foi chave na definição dos conceitos de cultura e arte na sociedade ocidental. Seu nascimento e evolução esteve relacionado com o colecionismo público e privado e com a definição dos Estados modernos. Cumpre lembrar o lugar central em que a Revolução Francesa     situou o museu público e o papel fundamental por ele desempenhado na Europa ao longo do século XIX, à medida em que se iam delineando as suas ideologias nacionais. A partir da ilustração, na segunda metade do século XVIII, ao mesmo tempo em que surgiam as disciplinas da arqueologia e da estética e se iniciava a cultura técnica da restauração dos monumentos, a cultura européia foi se definindo sempre em contato com a evolução do fenômeno dos museus, que foram, ademais, lugares privilegiados para a formulação das teorias estéticas.

No início do século XX, tal como sucedeu em todas as artes, a ruptura promovida pelas vanguardas teve reflexo no âmbito do museu, como instituição e como espaço do colecionismo em que se apresentava a arte moderna. No Manifesto Futurista de 1909, Filippo Marinetti chamava os museus e bibliotecas de “cemitérios” e exigia que fossem destruídos; Jean Cocteau qualificou o Louvre como “depósito de cadáveres”. (2)

   

 “Assim como cada disciplina questionava as suas próprias ilusões e figurações, o museu acadêmico como instituição deveria desaparecer ou transformar-se completamente. A museofobia das vanguardas foi um ponto de partida essencial. E o conflito foi tão grande que, nos primeiros anos, os arquitetos das vanguardas quase não projetaram nem construíram museus.” (3)

    

Em 1818 foi fundado no Brasil o Museu Real, hoje Museu Nacional. O modelo adotado foi o europeu, baseado na pesquisa científica e na erudição de uma pequena parcela da população. A partir da instalação da República, foram definidas as funções do museu no Brasil. No Rio de Janeiro, em 1922, foi inaugurado o Museu Histórico Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista e conduzido atualmente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Foi a partir de sua criação que se desenvolveu no Brasil o primeiro curso de Museologia. Hoje, o museu oferece exposições permanentes e temporárias e possui estrutura no sentido de preservação e restauração de seu acervo, além de oferecer cursos nesta área.

A partir da década de 40, o interesse da iniciativa privada retirou a exclusividade do Estado em relação à criação desse tipo de instituição. Na década de 50 os museus brasileiros adquiriram maior sofisticação e foram disseminados por todo o país, dedicando-se à preservação patrimonial nas mais diversas áreas.

O Museu Imperial, situado na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro e inaugurado neste período pelo presidente Getúlio Vargas, funciona no antigo Palácio de Verão do Imperador D. Pedro II. O acervo do Museu Imperial, formado pela transferência de coleções de outros órgãos culturais, além de compras e doações, reúne 7866 objetos representativos da país, com acervo de cerca de 100 mil documentos. Nele encontram-se importantes coleções iconográficas, bem como o Arquivo da Casa Imperial do Brasil, doado pelo Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança em 1948, além de uma Biblioteca, especializada em História, principalmente do Brasil no tempo Império, conta com 40 mil volumes.

 Desde a sua criação, o museu tem a finalidade de preservar e expor o patrimônio cultural do período da Monarquia Brasileira, e também de mostrar a formação histórica do Estado do Rio de Janeiro, especialmente da cidade de Petrópolis. Por intermédio de estudos e pesquisas, o Museu tem promovido cursos e seminários, exposições e outras atividades de caráter educativo e cultural. Ao longo dos anos o Museu foi se modernizando, para atender às necessidades da sociedade e do processo cultural brasileiro, acompanhando as transformações e a ampliação do conceito de museu, e da própria museologia que estão na base de seu trabalho atual. Desde 1991, o Museu Imperial conta com o apoio de uma Sociedade de Amigos criada para estimular o desenvolvimento de sua missão institucional. (4)

 

(1) Texto “considerações sobre o tema – museu” – produzido a partir de sites sobre a história do museu no mundo.

(2) Josep Maria Montaner. Museus para o Século XX, Editora Gustavo Gili, AS, Barcelona, 2003, pág. 8. Josep Maria Montaner é arquiteto e professor catedrático da Escuela de Arquitectura de Barcelona, e autor de artigos e livros sobre a arquitetura de museus.

(3) Josep Maria Montaner. Museus para o Século XX, Editora Gustavo Gili, AS, Barcelona, 2003, pág. 8.

(4) Texto “considerações sobre o tema – museu” – produzido a partir de sites sobre a história do museu no Brasil.


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

 

Le Corbusier  

 

Le Corbusier fez seu primeiro projeto aos 17 anos e sua forma de representar a arquitetura sempre foi através de croquis, destacando a importância do desenho.

