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Grupo ARCHIGRAM

O grupo Archigram foi precedido e influenciado por Yona Friedman, arquiteto húngaro que desde o final dos anos 50, dedicou sua atenção ao problema dos arquitetos terem que tomar uma quantidade enorme de decisões de diversas complexidades, de tal modo que lhes era impossível prever a evolução das múltiplas necessidades em permanente mudança. Para ele era necessária uma arquitetura mutável que pudesse ser montada e desmontada conforme a vontade do proprietário. Deveria também possuir estrutura que possibilitasse essa idéia.

arquitetura mutável, Yona Friedman, 1956

Richard Buckminster Fuller (1895 – 1983) nasceu nos Estados Unidos. Foi além de arquiteto, designer, filósofo, artista plástico, engenheiro, escritor, matemático, professor e inventor. A arquitetura para ele deveria ter como objetivo principal, a criação de abrigos versáteis, leves e flexíveis, sendo máquinas de morar capazes de se modificar de acordo com as necessidades de quem as habitava. Para amparar sua idéia, Bukminster Fuller desenvolveu uma teoria denominada “geometria energético-sinergética”. As cúpulas geodésicas projetadas por ele, são a concretização das suas pesquisas no sentido de encontrar o máximo de eficiência na tecnologia das estruturas.

casa autonoma, Buckminster Fuller, 1946

ARCHIGRAM – Os projetos     As idéias do Grupo Archigram surgem nos anos sessenta do século XX. Com o advento da tecnologia, surge nas sociedades uma cultura baseada na relação de novos sistemas de comunicação e de informação e das tecnologias eletrônicas. O grupo é constituído inicialmente por estudantes de arquitetura e urbanismo que publicam uma revista ilustrada de caráter contestatório e provocativo de nome Archigram. O nome faz referência às palavras architecture e telegram (ágil e instantânea como um telegrama). A programação visual da revista foi toda baseada em bricolagem, com justaposição de desenhos técnicos, fotografias, fotomontagens e textos contrapondo-se à monotonia de representações, existente até o momento.

O grupo formado inicialmente por Peter Cook, Ron Herron, Warren Chalk, Dennis Crompton, David Greene e Mike Webb, compartilhava a idéia de que era possível e necessário transformar por meio do progresso e tecnologia emergentes, a arquitetura e o urbanismo. Suas propostas tinham sempre caráter inovador, rompendo com a tradição e padrões estabelecidos. Sua arquitetura foi pensada como fenômeno de comunicação e suas propostas foram divulgadas de maneira estratégica, através de exposições.

Peter Cook nasceu em 1936 na Inglaterra. Em 1961, participou da criação da Revista Archigam juntamente com Cedric Price e David Green. Em 1962 juntou-se ao Grupo Woodrow Design criado por Theo Crosby Taylor com Ron Herron, Warren Chalk, Robin Middleton, Brian Richards, David Greene e Mike Webb.

Com o suporte teórico e técnico do crítico Reyner Banham, Peter Cook co-produziu vários projetos sob o nome Archigram que questionaram a relação entre a arquitetura, a cidade, a sociedade ocidental baseada no lazer, a mídia e o consumo de massa. Esses projetos espetaculares, críticos e energéticos viam o nomadismo oferecer novas formas de vida em comunidades. Em 1973 foi nomeado diretor do Instituto de Artes Contemporâneas de Londres. Fez o projeto da cidade de Arcadia entre 1976 e 1978.

Plug-in-City (Cidade Interconexa)       1964, projetada por Peter Cook apresentava a proposta de uma cidade tentacular que seria construída a partir de uma mega-estrutura em forma de rede, erguida com produtos pré-fabricados, com vias de comunicação e de acesso interligando cada ponto do terreno. As várias partes da edificação teriam comunicação entre si através de um sistema de conexões físicas e de uma malha de circuitos comunicacionais e informacionais, através de tubulações e articulações metálicas que serpenteavam como passarelas por todos os setores.