Foi um dos principais arquitetos do movimento moderno, defendendo o uso de materiais simples e do ‘standard’ nos projetos arquitetônicos. Sua produção foi diferenciada em função da linguagem que adotou para projetar, introduzindo outro olhar na habitação e despertando o prazer de desfrutar do espaço arquitetônico.

Sua preocupação não era com o uso e sim com o aproveitamento do espaço produzido.

Em 1912, construiu a Villa Schob na Suíça. Neste projeto utilizou linguagem mais limpa, soltou os volumes, adotou simetria na planta que se insere dentro de um quadrado; projetou alguns terraços trazendo o exterior para dentro do edifício.

 

Le Corbusier viajou pela Itália, e nesta viagem pôde conhecer as grandes obras arquitetônicas antigas e a história da arquitetura, formando um novo olhar para o que é uma obra de arquitetura e de como o indivíduo deve interagir com ela. Durante a viagem visitou um convento e observou a forma de habitar dos monges. Em função disso, passou a questionar o porquê do indivíduo necessitar de tanto espaço para morar e começou a estudar a “célula mínima” ou seja a habitação mínima necessária para habitação. Em sua viagem para a Grécia, visitou o Pathernon e foi influenciado pela carga simbólica do templo que consiste num edifício que foi concebido para despertar os sentidos.

 

Fez estágio com o arquiteto Joseph Hoffman, mas não concordou com suas idéias e abandonou o escritório. Foi para a França e conheceu Tony Guarnier, ficando impressionado com suas idéias e sua linguagem arquitetônica simples e racional. Em Paris conheceu também o trabalho de Perret, arquiteto que também utilizava em seus projetos a linguagem racional.

 

Na Alemanha, Le Corbusier trabalhou com Peter Behrens e quando retornou à Paris introduziu sua linguagem arquitetônica moderna, tornando-se polêmico pelos textos que escreveu sobre seu conceito de arquitetura, onde defendeu seus princípios.

Seu primeiro projeto baseado nesses conceitos arquitetônicos é a Casa don-ino, de 1914.  A concepção arquitetônica desta casa baseava-se num “jogo de dominó”, era uma nova forma construtiva, calcada no ‘empilhamento’, onde o projeto poderia ser reduzido à pilar e viga, e o restante poderia ser preenchido – vedação. A adoção das vigas recuadas teve influência direta de Walter Gropius. Este é o SISTEMA DON-INO de Le Corbusier, que possibilitou a arquitetura independente do sistema construtivo, possibilitando colocação de painel livre e fechamento sem interrupção e que é trabalhada a partir do cubo.

 

Em 1921, Le Corbusier adotou esses mesmos princípios no projeto da Maison Citrohan em Paris. Neste projeto o arquiteto fez referência ao carro e utilizou o sistema don-ino mais uma vez. Adotou forma cúbica, o terraço como elemento arquitetônico, painéis brancos, escada sob pilotis, esquadrias livres das janelas (de canto a canto), liberando a forma arquitetônica. Este projeto fez parte da sua Fase PuristaOutro projeto desta fase é o da Maison Besnus onde o arquiteto organizou a fachada da casa de acordo com um traçado regulador, além de introduzir alguns volumes que sobressaem na fachada.

 

Le Corbusier introduziu através de sua teoria, os cinco Princípios Arquitetônicos. São eles:

 

. planta livre – que consiste numa planta sem pré-definição de ‘espaços’, onde só são projetados os pilares; a planta não precisa seguir a estrutura e conforma o espaço independentemente;

. teto-terraço – para Le Corbuiser, o telhado era um espaço arquitetônico desperdiçado, em função disso, o arquiteto criou uma laje que se estrutura e possibilita o aproveitamento do terraço como uma área livre, composta de jardim, possibilitando maior contato com a natureza;

. pilotis – eliminou o porão, muito utilizado até aquele momento e subiu a estrutura da casa, apoiando-a nos pilares e conformando o espaço do pilotis;

. esquadrias livres – passam a ocupar as fachadas de fora a fora da parede, podem ser na horizontal possibilitando ver toda a paisagem; o ideal são várias faixas horizontais que  dominam a paisagem;

. grandes aberturas – melhor aproveitamento da luz natural em função das grandes aberturas de vidro;

 

Estes cinco princípios, configuram o sistema don-ino e o traçado regulador nas fachadas.

Preocupado com a relação entre o habitante e o lugar de habitar, criou um sistema de medidas que deriva do corpo humano. Esta escala é resultado de estudos feitos a partir do caramujo e de suas relações métricas. É criado então o Sistema MODULOR, onde o espaço arquitetônico é vinculado ao sistema de medidas que derivam do corpo humano, a partir de suas proporções.

 

alguns projetos

 

Maison la Roche, 1923, Paris (hoje, Fundação Le Corbusier)       É um projeto incorporado a uma galeria de arte. Nele, Le Corbuiser soltou o pilotis e o primeiro andar ficou livre; foram também trabalhados os traçados reguladores nas fachadas; as paredes internas foram tratadas como se fossem paredes externas; adotou o ‘jogo’ de aberturas, integrando os ambientes; adotou racionalidade: primeiro pensou na planta e depois destinou os espaços; os ambientes foram integrados; adotou o Sistema don-ino possibilitando maior liberdade na volumetria; adequou a função ao habitar; inverteu as funções dos pavimentos: os quartos são embaixo e a cozinha e a sala são em cima; utilizou menos paredes internas, integrando os ambientes.

 

Villa Stein       Utilizou esquadrias horizontais ocupando toda a volumetria e adotou forma quadrada na volumetria, integrando os espaços internos.

 

Ville Savoye, França       FASE PURISTA = integrar o interior ao exterior. Neste projeto uniu todos os seus princípios: adotou pilotis livre, introduziu uma rampa que percorre todos os andares, utilizou contraste entre as formas – rígida e orgânica e introduziu o “passeio arquitetônico” – teto-terraço.

 

 

Le Corbusier – Villa Savoye – Poissy, França – 1928-29

 

Igreja Notre Dame du Mont (Ronchamp) França      Retomou o tema sagrado – atmosfera de ritual (silêncio). Explorou os sentidos através das aberturas e entre elas e a cobertura – entrada de luz, concebeu ferramentas para compor o percurso através de textura preparação para o ambiente.

 

 

Le Corbusier – Notre Dame du Haut, Ronchamp, França – 1955 – início fase Brutalista

 

Convento de La Tourette, França      Le Corbusier manteve a tradição dos conventos (construções afastadas da cidade). Este projeto faz parte da FASE BRUTALISTA (questão é material – o concreto é explorado como forma de plasticidade). Recuperou a história, a tipologia dos conventos – projetou áreas reclusas, capelas, biblioteca (divide a capela), pátio interno (ligação entre os edifícios), células onde moram as freiras, restaurante. Adotou o programa de conventos tradicionais com linguagem moderna e reproduz a atmosfera com linguagem volumétrica atual. Fez um partido quadrado, pesado (o edifício parece um só volume), que não apresenta transição entre o edifício e solo (diferente de pilotis). No interior, dividiu a nave principal e a lateral (pia batismal, etc) e explorou a luz (direcionou, filtrou através de nichos, trabalhou para dar mais luminosidade no ambiente – são como quadros dentro do ambiente), marcou limites. No pátio interno, pela primeira vez foi explorado o brise-soleil. Contrastou a rigidez das quinas com a modelação plástica da Capela (o volume se destaca).

 

Le Corbusier – Convento La Tourette – Lyon, França – 1957-1960 – fase Brutalista

 

Museu do Homem, Zurich     Neste projeto Le Corbusier fugiu totalmente do padrão arquitetônico que utilizava. Explorou a estrutura metálica – estrutura de cobertura, mas utilizou o cubo (lembra as obras de Mondrian) e contrastou a cobertura pesada com pilares finos.

 

Le Corbusier – Centre Le Corbusier – Zurich, Suiça – 1963-1967

 

texto Beatriz Brasil

fonte das imagens http://www.greatbuilding.com 


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

 

Frank Lloyd Wright

E a cidade evanescente – 1929 – 1963

Resumo do texto

 

Esta é considerada a segunda fase da arquitetura de Wright que inicia com a conclusão de sua última casa de blocos de concreto em Tulsa, Oklahoma, em 1929 e inicia sua fase de uso dos grandes balanços, com o projeto para os Apartamentos Elizabeth Noble, em Los Angeles.

 

Influenciado pela Depressão econômica americana, pela produção em série, Wright desperta para uma arquitetura de ordem mais social. Desde o início de sua carreira, Frank Lloyd Wright mantinha algumas convicções em relação às suas propostas. Defendia a criação de uma cultura artesã de alto nível aplicada a seu Estilo Pradaria, insistia na fundamentação dos métodos e materiais tradicionais. Só a partir da metade da década de 20 é que Wright começa a considerar o conjunto de estruturas inteiras a partir de elementos simétricos produzidos em massa e o sistema modular de paredes-cortinas que concebeu para envolver estruturas de concreto monolíticas.

 

Assim, devido a questões econômicas, Wright começa a abandonar seu Estilo Pradaria e passa a usar a combinação de concreto e vidro, criando uma arquitetura prismática e facetada, sustentada por planos flutuantes que transmitem ilusão de leveza.