Archigram – Plug-in-City – Peter Cook,1964

A cidade foi projetada como suporte de todo um sistema de serviços. Além das residências básicas, em alguns locais da cidade-rede foram posicionadas unidades arquitetônicas “inteligentes” voltadas para todo tipo de serviços, com o objetivo de suprir todas as necessidades dos moradores. Nelas existiriam hotéis, supermercados, restaurantes, etc. As instalações internas seriam guarnecidas de aparelhos eletrônicos que tinham função de apoiar as operações domésticas.

O Archigram adotou na arquitetura a organização de uma máquina ou de um computador. A cápsula era vista como um dispositivo para ser levado por seu proprietário aonde ele fosse, o dono da casa poderia conectá-la em outras cidades, e poderiam ser substituídas por outras que proporcionassem melhor eficiência tecnológica. As Casas Cápsulas desenvolvidas pelos membros do Archigram foram criadas segundo o olhar do arquiteto do futuro. Uma moradia que seguia a idéia da “máquina de morar”, com elevado grau de sofisticação tecnológica e planejadas segundo a ergonometria para serem práticas e confortáveis.

Archigram – Plug-in-City – capsulas residenciais, Peter Cook,1964

O interesse do grupo neste período era o de projetar um certo tipo de unidade residencial autônoma, avessa à monumentalidade e com máxima flexibilidade, praticidade e adaptabilidade. Os projetos denominados Living Pod Project, 1965 de David Greene e The Cushicle, 1966 de Mike Webb, são os de maior relevância.

Living Pod Project consistia no estudo de uma casa cápsula que poderia se transformar em uma casa trailer, podendo ser inserida no interior de uma estrutura urbana plug-in ou ainda ser transportada e implantada numa paisagem aberta. “Basicamente, poderia ser definida como uma cápsula hermética, pequena e confortável, com compartimentos internos planejados para múltiplos usos. Uma arquitetura híbrida constituída pelo espaço em si e pelas máquinas anexadas a ele. A maquinaria acoplada à estrutura principal era equipada com aparelhos de última geração, transformando o ambiente numa perfeita máquina de morar, planejada para ser implantada até no fundo do mar”.

Archigram – Living Pod Project, David Greene, 1965

O Cushicle era uma unidade habitacional transportável ainda mais compacta.  “Uma invenção com extrema sofisticação tecnológica que possibilita a um viajante levar consigo um micro-ambiente habitável com alto nível de conforto térmico. Seria útil a um profissional que trabalha a serviço de entidades de pesquisa, proteção e desenvolvimento ambiental em florestas de difícil acesso e imprescindível para o itinerante que precisa explorar desertos. Dobrável e desdobrável, quando fechado, esse objeto arquitetônico pode ser levado pelo viajante em seu carro ou ainda ser carregado junto às suas costas, com um mínimo de esforço no transporte. Esta barraca high tech foi planejada para ser facilmente montada e desmontada por qualquer pessoa, ficando pronta para ser habitada, assim que é tirada da mochila”.

O projeto Walking City projetado por Ron Herron, foi lançado pelo grupo Archigam em 1964 e consistia numa arquitetura que via a cidade como um ‘organismo andante’, configurada por imensos “containers” com pernas tubulares que se deslocariam pelo solo, e adequada para viajantes e nômades. Era uma mistura de nave espacial com submarino.

Archigram – Walking City – Ron Herron – unidade móvel

A interface da arquitetura com os sistemas de transporte e os sistemas de comunicação e informação proposta pelos integrantes do Grupo Archigram vislumbrava perspectivas renovadoras no universo da arquitetura e do urbanismo, mas ao mesmo tempo gerava um sentimento de rejeição nos arquitetos mais conservadores que viam nos seus projetos uma ameaça à tradicional cultura arquitetônica. Como as suas propostas estavam sempre na fronteira entre o campo do real e do imaginário, a dúvida que fica quando analisamos os seus projetos é se os membros do grupo realmente acreditavam na absorção de suas idéias ou se tudo não passava de especulação frente às potencialidades tecnológicas da era da conquista espacial. O fato é que as suas idéias e projetos são discutidos até hoje como exemplo de criatividade e de originalidade, servindo de referência e de inspiração para os arquitetos do século XXI.

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