 

Em 1928, Wright manifesta-se pela primeira vez, contrário à cidade tradicional. Seu projeto para o concurso do City Club de Chicago, em 1913, já transmite esse pensamento – “a abolição gradual da distinção entre cidade e campo através de uma distribuição mais equânime da população na terra”.

 

Os primeiros projetos que fez, voltados para esse pensamento, são o da torre de apartamentos St. Mark e o do edifício do Capital Journal, em 1931, que tinha um tom mais urbano que rural. Os dois projetos são compostos por um sistema de concreto armado em balanço, envoltos por uma membrana de vidro. A partir desses projetos, são assimiladas as idéias de construção do “lar aos processos da natureza” e do “lugar de trabalho à idéia e sacramento”. Neste período, Wright produz suas mais brilhantes obras, a casa da Cascata, Falling Water, na Pensilvânia e o edifício para a Johnson Wax AdministrationSua concepção de “orgânico” passa a ser espelhada na utilização de balanços em concreto como se reproduzissem formas da natureza, como se assemelhasse a uma árvore.

 

O edifício Johnson Wax, apresenta essa metáfora orgânica por meio de seus pilares altos e esguios em forma de cogumelo, formando suportes básicos no espaço dos escritórios. O topo dos pilares tem forma circular, e foram erguidas em concreto, envolvidas por membrana de vidro, que dão entrada de luz horizontais, vindas do teto.

 

Frank Lloyd Wright – Johnson Wax Building – Wisconsin – 1936-39

 

Os centros dos pilares – ocos – têm a função de facilitar o escoamento da água da chuva, evitando o acúmulo na cobertura. Assim, Wright inverte a concepção tradicional, onde deveria existir rigidez, na cobertura, utiliza materiais mais “leves”, o vidro e na base, a rigidez, o concreto, o fechamento. Desta forma, o arquiteto incorpora à arquitetura da época, elementos que são utilizados até hoje. Essa atmosfera deu ao edifício de escritórios um ar sagrado.

 

Frank Lloyd Wright – Johnson Wax Building – Wisconsin – 1936-39

 

A Falling Water (Casa da Cascata) produziu a fusão entre o lugar que se vive e a natureza. O projeto partiu do uso do concreto armado, porém, os balanços introduzidos vão ao limite. A casa projeta-se da rocha natural existente no local, que lembra uma plataforma que flutua sobre uma pequena cachoeira. Consiste em um jogo de planos suspensos, em vários níveis de altura acima das árvores. Sua fusão com a paisagem é total, pois esta permeia o projeto a cada passo, e em função das aberturas horizontais de vidro.

 

Frank Lloyd Wright – Fallingwater – 1938

 

Internamente, as referências aos materiais naturais e locais, são mostradas através dos revestimentos dos pisos e paredes feitos em pedra.

Apesar da utilização do concreto armado, Wright ainda tinha algumas restrições a esse material, por considerá-lo “não natural”, assim, pintou as fachadas de concreto da cada com tinta cor de damasco, fundindo-a a natureza.

 

Frank Lloyd Wright – Fallingwater – 1938

 

Sua visão foi cristalizada pela primeira vez e atingiu sua máxima realização, em seu projeto para o Museu Guggenheim de Nova Iorque em 1943. Neste projeto Wright põe para fora toda a sua idéia do fantástico. Este projeto pode ser visto como o ponto culminante da obra de Frank Lloyd Wright, pois combina os princípios estruturais e espaciais da Falling Water com a iluminação utilizada no edifício Johnson Wax.

 

Em seu primeiro livro sobre urbanismo, ‘A Cidade Evanescente’, de 1932, Frank Lloyd Wright declara que a cidade do futuro estaria em todas as partes e em nenhuma. Defendia que os homens deveriam procurar uma nova solução para as cidades existentes ou planejadas, onde seriam introduzidos novos sistemas de assentamentos de terras dispersas, anti-urbanas. Em seu livro, Wright afirma “os milagres de invenção técnica com os quais nossa cultura compulsiva nada tem a ver são – apesar de seu mau uso – novas forças com as quais qualquer cultura nativa deve acertar conta.”

 

Em sua cidade ideal, a construção mais importante não era a casa e sim a Fazenda-Modelo Walter Davidson, projetada em 1932. Essa construção era destinada a facilitar a administração econômica do local, onde cada pessoa iria cultivar e trabalhar a terra – era a economia de subsistência incorporada à arquitetura.

 

fonte texto Livro História da Arquitetura Moderna, Kenneth Frampton

fonte das imagens http://www.greatbuildings.com/ 


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

 

Neoplasticismo

arquitetura

 

Este movimento de vanguarda liderado pelo holandês Piet Mondrian defendeu a total limpeza espacial na pintura, reduzindo-a a seus elementos mais puros, buscando suas características mais próprias e, expondo a necessidade de ressaltar o aspecto puro da criação. Os artistas engajados neste movimento, principalmente Mondrian e o artista e arquiteto, Theo van Doesburg, utilizaram em suas obras apenas as cores primárias, azul, vermelho e amarelo em seu estado mais saturado, juntamente com o preto (significando ausência total de luz), o branco (significando presença total de luz) e um pouco de cinza, cores não encontradas na natureza em seu estado puro. Para eles a abstração geométrica era a representação da natureza, ainda que alterada.

 

Em 1911 Mondrian visitou uma exposição cubista em Amsterdã sofrendo grande influência deste movimento. De 1917 até a década de 40, desenvolveu sua obra neoplástica. O movimento influenciou consideravelmente a arquitetura moderna, através dos trabalhos dos arquitetos J. J. P. Oud, que desenvolveu também o planejamento urbano de Roderdã na Holanda, de Robert Van’t Hoff e de Gerrit Thomas Rietveld.

 

Na casa neoplástica de Theo van Doesburg e Van Eesteren, observamos que planos formam caixas ocas, assim como no projeto de Thomas Rietveld para a casa Schröder em 1924. Neste projeto percebemos a clareza linear e plana das partes separadas que combinam com grupos de relações espaciais que se modificam.

 

Piet Mondrian foi um dos artistas mais importantes no movimento artístico difundido pela De Stijl. Fundada por Theo van Doesburg e outros artistas da época, a De Stijl foi publicada pela primeira vez em 1917, introduzindo e divulgando o movimento Neoplástico. Devido à influência dos textos da revista, que em algumas ocasiões assumiam tom de manifesto, o movimento foi confundido com o nome da revista. Entre seus principais membros estavam, além de Mondrian e Theo van Doesburg, o arquiteto Gerrit Rietveld, que desenvolveu seus projetos a partir da teoria surgida com o movimento.

 

“Porque nada é mais concreto nem mais real do que uma linha, uma cor, uma superfície… uma mulher, uma árvore, uma vaca são concretos no estado natural, mas, no contexto da pintura, são abstratos, ilusórios, vagos, especulativos – enquanto um plano é um plano, uma linha é uma linha, nem mais nem menos.”

Theo van Doesburg

  

Gerrit Rietveld      Figuras desconectadas, colocadas em forma assimétrica, firmadas por traços que marcam todo o conjunto e utilizam as cores do movimento. A forma básica é em cubo porém, percebe-se a decomposição em projeções horizontais, na forma de parapeitos, marquises e sacadas. As linhas verticais são marcadas na forma de fechamento em “pilares” que enfatizam as quinas e fechamentos de esquadrias.

 

Internamente é mantido o padrão neoplástico, seguindo rigorosamente a composição com linhas verticais e horizontais e utilização das cores primárias, tanto na arquitetura quanto na decoração.

 

 

Gerrit Rietveld – Schroder House – Utreque, Holanda – 1923

 

Gerrit Rietveld – Schroder House – Utreque, Holanda – 1923

 

A planta apresenta-se bastante racional e com as mesmas características defendidas no movimento. No térreo notamos uma composição assimétrica, onde são distribuídos os cômodos a partir de um  hall de entrada. É basicamente um retângulo. No pavimento superior a distribuição é repetida porém, existem paredes deslizantes que separam os ambientes, proporcionando adaptação de uso. O mobiliário foi todo projetado por Rietveld e segue os mesmos padrões estéticos. A decomposição só é percebida externamente através de um jogo de cheios e vazios e pela composição das cores.

 

 J. J. P. Oud      Tomando impulso a partir das publicações da De Stijl, a “caixa” adotada na arquitetura, teve origem nas linhas retas e nos volumes prismátivos referenciados como símbolo da modernidade. A abordagem racionalista, a idéia de que a arquitetura contribuísse para uma nova visão social enfocando a simplicidade e a integridade, imagens que simbolizassem a industrialização, a criação de novos tipos que atendessem a novos usos e atividades e a pretensão de criar soluções universais, permitiram a abstração como forma de representação.

 

J. J. P. Oud – desenho para a fachada do Café de Unie

 

O arquiteto holandês J. J. P. Oud foi um dos primeiros autores das “caixas” arquitetônicas. Seu projeto de 1917 para casas de praia em Scheveningen é exemplar, descreve-se como um conjunto de caixas absolutamente regulares empilhadas umas sobre as outras. Sua obra como um todo, define-se como uma arquitetura de grande rigor técnico, mas pouco surpreendente.

 

Oud realizou basicamente os mesmos programas de residências no mesmo país, a Holanda, com a mesma compreensão dos processos produtivos, mas sendo uma obra de grande qualidade. No Café Unie, projetado por J. J. P. Oud, notamos a combinação e a ordem estritamente linear e retangular, com fluxo e movimento assimétricos, assim como Mondrian expunha em seus quadros. A fachada foi desenhada em 1925, contrapondo-se à arquitetura já existente no local, em área histórica da cidade, o que tornou o projeto totalmente autônomo.

 


DE STIJL      Em 1917 é fundada a revista De Stijl (O Estilo) que dará nome ao grupo de artistas que reconheceram o trabalho teórico de Mondrian, o Neoplasticismo. Neste mesmo ano começa o trabalho de simplificação formal que levará às características de suas obras em forma de tramas lineares ortogonais que se unem a retângulos de cores primárias. Em 1922, o grupo De Stijl monta uma exposição em Amsterdã. Três anos mais tarde, ocorre o rompimento entre Mondrian e Van Doesburg devido a este passar a utilizar linhas diagonais em suas obras, o que Mondrian considerou uma traição à seus princípios estéticos.

 

A racionalidade difundida pela De Stijl e também pela Bauhaus, tornou-se conhecida internacionalmente como uma opção para a arquitetura moderna. O Neoplasticismo holandês, influenciado diretamente pela revista, divulgou a arquitetura racionalista baseada na clareza e limpeza das formas.

 

A Bauhaus de Walter Gropius também baseou suas idéias no racionalismo, adotando o uso de novos materiais como o vidro, o aço e o concreto, privilegiando a linha reta e as formas simples nos projetos, eliminando toda a decoração. A Bauhaus foi uma das maiores expressões do modernismo na arquitetura além de pioneira na efetivação do design. O principal objetivo de Gropius era reunir a arquitetura, o artesanato e as artes, criando um novo estilo que refletisse sua época, enfocando funcionalidade, baixo custo, produção industrial, tanto na arquitetura quanto nos utensílios e móveis.

 

Garrit Rietveld – Cadeira Manifesto Red and Blue – Neoplasticismo

 

A cadeira “manifesto”de Gerrit Rietveld, faz parte do design desenvolvido neste período. Apresenta forte influência cubista, inovando em sua inspiração nas formas geométricas puras e nos planos em ângulos retos. Neste móvel, Rietveld demonstra a possibilidade de sintetizar a forma e a função, utilizando novos princípios estéticos.

 

Bibliografia:

1.       Diecher, Susanne. Mondrian.  Taschen. 1994.

2.       Gössel, Peter e Leuthäuser, Gabriele. Arquitectura no século XX. Taschen. 2001.

3.       Janson, H. W. Iniciação à história da arte. 2a. edição, São Paulo. Martins Fontes. 1996.

4.       Scully Jr., Vincent. Arquitetura moderna. São Paulo: Cosac & Naify Edições. 2002.

5.       http://www.3legsdog.planetaclix.pt/mondrian

6.       http://www.archinform.net/arch

7.       http://www.greatbuildings.com/buildings

8.       http://www.imageandart.com/tutoriales/biografias/mondrian

9.       http://www.vitruvius.com.br

10.    www.wikipedia.org/wiki/mondrian


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

Grupo ARCHIGRAM

O grupo Archigram foi precedido e influenciado por Yona Friedman, arquiteto húngaro que desde o final dos anos 50, dedicou sua atenção ao problema dos arquitetos terem que tomar uma quantidade enorme de decisões de diversas complexidades, de tal modo que lhes era impossível prever a evolução das múltiplas necessidades em permanente mudança. Para ele era necessária uma arquitetura mutável que pudesse ser montada e desmontada conforme a vontade do proprietário. Deveria também possuir estrutura que possibilitasse essa idéia.

arquitetura mutável, Yona Friedman, 1956

Richard Buckminster Fuller (1895 – 1983) nasceu nos Estados Unidos. Foi além de arquiteto, designer, filósofo, artista plástico, engenheiro, escritor, matemático, professor e inventor. A arquitetura para ele deveria ter como objetivo principal, a criação de abrigos versáteis, leves e flexíveis, sendo máquinas de morar capazes de se modificar de acordo com as necessidades de quem as habitava. Para amparar sua idéia, Bukminster Fuller desenvolveu uma teoria denominada “geometria energético-sinergética”. As cúpulas geodésicas projetadas por ele, são a concretização das suas pesquisas no sentido de encontrar o máximo de eficiência na tecnologia das estruturas.

casa autonoma, Buckminster Fuller, 1946

ARCHIGRAM – Os projetos     As idéias do Grupo Archigram surgem nos anos sessenta do século XX. Com o advento da tecnologia, surge nas sociedades uma cultura baseada na relação de novos sistemas de comunicação e de informação e das tecnologias eletrônicas. O grupo é constituído inicialmente por estudantes de arquitetura e urbanismo que publicam uma revista ilustrada de caráter contestatório e provocativo de nome Archigram. O nome faz referência às palavras architecture e telegram (ágil e instantânea como um telegrama). A programação visual da revista foi toda baseada em bricolagem, com justaposição de desenhos técnicos, fotografias, fotomontagens e textos contrapondo-se à monotonia de representações, existente até o momento.

O grupo formado inicialmente por Peter Cook, Ron Herron, Warren Chalk, Dennis Crompton, David Greene e Mike Webb, compartilhava a idéia de que era possível e necessário transformar por meio do progresso e tecnologia emergentes, a arquitetura e o urbanismo. Suas propostas tinham sempre caráter inovador, rompendo com a tradição e padrões estabelecidos. Sua arquitetura foi pensada como fenômeno de comunicação e suas propostas foram divulgadas de maneira estratégica, através de exposições.

Peter Cook nasceu em 1936 na Inglaterra. Em 1961, participou da criação da Revista Archigam juntamente com Cedric Price e David Green. Em 1962 juntou-se ao Grupo Woodrow Design criado por Theo Crosby Taylor com Ron Herron, Warren Chalk, Robin Middleton, Brian Richards, David Greene e Mike Webb.

Com o suporte teórico e técnico do crítico Reyner Banham, Peter Cook co-produziu vários projetos sob o nome Archigram que questionaram a relação entre a arquitetura, a cidade, a sociedade ocidental baseada no lazer, a mídia e o consumo de massa. Esses projetos espetaculares, críticos e energéticos viam o nomadismo oferecer novas formas de vida em comunidades. Em 1973 foi nomeado diretor do Instituto de Artes Contemporâneas de Londres. Fez o projeto da cidade de Arcadia entre 1976 e 1978.

Plug-in-City (Cidade Interconexa)       1964, projetada por Peter Cook apresentava a proposta de uma cidade tentacular que seria construída a partir de uma mega-estrutura em forma de rede, erguida com produtos pré-fabricados, com vias de comunicação e de acesso interligando cada ponto do terreno. As várias partes da edificação teriam comunicação entre si através de um sistema de conexões físicas e de uma malha de circuitos comunicacionais e informacionais, através de tubulações e articulações metálicas que serpenteavam como passarelas por todos os setores.

Archigram – Plug-in-City – Peter Cook,1964

A cidade foi projetada como suporte de todo um sistema de serviços. Além das residências básicas, em alguns locais da cidade-rede foram posicionadas unidades arquitetônicas “inteligentes” voltadas para todo tipo de serviços, com o objetivo de suprir todas as necessidades dos moradores. Nelas existiriam hotéis, supermercados, restaurantes, etc. As instalações internas seriam guarnecidas de aparelhos eletrônicos que tinham função de apoiar as operações domésticas.

O Archigram adotou na arquitetura a organização de uma máquina ou de um computador. A cápsula era vista como um dispositivo para ser levado por seu proprietário aonde ele fosse, o dono da casa poderia conectá-la em outras cidades, e poderiam ser substituídas por outras que proporcionassem melhor eficiência tecnológica. As Casas Cápsulas desenvolvidas pelos membros do Archigram foram criadas segundo o olhar do arquiteto do futuro. Uma moradia que seguia a idéia da “máquina de morar”, com elevado grau de sofisticação tecnológica e planejadas segundo a ergonometria para serem práticas e confortáveis.

Archigram – Plug-in-City – capsulas residenciais, Peter Cook,1964

O interesse do grupo neste período era o de projetar um certo tipo de unidade residencial autônoma, avessa à monumentalidade e com máxima flexibilidade, praticidade e adaptabilidade. Os projetos denominados Living Pod Project, 1965 de David Greene e The Cushicle, 1966 de Mike Webb, são os de maior relevância.

Living Pod Project consistia no estudo de uma casa cápsula que poderia se transformar em uma casa trailer, podendo ser inserida no interior de uma estrutura urbana plug-in ou ainda ser transportada e implantada numa paisagem aberta. “Basicamente, poderia ser definida como uma cápsula hermética, pequena e confortável, com compartimentos internos planejados para múltiplos usos. Uma arquitetura híbrida constituída pelo espaço em si e pelas máquinas anexadas a ele. A maquinaria acoplada à estrutura principal era equipada com aparelhos de última geração, transformando o ambiente numa perfeita máquina de morar, planejada para ser implantada até no fundo do mar”.

Archigram – Living Pod Project, David Greene, 1965

O Cushicle era uma unidade habitacional transportável ainda mais compacta.  “Uma invenção com extrema sofisticação tecnológica que possibilita a um viajante levar consigo um micro-ambiente habitável com alto nível de conforto térmico. Seria útil a um profissional que trabalha a serviço de entidades de pesquisa, proteção e desenvolvimento ambiental em florestas de difícil acesso e imprescindível para o itinerante que precisa explorar desertos. Dobrável e desdobrável, quando fechado, esse objeto arquitetônico pode ser levado pelo viajante em seu carro ou ainda ser carregado junto às suas costas, com um mínimo de esforço no transporte. Esta barraca high tech foi planejada para ser facilmente montada e desmontada por qualquer pessoa, ficando pronta para ser habitada, assim que é tirada da mochila”.

O projeto Walking City projetado por Ron Herron, foi lançado pelo grupo Archigam em 1964 e consistia numa arquitetura que via a cidade como um ‘organismo andante’, configurada por imensos “containers” com pernas tubulares que se deslocariam pelo solo, e adequada para viajantes e nômades. Era uma mistura de nave espacial com submarino.

Archigram – Walking City – Ron Herron – unidade móvel

A interface da arquitetura com os sistemas de transporte e os sistemas de comunicação e informação proposta pelos integrantes do Grupo Archigram vislumbrava perspectivas renovadoras no universo da arquitetura e do urbanismo, mas ao mesmo tempo gerava um sentimento de rejeição nos arquitetos mais conservadores que viam nos seus projetos uma ameaça à tradicional cultura arquitetônica. Como as suas propostas estavam sempre na fronteira entre o campo do real e do imaginário, a dúvida que fica quando analisamos os seus projetos é se os membros do grupo realmente acreditavam na absorção de suas idéias ou se tudo não passava de especulação frente às potencialidades tecnológicas da era da conquista espacial. O fato é que as suas idéias e projetos são discutidos até hoje como exemplo de criatividade e de originalidade, servindo de referência e de inspiração para os arquitetos do século XXI.


 Experiências habitacionais: as hoff na Áustria

A hoff mais conhecida é o Conjunto Karl Marx Hoff projetado por Karl Elm em 1927. Constitui-se de blocos residenciais que ocupam 18% de uma área de quinze hectares, com um total de 1382 habitações que acolhem cinco mil pessoas.

As hoff foram conjuntos habitacionais sociais construídos pelo Estado Social Democrata austríaco nos anos 20. A sua dimensão correspondia a uma unidade residencial que possibilitasse a vida comunitária e o funcionamento de equipamentos. Esses conjuntos estabeleceram uma ruptura morfológica do quarteirão. Ocupavam áreas livres, completavam áreas parcialmente construídas, articulavam traçados urbanos já existentes. Suas formas decorriam do urbanismo tradicional, porém, com política habitacional socialista, eliminando o loteamento. No interior do quarteirão, a área era coletiva, o espaço livre e verde.

No que se refere ao desenho urbano, diferenciava-se dos quarteirões tradicionais repetitivos, apresentando uma unidade física com autonomia social e comunitária.


conteúdo da página arquitetando    http://bhpbrasil.spaces.live.com/ 

Experiências habitacionais na Europa Central: as siedlungen

Ernest May em Frankfurt e as siedlungen racionalistas     A partir da primeira grande guerra e até a ascensão do fascismo e início da segunda guerra mundial, a Alemanha sofreu com uma forte crise econômica. Isso permitiu grandes experimentações nos campos urbanístico, arquitetônico e habitacional, sendo elaborados planos para as principais cidades e construção de grande quantidade de habitações sociais.

Foram testadas as teorias dos programas habitacionais, em Berlim e especialmente em Frankfurt, concretizando os ideais modernistas como o controle urbano, a industrialização da construção, a produção de alojamentos sociais, e grande sintonia entre arquitetura, gestão e políticas urbanas municipais.

Ernest May assumiu o comando dos serviços de construção municipal de Frankfurt e realizou, desde a preparação do plano até o projeto arquitetônico de habitações populares. Entre 1925 e 1930, foram construídas cerca de 15 mil habitações desse tipo, formando um conjunto de bairros, chamados siedlungen, transformando Frankfurt num campo de experimentações para May e outros arquitetos modernistas.

May publicou em sua revista, a evolução do quarteirão da cidade tradicional até as experiências em Frankfurt. Para ele, a evolução se deu primeiramente com a liberação do interior do quarteirão passando à espaço público coletivo. Posteriormente, rompeu-se com a continuidade da borda e numa terceira etapa, a densidade baixa nos dois lados do mesmo, foram suprimidas, restando duas filas de edifícios paralelos com a rua, tendo duas fachadas.

Com a ascensão dos nazistas, as experiências de Ernest May foram interrompidas. Estas foram transmitidas através dos CIAMs, influenciando no planejamento urbanístico da cidade Moderna.